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Arquivo de julho, 2009

15/07/2009 - 22:28

Novo “Harry Potter” é uma ponte entre episódios

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A série “Harry Potter” é uma história sobre o rito de passagem da infância para a adolescência de seu protagonista. Nesse aspecto, ela é parecida com centenas de outras histórias da literatura. Mas é também uma obra sobre a formação de Harry como um aprendiz de magia em Hogwarts. Nisso, ela é única.

O grande erro de “Harry Potter e o Enigma do Príncipe”, o novo filme da série, que estreia agora no Brasil, me parece ser investir muito mais naquilo que a torna comum do que naquilo em que é inigualável. Ou seja, a produção aposta mais nos pequenos dramas juvenis de Harry e seus amigos, especialmente seus desencontros amorosos, do que no universo fantástico criado por J.K. Rowling.

Não que seja um mau filme. Longe disso. A direção de David Yates é digna e os atores parecem cada vez mais confortáveis em seus papeis. Mas os acontecimentos realmente importantes da trama – como a morte de um personagem essencial – são tocados de maneira um tanto burocrática, quase anticlimática. Não é o pior da série, mas não funciona muito como um trabalho autônomo. “O Enigma do Príncipe” deixa a sensação de ser um filme de ligação entre episódios mais importantes. Em resumo, é uma ponte. Sólida, mas sem muita graça.

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14/07/2009 - 23:08

Camelôs vendem o “Tropa de Elite” paulista

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Já pode ser encontrado nos bons camelôs do ramo em São Paulo o DVD de “Rota Comando”, candidato a se tornar o “Tropa de Elite” paulistano. Baseado no livro “Matar ou Morrer”, de Conte Lopes, capitão da PM e deputado estadual, o filme foi lançado diretamente na semana passada em DVD, que pode ser comprado site oficial da produção. Mas as cópias piratas logo começaram a pipocar em várias barraquinhas da cidade, como comprovei em um passeio pelo centro.

O diretor Elias Junior garante que o filme foi planejado antes de “Tropa de Elite”. Mas há semelhanças evidentes entre os dois. “Rota Comando” é focado na atuação da chamada elite policial paulistana, as Rotas Ostensivas Tobias Aguiar, e em seu comandante linha dura, personagem inspirado em Lopes. O novo filme também parece adotar o ponto de vista da polícia, a julgar pela sinopse: “Inspirado em fatos reais, o filme enfatiza as principais ocorrências da ROTA, através da história de três criminosos que se deram mal por espalharem o medo em São Paulo.” Mas há uma grande diferença financeira entre as duas produções: “Tropa” custou mais de R$ 10 milhões, “Rota” saiu por R$ 500 mil.

O trailer pode ser visto abaixo. Ainda não inventaram a profissão de crítico de trailer, mas eu me arriscaria a dizer que esse preview parece uma refilmagem de “Tropa de Elite” feita pela turma do Hermes & Renato.

Outra curiosidade sobre o filme é que a música-tema foi feita por Paulo Ricardo, com participação de Andreas Kisser, do Sepultura. Muita gente achava que Ricardo havia atingido o ponto mais baixo de sua carreira no “Big Brother”. O clipe abaixo tem potencial para reacender esse debate.

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14/07/2009 - 00:44

Primeiras impressões sobre “Brüno”

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Nesta segunda-feira, houve a primeira sessão para a imprensa de “Brüno”, o novo filme de Sacha Baron Cohen, o homem que cometeu “Borat”. Como fã do comediante britânico desde a época do “Da Ali G Show” na TV, era um dos filmes mais aguardados do ano para mim (a estreia está marcada para 31 de julho). Aqui vão minhas primeiras impressões:

1) Perto de “Brüno”, “Borat” era um conto da carochinha. O novo filme é muito mais ultrajante que o anterior, com mais piadas escatológicas e mais afrontas politicamente incorretas. Em vários momentos, Baron Cohen fica a um passo de apanhar, o que não seria totalmente injustificado.

2) A base do filme é a mesma de “Borat”: filmar pessoas que acreditam estar contracenando com uma figura real, não com um personagem. O truque é velho: a pegadinha de TV. Por um lado, Baron Cohen elevou-a a uma forma de arte. Por outro, começa a virar fórmula.

3) Ri-se muito em “Brüno”, talvez mais até do que em “Borat”. Mas são quase sempre risadas amargas, por conta do ridículo a que o ator submete as pessoas que filma. Eu, pelo menos, rio quase sempre com culpa.

4) Toda questão ética de “Brüno” vem dessa relação dúbia entre Baron Cohen e as pessoas filmadas. Quanto ao público, é difícil que alguém se sinta realmente ofendido com as piadas, porque a caricatura (dos gays, principalmente) é extremada demais para ser levada a sério.

5) Há interações entre Baron Cohen e algumas pessoas que são claramente encenadas – como na cena em que ele apanha de uma prostituta sádica. Isso fica bem mais óbvio que em “Borat”, e essas cenas enfraquecem o conjunto.

6) O filme tem quase uma dezena de cenas de puro gênio cômico. Quantos outros comediantes podem se gabar disso?

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11/07/2009 - 21:33

O método Andrew Sarris de revisão crítica

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Depois de mais de duas décadas escrevendo para o semanário “The New York Observer”, Andrew Sarris, 81 anos, um dos mais importantes críticos de cinema norte-americanos, foi vítima de uma demissão “branda” – em mais um capítulo da crise da crítica na imprensa escrita dos Estados Unidos.

Em regime de contenção de despesas, o jornal ofereceu uma redução de trabalho e salário para Sarris, que não aceitou. Agora, ele escreverá ocasionalmente para a revista “Film Comment”, em uma espécie de semi-aposentadora, como informa o jornal “The New York Times”.

Antes de entrar para o “The New York Observer”, Sarris foi crítico do “Village Voice” nos anos 60 e 70. Ali se tornou o principal importador americano da teoria francesa do autor – que, grossíssimo modo, defende a ideia de que o diretor é tão responsável por um filme quanto um escritor por seu livro.

Sua defesa apaixonada dessa tese o levou a conflitos homéricos e históricos com outra grande crítica americana do período, Pauline Kael, da revista “The New Yorker”. “Nós eramos gloriosamente bélicos, todo mundo falava mal de todo mundo. Dissemos muitas coisas estúpidas, mas o cinema parecia importar tanto. A urgência era inevitável”, diz hoje Sarris.

Embora eu não fosse grande admirador do trabalho de Sarris nos últimos anos, reconheço que ele teve seus momentos. Um dos melhores foi uma honesta e enfumaçada revisão de sua opinião sobre “2001 – Uma Odisseia no Espaço”, que ele desprezava, como a maior parte da obra de Stanley Kubrick:

“Eu devo declarar que recentemente revi ‘2001’ sob a influência de uma substância que fumei – e que meu contato garantiu ser mais forte e mais autêntico que orégano (confesso que costumo viajar mais com licor de cassis, mas chega de conflitos geracionais). De qualquer forma, eu me preparei para ver ‘2001’ nas condições que sempre me garantiram serem as ideais e surpreendentemente tive que rever minha opinião original. ‘2001’ é realmente uma grande obra de um grande artista.”

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10/07/2009 - 16:41

“17 Outra Vez” é o triunfo da previsibilidade

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Você está com fome em um lugar estranho. Já não agüenta mais sabores exóticos. Não quer tentar traduzir mais um cardápio. Então avista o logo de uma rede de fast food conhecida, engole o orgulho e cai de boca. No cinema, muitas vezes é igual. As pessoa precisam do conforto de um gosto facilmente reconhecível. É isso que explica a produção e o sucesso de filmes como “17 Outra Vez”.

A base de sustentação do filme é a previsibilidade. E a fórmula que ele segue é a dos filmes em que um personagem volta ou avança no tempo por causa de um incidente fantástico e a partir daí passa a reavaliar sua existência. Você já viu isso em “Quero Ser Grande”, “De Repente 30” e outras dezenas de filmes.

“17 Outra Vez” não faz questão nenhuma de acrescentar dados novos a essa fórmula. Na trama, Mike (Zac Effron), um jovem astro do basquete, abandona o jogo de sua vida para ir atrás da namorada que anunciou estar grávida. Corta para muitos anos mais tarde. Mike, agora vendedor fracassado e pai ausente de dois filhos adolescentes, separa-se de sua antiga namoradinha de colégio, porque esta não suporta o ressentimento que ele sente por ter desistido do futuro como jogador. Então, por mágica, Mike volta a ter 17 anos, retorna ao velho colégio (onde passa a conviver com os filhos) e tem a chance de mudar seu destino.

Com cinco minutos de projeção, qualquer espectador com um pouco de milhagem sabe como tudo termina. E não é apenas a história que se repete, mas a moral também. O objetivo é sempre reforçar o valor da família contra a ambição de glória – desde que Frank Capra fez “A Felicidade Não se Compra” (1946), o modelo original desses filmes e ainda o melhor.

Então “17 Outra Vez” não traz absolutamente nada de novo? Apenas o rosto de seus atores: Zac Effron e Matthew Perry. Um marketing esperto da produção, para apelar simultaneamente às gerações de “High School Musical” e “Friends”. É como se eles fossem os dois novos molhos lançados para acompanhar o velho sanduíche.

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08/07/2009 - 00:45

“Som & Fúria” é sobre política, não sobre arte

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É arriscado, talvez injusto, analisar uma minissérie pelo seu capítulo de estreia. Mas o primeiro dos 12 episódios de “Som & Fúria”, dirigida por Fernando Meirelles e exibida pela Globo, me pareceu em essência um ataque direto à cultura “oficial” brasileira; ou seja, aquela patrocinada pelo Estado e empresas via leis de incentivo fiscal.

De forma não muito sutil, a trupe que protagoniza a minissérie foi batizada de Companhia de Teatro do Estado. As situações do primeiro episódio fazem piada com o que seriam as figuras emblemáticas da cultura “oficial”: o diretor artístico vendido ao sistema (Pedro Paulo Rangel), o diretor financeiro que só quer saber de patrocínio (Dan Stulbach), a funcionária da secretaria de Cultura que só pensa no mercado (Regina Casé), o patrocinador que não entende a peça o que está apoiando e assim por diante. Em contraposição, surge o diretor teatral preocupado apenas com a arte (Felipe Camargo).

O primeiro capítulo deixou a sensação de ser muito mais sobre política do que sobre arte, de estar mais interessado na Rouanet do que em Shakespeare. Nesse sentido, será ingênuo lembrar que os co-produtores da minissérie – O2 e Globo – são beneficiários da cultura “oficial” que a minissérie ironiza?

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06/07/2009 - 22:07

Bando de loucos não gosta de cinema

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O sucesso recente do Corinthians nos campos de futebol não foi transferido aos cinemas. O documentário “Fiel” foi lançado em abril passado com o objetivo de superar o público de 250 mil espectadores de “Pelé Eterno”, mas estacionou em pouco mais de 50 mil espectadores. É um bom número na atual realidade do cinema brasileiro, mas também é um quinto do esperado.

Nada se compara, porém, à surpresa negativa do novo documentário sobre o time, “23 Anos em 7 Segundos”. Em 10 dias de exibição, o filme teve apenas 982 espectadores, segundo o site FilmeB. Se 1 em cada 30 torcedores que viram o Corinthians ganhar do Inter na Copa do Brasil com ingressos a R$ 30 se dispusesse a pagar R$ 10 para ver o documentário, o público já seria maior.

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06/07/2009 - 00:50

O ataque da Robô-gueixa

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Gueixas-robô matam seus inimigos com bocas-serra elétrica, seios-metralhadora e bundas-espada. Elas também viram mulheres-tanque, ao estilo “Transformers”, e usam tempurás de camarão para cegar os vilões. É o trailer de “RoboGeisha”, do japonês Noboru Iguchi. Coisa de gênio. Deveria estar na lista dos melhores trailers da história, que postei aí abaixo. Desde já, é o meu filme mais aguardado do ano.

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02/07/2009 - 22:47

A hora e a vez das globochanchadas

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Finalmente alguém achou um bom termo para definir a leva de comédias produzida pela Globo Filmes: globochanchada. O nome foi dado pelo diretor Guilherme de Almeida Prado (“A Dama do Cine Shangai”, “Onde Andará Dulce Veiga?”) e divulgado pelo crítico Inácio Araujo no blog Cinema de Boca em Boca (que anda acertando o alvo cada vez mais).

Escreve Inácio: “Ele (Guilherme) faz questão de dizer que não existe nada de pejorativo nele. Estaria dentro de uma linhagem de comédias que marcaram a produção brasileira: a chanchada, nos anos 1950, e a pornochanchada, nos 70. Na opinião de Guilherme, esse tipo de filme (despreocupado com questões ‘graves’, sem grande pretensão a ‘cinema de qualidade’, puxado por atores conhecidos, com estética lembrando, nem que vagamente, a TV ou o cinema publicitário – ao menos é assim que eu traduzo a expressão) pode ser ‘o chão’ a partir de onde criar. Uma certeza no horizonte.”

Tanto o nome quanto a tese de Guilherme são interessantes. Já é um ponto de partida promissor ele não considerar essas comédias automaticamente daninhas para o cinema nacional. Também é elogiável o fato de ele conseguir localizá-las dentro de uma tradição cinematográfica brasileira, não apenas como o produto de marketing de uma empresa.

Mas há uma grande diferença entre as globochanchadas e os outros dois momentos chanchadescos da nossa cinematografia. Para Inácio, elas são conformistas. Eu usaria um outro termo: inofensivas. Chanchadas e pornochanchadas podiam até ser moralistas, mas a avacalhação das primeiras e a sacanagem das segundas as afastavam da ideia um divertimento de bom gosto. Já as globochanchadas fazem humor sem ofender um único espectador. Ninguém há de se sentir agredido pelos estereótipos de gays encarnados por Tony Ramos em “Se eu Fosse Você 1 e 2”. Ou pelo tratamento da mulher como objeto em “Mulher Invisível”.

A principal marca das globochanchadas talvez não seja estética (televisiva ou publicitária), e sim sanitária: trata-se de limpar a comédia de sujeiras inconvenientes. É uma atividade suspeita, mas ninguém poderá dizer que malsucedida.

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01/07/2009 - 22:12

A vida imita um videogame

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Não sei se foi a aura de bom moço de Kaká. Ou se foi o alvíssimo uniforme. Ou ainda o marketing competente do Real Madrid. Mas há algo de muito estranho nas imagens da apresentação do jogador brasileira ao clube espanhol ontem. Difícil encontrar o adjetivo certo para defini-las: artificiais, hiper-realistas, higienizadas, imaculadas… Em resumo, elas não parecem de um jogador da vida real, e sim do Fifa Soccer. É uma imagem nova do futebol, que não se parece em nada com a do imaginário da minha infância. A vida já imitou a arte, agora o futebol imita um videogame.

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