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Arquivo de agosto, 2009

12/08/2009 - 20:38

“À Deriva” é um caso de plágio?

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Na música, existe uma regra meio simples, embora discutível, para definir um plágio: se um certo número de notas sequenciais de uma música são iguais a de outra, está confirmado o “roubo”. No cinema, é um pouco mais complicado definir o que é plágio, o que é homenagem, o que é influência.

Portanto, talvez sejam um pouco afoitas as acusações de plágio contra Heitor Dhalia, que teria chupado muitas coisas do filme neozelandês “Chuva de Verão” para usar em seu “À Deriva”. As semelhanças entre os dois filmes começaram a ser notadas há algum tempo pelos comentaristas de blogs, que atacaram o cineasta com o tom raivoso que infelizmente se tornou praxe nesse ambiente.

Hoje, a Ilustrada deu uma reportagem bastante sóbria e equilibrada sobre o assunto, com um comentário igualmente sensato de Inácio Araujo a respeito. Por um lado, existem realmente muitas, por vezes vexaminosas, semelhanças entre os dois filmes – eu fiquei particularmente impressionado com o detalhe do figurino da protagonista. Por outro, a palavra plágio talvez feche a questão de maneira definitiva demais.

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11/08/2009 - 22:21

Cinema brasileiro: muito trabalho para pouco retorno?

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Deu no FilmeB, principal site sobre o mercado cinematográfico brasileiro: a Europa Filmes, uma das principais distribuidoras do país, anunciou que não vai mais co-produzir filmes brasileiros. A explicação de Wilson Feitosa, diretor geral da distribuidora, foi curta e grossa. “Os filmes brasileiros dão o triplo de trabalho e muito pouco retorno e reconhecimento. Praticamente paralisamos nossos esforços com outros filmes para nos dedicarmos às produções nacionais, que, com pouquíssimas exceções, acabam dando prejuízo – e, por isso, não serão mais prioridade para a empresa”.

No mesmo boletim do site, havia a notícia de que a Europa acaba de ganhar R$ 1,5 milhão do Fundo Setorial de Cinema para usar em três filmes brasileiros. Esses projetos devem continuar, segundo Feitoda. “Vamos honrar os contratos que firmamos até agora, mas a Europa Filmes não deverá mais se associar a novos projetos, a não ser que apareça algo realmente interessante e comercialmente viável.”

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09/08/2009 - 21:30

Se David Lynch dirigisse “Dirty Dancing”

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Eu achava que o melhor trailer “recut” da internet era “O Iluminado” reeditado como uma comédia romântica. Até descobrir hoje como seria “Dirty Dancing” se fosse dirigido por David Lynch. Brilhante.

Dica de Fernando Veríssimo.

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08/08/2009 - 23:25

Onde foram parar os heróis de John Hughes

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Um dos muitos méritos de John Hughes foi revelar uma geração de jovens atores. Muitos deles estão por aí, fazendo sucesso até hoje, como Matthew Broderick, Emilio Estevez, Charlie Sheen e John Cusack. Mas vários outros estão voando abaixo do radar ou sumiram completamente. Aí vão os destinos (e a cara atual) de sete deles:


Molly Ringwald

Filmes com Hughes: “Gatinhas e Gatões”, “Clube dos Cinco”, “A Garota do Rosa Shocking”

Onde foi parar: na série de TV “The Secret Life of the American Teenager”; deu à luz gêmeos em julho de 2009



Judd Nelson

Filme com Hughes: “Clube dos Cinco”

Onde foi parar: participações especiais nas séries “CSI” e “Las Vegas”; dá voz a um personagem do desenho “Transformers Animated”


Ally Sheedy

Filme com Hughes: “Clube dos Cinco”

Onde foi parar: na peça off-Broadway “Hedwig and the Angry Inch” e na série de TV “Kyle XY”

Mia Sara

Filme com Hughes: “Curtindo a Vida Adoidado”

Onde foi parar: a namorada de Ferris Buller fez participações especiais em “CSI: NY” e “Chicago Hope”


Alan Ruck

Filme com Hughes: “Curtindo a Vida Adoidado”

Onde foi parar: o melhor amigo de Ferris Buller tem um papel na comédia “I Love You, Beth Cooper”


Michael Schoeffling

Filme com Hughes: “Gatinhas e Gatões”

Onde foi parar: ele se aposentou como ator e aparentemente está trabalhando com carpinteiro na Pennsylvania.



Gedde Watanabe

Filme com Hughes: “Gatinhas e Gatões”

Onde foi parar: interpretou um enfermeiro gay em “Plantão Médico” e deu voz a diversos personagens japoneses de “Os Simpsons”, embora não fale japonês

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06/08/2009 - 19:42

John Hughes era o Antonioni da comédia juvenil

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Em 2007, Ingmar Bergman morreu num dia, Michelangelo Antonioni no seguinte. Lembrei disso ao ler que o cineasta norte-americano John Hughes morreu hoje, um dia depois do roteirista Budd Schulberg (post abaixo). Agora você deve estar pensando: que blasfêmia comparar Hughes com aqueles dois titãs do cinema. Mas a real é que ele foi um Antonioni da comédia juvenil, o diretor que transformou as angústias existenciais da adolescência em entretenimento de primeira.

Ele criou alguns dos filmes essenciais do gênero: “Clube dos Cinco”, “Gatinhas e Gatões” e sobretudo a obra-prima “Curtindo a Vida Adoidado” – até hoje homenageados e imitados à exaustão, embora pouco reconhecidos, talvez pela alta quilometragem na “Sessão da Tarde”. Hughes fez outros filmes bastante dignos, ainda que não na mesma altura, como “Mulher Nota 1.000”, “Gatinhas e Gatões” e “Antes Só do que Mal Acompanhado”.

Curiosamente, o declínio de Hughes começa com seu maior sucesso. Ele foi roteirista e produtor da série infantil “Esqueceram de Mim”. Mas o humor era um tanto primário se comparado a seus filmes juvenis, e o diretor Chris Columbus não era uma Brastemp.

Recentemente, Hughes fez o roteiro de filmes como “Encontro de Amor”, com Jennifer Lopez, e “Meu Nome é Taylor, Drillbit Taylor”, produzido por Judd Apatow. O fato de este ter sido um dos últimos trabalhos de Hughes tem um sentido de passagem de bastão, porque Apatow é o grande herdeiro de Hughes como mestre da comédia juvenil.

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06/08/2009 - 08:28

Adeus a Budd Schulberg, gigante do cinema

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Budd Schulberg escreveu um dos melhores roteiros da história (“Sindicato dos Ladrões”) e um dos mais brilhantes livros sobre os bastidores Hollywood já feitos (“O que Faz Sammy Correr”). Esses dois trabalhos bastam para garantir seu lugar no panteão dos grandes do cinema.

O escritor norte-americano morreu ontem, aos 95 anos, em Long Island. Filho de um produtor de Hollywood, ele escreveu também o roteiro de “Um Rosto na Multidão” e o romance “The Harder They Fall”, entre outras obras.

Mas seu trabalho mais lembrado é mesmo “Sindicato dos Ladrões” (1954), pelo qual ganhou o Oscar de melhor roteiro. Com sua história sobre um ex-boxeador (Marlon Brando, naquela que é talvez sua melhor interpretação) que se volta contra seu irmão sindicalista, o filme é visto por muitos como um argumento a favor da delação.

Muita gente acha a ideia foi criada pelo diretor Elia Kazan para “justificar” porque ele havia denunciado seus ex-colegas do Partido Comunista ao Congresso americano. Mas foi Schulberg, que teve exatamente a mesma trajetória político de Kazan e teve que conviver depois com a mesma fama de delator, quem criou a história do filme.

Vale a pena dar uma olhada na entrevista em vídeo feita pelo “New York Times” com Schulberg. Ela termina com a resposta à clássica pergunta sobre como ele gostaria de ser lembrado no futuro:

“Como alguém que usou sua habilidade como escritor para dizer as coisas que ele acreditava que deveriam ser ditas sobre a sociedade. E, ao mesmo tempo, alguém que se esforçava para torná-las divertidas, senão ninguém iria ouvir”.

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03/08/2009 - 22:42

Sinais de vida inteligente na crítica online

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Dois posts abaixo, o leitor Renato deu uma bela dica: a série de vídeos/ensaios do crítico Matt Zoller Seitz sobre o cinema de Michael Mann, o diretor de “Inimigos Públicos”, “Miami Vice”, “Fogo Contra Fogo”, “Colateral” e outros belos filmes. Renato destaca o quarto ensaio (que pode ser visto abaixo), sobre o pouco visto “Manhunter” (1986), primeiro filme com o personagem Hannibal Lecter. No geral, a série me pareceu um dos melhores indicadores das potencialidades de uma crítica de cinema feita com os recursos da internet.

Mas, para cada Seitz, existem centenas de críticas em vídeo feitas por amadores e postadas no YouTube que provam que a tecnologia sozinha não resolve o problema. Para comprovar, aí vão algumas das resenhas sobre “Inimigos Públicos”:

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02/08/2009 - 21:03

Filmes infantis atraem o melhor de Hollywood

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Os três trailers mais originais que eu vi recentemente têm algo em comum: são adaptações de livros infantis realizadas por diretores surgidos no cinema independente que fizeram uma transição bem-sucedida para o mainstream hollywoodiano. Dos três, o mais badalado (e originalmente o menos infantil) é “Alice no País das Maravilhas”, de Tim Burton, baseado no clássico de Lewis Carroll:Há ainda a animação “Fantastic Mr. Fox”, de Wes Anderson (“Viagem a Darjeeling”), adaptação da obra de Roald Dahl (o mesmo autor de “A Fantástica Fábrica de Chocolate”):

E, por fim, “Where the Wild Things Are”, de Spike Jonze (“Quero Ser John Malkovich”), baseado em livro de Maurice Sendak:Se não bastassem os desenhos da Pixar, esses trailers vêm confirmar que boa parte da inteligência de Hollywood está concentrada hoje nos filmes infantis . São, desde já, três dos filmes que aguardo com mais expectativa.

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01/08/2009 - 22:48

Sobre cachaças, Hollywood e Paulo Coelho

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Minha família tinha um pequeno alambique no interior de São Paulo. Uma vez um primo que cuidava do negócio contou que uma grande marca de cachaça comprava pingas de diversas procedências e qualidades – incluindo a da nossa família – e transformava tudo em um só produto homogêneo, por meio de um processo químico pesado.

Desculpe a digressão, mas essa história me veio à cabeça ao assistir a “Veronika Decide Morrer”, primeira adaptação para o cinema de um livro de Paulo Coelho , filme que deve estrear no Brasil em 14 de agosto. Parecia que eu estava vendo “Fatal”, baseado em Philip Roth. Ou “As Horas”. Ou ainda “Sylvia”, a cinebiografia de Sylvia Plath. Ou qualquer adaptação de livro sobre uma mulher às voltas com a morte.

Hitchcock disse certa vez que os maus livros rendiam filmes melhores que os bons livros – e sua carreira foi um longo argumento a favor da tese. Mas hoje parece que a origem não faz diferença porque Hollywood teve a mesma boa ideia da marca de cachaça: fazer com que a péssima e a ótima literatura se equivalham no final. Coelho é igual a Roth, que é igual a Plath.

No caso de “Veronika Decide Morrer”, ajuda o fato de ser, ao lado de “Onze Minutos”, o menos maktub dos livros de Coelho. Trata-se de uma pequena história realista, inspirada em um caso real vivido pelo escritor, sobre uma mulher que tenta se matar e vai parar numa instituição psiquiátrica, onde o diretor diz que as complicações causadas pelo suicídio fracassado lhe dão pouco tempo de vida.

A diretora Emily Young transforma a prosa básica de Coelho em um drama digno, levemente solene, controladamente lacrimoso, que não deve ofender nenhum espectador, nem entrar na lista dos filmes preferidos de ninguém. Ou seja, exatamente o mesmo de “Fatal” ou “As Horas” ou “Sylvia”.

Na verdade, em relação a esses três filmes, “Veronika Decide Morrer” tem uma grande desvantagem: uma atriz limitada como protagonista. Por mais que se esforce em mostrar que virou uma intérprete madura, Sarah Michelle Gellar será sempre Buffy, a Caça-vampiros, em nossos corações.

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