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Arquivo de agosto, 2009

28/08/2009 - 15:54

Vou ali e volto já

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Caros leitores, darei uma merecida folga a vocês neste blog para tirar duas semanas de férias. Volto no dia 14 de setembro. Um abraço e até já.

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27/08/2009 - 23:02

“Os Normais 2” é ponto baixo da globochanchada

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Repare bem no subtítulo de “Os Normais 2”: “A Noite Mais Maluca de Todas”. O que ele lembra? Aquelas chamadas da Globo para comédias juvenis americanas: “uma galerinha muito louca fazendo muita confusão” e assim por diante. Pois é exatamente essa a principal influência de novo filme da franquia, lançado seis anos depois do fim da série de TV e do primeiro longa.

O programa original era um afilhado de “TV Pirata” e outros programas que renovaram o humor televisivo brasileiro. Já este segundo filme está mais próximo de filmes americanos como “American Pie” ou “Cara, Cadê Meu Carro?”.

A estratégia é a mesma: enfileiram-se situações sexuais supostamente ousadas, algumas piadas politicamente incorretas, outras escatológicas, para no final se chegar a um final apaziguador, convencional. Por baixo da casca libertária do filme, bate um coração moralista.

Não deixam de ser dois lados da mesma moeda: a chanchada americana e a globochanchada. E não há nada de errado nesse parentesco. O problema é que os brasileiros parecem ter perdido o know how para fazer esse tipo de humor no cinema, enquanto os americanos têm evoluído nesse campo (vide a obra de Judd Apatow e dos irmãs Farrely).

Até os atores –Luiz Fernando Guimarães e Fernanda Torres, geralmente ótimos – parecem um pouco enferrujados nesse filme, sem a química da série original, sem a disposição e a disciplina necessárias para as provocações gratuitas e trocadilhos fáceis do filme. Até a comédia mais barata exige foco e energia.

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25/08/2009 - 22:40

Nós vamos ter que engolir o Dado

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A melhor análise da vitória de Dado Dolabella em “A Fazenda” – feita, aliás, antecipadamente – apareceu no blog do jornalista Pedro Alexandre Sanches. Ele argumenta que a vitória de Dado, assim como as de outros ganhadores de reality shows brasileiros, – resulta do processo de vitimização que o concorrente sofreu e que ela foi construída, na verdade, por seus inimigos.

“É o enredinho básico de todos os shows de realidade. Logo de cara a turma detecta o potencial vencedor de um determinado candidato, e toma como meta principal derrubá-lo. Por isso, passa a persegui-lo, constante e obsessivamente. E exatamente por isso, e em geral na condição autoconstruída de ‘vítima’, o ‘pobre’ consolida um percurso (sofrido, mas) ‘vitorioso’ e, bumba!, fatura o milhão.”

Até aí, tudo bem. Não chega a ser um argumento novo, embora seja difícil derrubá-lo. A novidade no pensamento de Pedro é mostrar como esse mesmo raciocínio pode ser estendido a outras figuras célebres da vida pública brasileira, como Lula, Roberto Carlos ou Edir Macedo. Ou seja, a popularidade dessas pessoas se explica em boa parte pela perseguição que elas sofreram (se ela é justa ou não é uma outra questão).

Eu só acrescentaria o seguinte: o raciocínio só funciona se for levado em conta mais um dado (sem trocadilho) imponderável. A “vítima” só se torna vencedora se ela vem com um componente extra: carisma. Dado não era meu candidato preferido, não conta com minha simpatia pessoal, não tem minha aprovação por suas atitudes antes da entrada na casa e, pelo pouco que pude ver de seu trabalho, ele é mau ator e péssimo cantor. “A Fazenda” foi o melhor papel de Dado justamente porque ele não precisou atuar.

Mas, gostemos ou não, ele tem essa coisa indefinível chamada carisma – o que Lula, Roberto Carlos e Edir Macedo, para usar os mesmo exemplos citados por Pedro, também têm, guardadas as devidas proporções, campos de atuação e implicações políticas.

Se Dado fosse vítima e não tivesse carisma, não teria ganho. Vide o caso de Dani Carlos. Se tivesse carisma e não fosse vítima, também não. Vide Carlinhos. É duro reconhecer, mas Dado ganhou não apenas porque ninguém gostou muito dele na casa – mas porque a câmera gostou. Às vezes isso é o essencial.

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24/08/2009 - 23:03

“Avatar”: do hype ao flop em um dia

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A promessa de James Cameron é de uma revolução no cinema com “Avatar”. O marketing bota tanta fé no filme que criou um “Avatar Day”. Alguns jornalistas estrangeiros dizem que não há palavras para descrever o impacto dos poucos trechos que já assistiram…

O problema de criar tanto expectativa é que o resultado nunca fique à altuar. De maior hype da temporada, “Avatar” pode se tornar o maior flop. E o primeiro sinal disso veio com a divulgação do trailer do filme. Interssante, não exatamente novo, certamente não revolucionário:

As reações dos fãs na internet foram, grosso modo, bem negativas. O blog Hollywood Elsewhere reuniu algumas delas:

“Os caras azuis me lembram os Thundercats”; “parece uma cena tirada de um videogame”; “parece com a arte de 100 capas de livros de ficção científica coladas umas às outras”; “parte das imagens é bem cafona”; “não tem aquela ideia de ‘algo que você nunca viu antes’ que eu estava esperando”; ” ‘O Abismo’ encontra ‘O Retorno do Jedi”, que encontra a trilogia do ‘Senhor dos Aneis’ “.

Três coisas devem ser levadas em conta nessa hora: 1) O filme será em 3-D, portanto parte do barato se perde na internet. O problema: quem viu o preview de 15 minutos no cinema saiu com uma impressão melhor, mas ninguém confirmou a propaganda de uma revolução que vai acabar com o cinema como o conhecemos. 2) Este é só um pequeno trailer. Mas os trailers supostamente devem aumentar nosso interesse por um filme, e não matá-lo. 3) Quando “Titanic”, último filme de ficção de Cameron, começou a estourar seu orçamento e cronograma, quase todos previram um naufrágio do filme. Mas ele se tornou a maior bilheteria da história e o maior vencedor do Oscar. Será que Cameron vai conseguir virar o jogo novamente?

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23/08/2009 - 10:37

Deborah Secco e o fogo amigo

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Na entrevista que Deborah Secco deu para a “Folha de S. Paulo” deste domingo, anunciando que vai viver a ex-garota de programa Bruna Surfistinha no cinema, chamou atenção o tom veladamente crítico que ela adotou para falar de seus trabalhos na Globo Filmes:

“Eu queria que, quando fizesse um filme com uma grande distribuição, uma grande visibilidade – diferente dos que já fiz, que foram totalmente globais, como ‘Casseta & Planeta’, ‘Xuxa’ e tal -, fosse com uma oportunidade de interpretação”.

“Acho que sim [que é sua estreia no cinema]. Eu já fiz filmes como ‘A Cartomante’, que não teve uma grande distribuição, e esses filmes muito globais. Queria trabalhar com uma galera que ama o cinema. Quero aprender com eles. Eu aqui sou estreante”.

Em uma intepretação maliciosa (mas não muito), dá para concluir o seguinte:

1) Os filmes da Globo não lhe deram muita oportunidade de interpretação.

2) Os filmes da Globo não contam como cinema, já que ela considera o papel de Bruna Surfistinha sua estreia na tela grande.

3) A galera da Globo não ama muito o cinema, nem tem muito a ensinar.

Eu já desconfiava de tudo isso, mas não há nada como ver nossos próprios preconceitos confirmados por alguém das internas… Brincadeira. Há filmes e filmes da Globo.

Trata-se de um caso clássico de fogo amigo. Afinal, é uma atriz essencialmente “global” falando de filmes “globais”. Bastou um papel no cinema “independente” para ela se voltar contra o “sistema”.

Com amigos como Deborah, a Globo Filmes não precisa de críticos.

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19/08/2009 - 22:56

Os filmes preferidos dos astronautas

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“Houston, nós temos um problema… O DVD de ‘Penetras Bons de Bico’ está travando de novo, bem na parte com o Will Ferrell”. Assim começa uma nota do blog de cinema do jornal “The Guardian” sobre a lista dos 150 filmes preferidos dos astronautas da Nasa.

A agência espacial norte-americana revelou recentemente uma relação dos produtos culturais – entre filmes, programas de TV, músicas e livros – à disposição dos astronautas que ficam meses a fio confinados na sua Estação Espacial Internacional.

A absoluta maioria dos filmes é composta por blockbusters americanos, incluindo algumas escolhas curiosas – como “Apollo 13”, sobre uma missão real que quase acabou em tragédia, e “Armageddon”, sobre uma missão suicida ficcional. Entre os filmes sobre o universo espacial, há ainda “2010” (mas não o bem superior “2001” de Kubrick), “Star Wars”, “Contato” e “Os Eleitos” (na parte musical, outras “sacadas”, como “Fly me to the Moon”, de Sinatra, e “Walking on the Moon”, do Police). E mais “Top Gun”, “Falcão Negro em Perigo”, “Titanic”, “Harry e Sally” e as séries “X-Men”, “Matrix”, “Indiana Jones” e “Senhor dos Anéis”…

O pessoal do site inglês Shooting People não gostou do fato de a lista ser dominada por Hollywood e pediu a seus leitores novas sugestões. Pintaram algumas coisas boas, como o “Solaris” de Tarkóvski e “O Terceiro Homem” de Carol Reed (porque a vista do espaço daria novo significado à famosa fala do personagem de Orson Welles, observando as pessoas do alto de um elevador: “Olhe lá embaixo e me diga: você realmente sentiria pena se algum daqueles pontos parasse de se mexer?”)

O diretor do site enviou as sugestões dos leitores à Nasa argumentando que filmes da lista da agência, como “Clube dos Pilantras”, “Doze é Demais” e “Um Tira da Pesada”, poderiam prejudicar as faculdades mentais dos astronautas e colocar suas vidas em risco no espaço. E o mais incrível é que a Nasa respondeu agradecendo o interesse, mas ressaltando que a relação havia sido elaborada pelos própris astronautas, não pela agência.

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18/08/2009 - 22:26

É o fim das trilhas sonoras?

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As trilhas sonoras de filmes se tornaram uma das maiores vítimas da crise da indústria fonográfica e do download de músicas, mostra uma reportagem do site The Wrap.

Alguns números compilados pela matéria: foram vendidas apenas 115 mil cópias da trilha de “Transformers 2”, apesar do sucesso do filme e de uma música inédita do Linkin Park. O novo “Star Trek”? 43 mil cópias. “Harry Potter e o Enigma do Príncipe”? 28 mil. “A Era do Gelo 3”? Menos de mil cópias.

Por conta dos números insignificantes, alguns estúdios simplesmente estão desistindo de lançar trilhas de alguns filmes, casos de “Bruno” e de “Obsessed” (apesar de este último ser estrelado por Beyoncé Knowles).

Claro, ainda há alguns sucessos pontuais, como a trilha de “Crepúsculo”, que teve 2,2 milhões de cópias vendidas, ou a de “Quem Quer Ser um Milionário”, que chegou ao segundo lugar da parada Billboard. Mas nada que se compare a sucessos do passado, como a trilha de “O Guarda-Costas”, com 17 milhões de cópias vendidas, ou de “Titanic”, com 11 milhões.

Outro site, o Idolator, questiona a reportagem do The Wrap, dizendo que não faz muito sentido comparar os números de “Transformers” como de “Titanic”.

Mas a questão não é apenas numérica. Existe um problema mais grave, de perda de relevância cultural. No passado, a vida parecia impossível sem a trilha sonora, por exemplo, de “Trainspotting”, de “Pulp Fiction” ou “As Virgens Suicidas”. Não poderia dizer o mesmo sobre nenhum filme dos últimos três, quatro anos.

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16/08/2009 - 19:41

“Bruno” censurado?

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O crítico de cinema Marcelo Janot chama atenção em seu Cult blog para um fato grave: duas cenas foram cortadas de “Bruno” na versão que estreou no Brasil. Pelo que entendi, as sequências excluídas foram aquela em que Bruno transa com seu namorado usando uma engenhoca sexual e a que mostra o protagonista balançando sua genitália desnuda.

Essas duas cenas, que somam cerca de 1 minuto, estavam na versão exibida para a imprensa brasileira pela primeira vez, há cerca de um mês. Mas não estão na versão que estreou nos cinemas. O que faz Janot perguntar: “Será que mostraram uma versão para a imprensa e lançaram outra, censurada? Se for verdade, é um escândalo”.

Na verdade, a Sony, distribuidora brasileira, convocou uma segunda sessão para a imprensa, pelo menos aqui em São Paulo, com o seguinte comunicado: “A pedido do ator Sacha Baron Cohen, os brasileiros verão uma versão diferente do filme ‘Bruno’. A versão será a mesma que estreou na Austrália, que é um pouco diferente com pequenas modificações nos rolos 1 e 5”.

Isso alivia a barra da distribuidora? Não. Porque o comunicado deveria deixar claro quais foram as cenas excluídas e qual a verdadeira razão para os cortes. Difícil acreditar que Cohen tenha pedido para cortar duas cenas do próprio filme especificamente no Brasil e na Austrália. Mais provável que tenha sido uma tentativa de se ajustar à censura por faixa etária.

É bom lembrar que o recém-lançado “Halloween – O Início” teve 26 minutos coratdos aqui no Brasil para se adequar à censura etária e que a distribuidora PlayArte não avisou a imprensa, nem o público.

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14/08/2009 - 22:01

Eclipse total do coração, versão literal

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A dica é do amigo Leonardo Mecchi, crítico de cinema, que diz que é uma das coisas mais engraçadas que ele já viu na internet. Só posso concordar. Eu chorei de rir, e não porque estou com conjuntivite. É a versão literal de “Total Eclipse of the Heart”, clássico dos bailinhos oitentistas cometido por Bonnie Tyler. Essa versão deixa claro como o clipe é uma das peças mais absurdas da história do audiovisual, algo que passou totalmente despercebido para mim na época. Não ria, se for capaz.

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13/08/2009 - 19:29

Entrevistando Glória Perez

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Os jornalistas que se revezam entre a reportagem e a crítica acabam enfrentando várias saias justas ao longo da carreira. Como, por exemplo, entrevistar pessoas cujo trabalho havia criticado anteriormente. O problema não é tanto como os outros reagem (quase todos se comportam de maneira elegante, muitos nem ficam sabendo das críticas), mas sim como você se sente antes, durante e depois do encontro.

Eu me deparei mais uma vez com essa situação ao entrevistar Glória Perez, autora de “Caminho das Índias”, para as Páginas Negras da revista “Trip” deste mês. Já escrevi algumas vezes sobre o trabalho de Glória neste blog, com um misto de admiração, ironia e perplexidade diante da imaginação febril da autora. Mas não sabia muito o que esperar de um encontro ao vivo.

Bom, o resultado você já pode ver no site da revista. Glória falou com uma franqueza bastante impressionante sobre temas bastante difíceis, como a luta contra um linfoma e o assassinato da filha Daniella Perez (numa declaração que vem circulando em jornais e revistas, ela conta que uma facção criminosa se ofereceu para matar os assassinos de Daniella se Glória dissesse uma palavra específica em qualquer entrevista para a TV).

Para um blog de cinema e televisão como este, talvez interesse mais sua defesa de seu estilo como novelista: “A vida das pessoas implica essa fantasia, os sonhos, os devaneios. Por isso elas se reconhecem no fantasioso. E o fantasioso, na novela, é uma forma de mostrar o real. A imaginação é uma característica do folhetim. Acho engraçado quando algumas pessoas, até com ar acadêmico, acusam minhas novelas de ter muito gancho, muita imaginação. Mas folhetim é isso. Você dizer que uma novela peca por ter muito rocambole é como condenar o soneto por ter rima. Você lê o Balzac, tem aquela descrição psicológica divina, mas daí a mocinha é raptada pelo pirata. Você acha que ele fazia por quê? Porque tinha que vender o jornal no dia seguinte. E eu tenho que vender o capítulo do dia seguinte. O folhetim exige por definição que o sensacional se sobreponha à coerência.”

Ao final do encontro com Glória, aconteceu algo imprevisto: comecei não só a gostar dela, como a entender melhor – e a gostar mais de – seu trabalho. Como acontece frequentemente nesses casos, o pessoal e o profissional começaram a se confundir. Portanto, não acredite muito no que eu escrever sobre “Caminho das Índias” daqui em diante. Já não sou mais imparcial. De qualquer forma, a novela nunca me pareceu tão boa e fez tanto sentido quanto agora.

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