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17/06/2009 - 00:44

Um filme vacinado contra o cinismo

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“Jean Charles”, filme sobre o brasileiro confundido com um terrorista e assassinado pela polícia britânica, que estreia nesta sexta-feira no Brasil, tem um mérito muito raro: é uma obra desprovida de qualquer tipo de cinismo. Ao longo de toda a projeção, fica patente as intenções do diretor Henrique Goldman: não deixar que o caso seja esquecido e homenagear a família de Jean Charles, inclusive por meio da presença de parentes em cena (Patrícia Armani, prima de Jean, interpreta a si mesma).

Isso não significa que o filme seja chapa-branca, que faça um retrato edulcorado do personagem. Ao contrário, Goldman faz questão de mostrar os muitos trambiques armados Jean na luta pela sobrevivência em Londres – e essa humanização do personagem só torna a tragédia do final mais dolorosa (e a interpretação de Selton Mello, mais contida que de hábito, também contribui enormemente).

De resto, o filme tem um desequilíbrio entre duas partes. De um lado, existe uma construção um tanto mecânica do drama, em que a música quase sempre redunda com os sentimentos dos personagens. De outro, há uma observação muito afiada dos costumes dos imigrantes brasileiros no exterior, que rende boas cenas cômicas e de interação entra atores e não-atores. Como a tragédia só surge no final, esses momentos respondem, felizmente, pela maior parte da projeção.

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1 comentário para “Um filme vacinado contra o cinismo”

  1. Marcelo disse:

    Este caso deu a maior pizza inglesa.
    Ninguém foi responsabilizado individualmente por ter dado sete(isso mesmo, sete) tiros na cabeça do garoto.
    Não tem nem que dizer mais nada né?

Os comentários do texto estão encerrados.

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