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27/05/2009 - 23:06

Cinema mauricinho

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“O cinema que triunfou no Brasil é careta, não mostra nada, é um Cinema Mauricinho, que só se preocupa em agradar o público e tentar adivinhar o seu gosto. Esta é uma pretensão ridícula. São filmes bonitinhos, mas que não dizem nada, não mostram nada. E são totalmente feitos com o dinheiro do contribuinte, ninguém mais coloca a mão no bolso! Além disso, os cineastas que conseguem filmar são sempre os mesmos, um grupo de bem nascidos. Vivemos nas trevas da hipocrisia! Eu acho que hoje as novelas da televisão estão melhores que os filmes brasileiros!”

A frase é do cineasta Neville de Almeida, proferida ontem em debate após a exibição de seu filme “A Dama do Lotação” na mostra “O Erotismo no Cinema Brasileiro”, na Caixa Cultural do Rio de Janeiro. Foi destacada em texto no blog Máquina de Escrever, de Luciano Trigo. Neville estava com fome de polêmica. Ele soltou ainda:

“O Cinema Novo não foi prejudicado pela ditadura militar. Ao contrário, ele prosperou na ditadura, que financiou, através da Embrafilme, todos aqueles filmes. E, que eu saiba, nenhum cineasta foi forçado a se exilar.”

“Já temos uma estrutura de produção montada e funcionando, mal ou bem são feitos 80 filmes por ano. O problema a ser atacado agora é a distribuição e a exibição. O BNDES devia financiar a construção de cinemas em municípios que não têm nenhuma sala. E tem que haver mais compromisso. Hoje, tem diretor que pensa: ‘O dinheiro é do contribuinte mesmo, então estou me lixando se o filme só vai ficar uma semana em cartaz’. Claro, ele já ganhou o dele! O que não pode é alguém assim fazer um filme de 3 milhões que não dá nenhum retorno e no ano seguinte voltar e pedir mais 5 milhões para fazer outro!”

Minha tendência é concordar com todas essas frases de Neville, em especial com a expressão “cinema mauricinho” – levando em conta, claro, que todas essas questões estão simplificadas e têm muito mais nuances. O problema é que o discurso do cineasta é bem melhor que a maioria de seus filmes – os últimos foram “Matou a Família e Foi ao Cinema” (1991) e “Navalha na Carne” (1997). E daí fica difícil levá-lo excessivamente a sério, por mais que ele tenha razão.

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23 comentários para “Cinema mauricinho”

  1. Terence disse:

    Concordo quando o Neville defende o incentivo governamental para criação de novas salas de exibição. Não entendo quando ele critica que o cinema atual é feito para agradar o público e, logo em seguida, diz que os cineastas não se importam com o público porque já levaram o seu. Ele generaliza, mas o cinema brasileiro é muito diversificado e possui exemplos de bom nível. Os filmes do Neville são bem ruinzinhos e apelativos, falta ali uma certa envergadura moral.

  2. Henrique Milen disse:

    O Rafael ali disse bem. Não dá pra atacar o produtor que quer adivinhar o gosto do público E o diretor que não tá nem aí pro público — ao mesmo tempo…

    Tem que focar o ódio pra ser levado a sério. :-)

    A questão que realmente importa é: onde foram parar as mulheres peladas do cinema nacional?

    “Matou a Família e Foi ao Cinema” foi a última chanchada nacional.

  3. Fausto disse:

    Nooooosssssa…acho que minha cabeça virou “pinico”…a gente ouve tanta merda dispensável, tanta crítica cretina…o Sr. David Carradine acabou de morrer e já estão querendo transformar um assunto (que deveria e merece ser…de Silêncio e Respeito) em GANHOS…
    ÊTA sociedade CAPITALISTA…Olha. A MÍDIA DE UM MODO GERAL É NOJENTA…e muitas coisas ruins que Colhemos é por causa Dela…MÍDIA VENDIDA…

Os comentários do texto estão encerrados.

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