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Arquivo de setembro, 2009

30/09/2009 - 22:29

Eu quero ter aulas de cinema com Werner Herzog

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Diretor de grandes filmes como “Fitzcarraldo”, “O Enigma de Kasper Hauser” e “O Homem Urso”, o alemão Werner Herzog abriu uma escola de cinema. Mas, como se trata de Herzog, não espere uma escola comum. Entre os mandamentos da Rogue Film School, publicados no site oficial, estão os seguintes:

“A Rogue Film School não irá ensinar nenhuma técnica relacionada a cinema. Para esse fim, por favor matricule-se na escola de cinema mais perto de você.”

“A Rogue Film School é sobre um estilo de vida. É sobre um clima, a excitação que torna um filme possível. É sobre poesia, filmes, imagens, literatura.”

“O foco dos seminários será um diálogo com Werner Herzog, em que os participantes irão encontrar sua voz para seus projetos, seus questionamentos, suas aspirações.”

“Trechos dos filmes serão debatidos, e isso pode incluir os seus. Dependendo do material, a atenção irá se concentrar em questões essenciais: Como a música funciona em um filme? Como narrar uma história (isso certamente irá se distanciar das lições acéfalas sobre roteiros em três atos)? Como sensibilizar o público? Como o espaço é criado e entendido pelos espectadores? Como produzir e editar um filme? Como iluminar o público e criar o êxtase da verdade?”

“Outros assuntos relacionados serão: viajar a pé, a alegria de ser alvo de tiros malsucedidos, o lado atlético do cinema, a falsificação de permissões de filmagem, a neutralização da burocracia, táticas de guerrilha, autoconfiança.”

“A censura será estimulada. Não haverá conversas sobre xamãs, classes de yoga, valores nutricionais, chás de ervas, a descoberta dos próprios limites, crescimento interno.”

“Siga sua visão. Forme células secretas da Rogue em todos os lugares. Ao mesmo tempo, não tenha medo da solidão.”

O primeiro seminário será em Los Angeles, de 8 a 10 de janeiro, e custará US$ 1.450. Se eu pudesse, estaria lá.

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28/09/2009 - 22:50

Prisão de Polanski reabre ferida que já estava fechada

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A questão da prisão de Roman Polanski é bastante delicada, cheia de áreas cinzentas. Mas, como o colega Inácio Araujo comprovou em seu blog, a internet é um mundo em preto e branco. A maioria dos leitores nunca vai deixar o crítico atacar a prisão do cineasta sem acusá-lo irracionalmente de defender o estupro de uma menina de 13 anos.

Para quem viu o bom documentário “Roman Polanski: Wanted and Desired”, produzido pela HBO americana, existe um fator que relativiza o problema. Como mostra o filme, Samantha Geimer, a vítima de Polanski, hoje com 45 anos, abandonou oficialmente as acusações contra Polanski, defendeu um Oscar de melhor diretor ao cineasta por “O Pianista” (2003) e declarou que ele já pagou o preço pelo crime.

Segundo Geimer, que vive no Havaí com o marido e os três filhos e trabalha como tesoureira, seu sofrimento vem hoje menos das lembranças do que da atenção da imprensa. Em declaração ao jornal “New York Daily News”, ela afirmou: “Eu sobrevivi a quaisquer danos que o senhor Polanski pode ter me causado quando criança. Superei isso há muito tempo. Ele fez algo horrível comigo, mas foi a mídia que arruinou minha vida. A publicação continuada de detalhes sobre o caso fere a mim, a meu marido, filhos e mãe.”

Ou seja, ao prender Polanski 31 anos depois do crime e chamar novamente atenção para o caso, a polícia de Los Angeles está prejudicando mais uma vez justamente quem deveria proteger.

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27/09/2009 - 22:51

Tirando o atraso no cinema

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Nos dois últimos finais de semana, tentei tirar o atraso de filmes muito elogiados pelos colegas da crítica, mas que eu não havia conseguido assistir por uma razão ou outra. Foram eles: “Amantes”, do americano James Gray, “Horas de Verão”, do francês Olivier Assayas, e “A Partida”, do japonês Yojiro Takita.

É sempre um risco ver filmes com expectativas tão altas criadas por outros. As chances de decepção aumentam consideravelmente. Mas é muito difícil chegar ao cinema com o olhar “virgem”, ainda mais no caso de filmes que estão há tanto tempo em cartaz.

Dos três, o único que superou as expectativas foi “Amantes”. Para mim, é, de longe, o melhor filme de Gray. Ele sempre foi um cineasta talentoso, como havia mostrado em “Fuga para Odessa”, “The Yards” e “Os Donos da Noite”. Mas o resultado sempre me pareceu aquém da ambição, e o estilo soava demasiadamente calcado num certo cinema policial americano dos anos 70.

Em “Amantes”, Gray parece ter finalmente encontrado uma voz própria, parece ter menos a provar. Á primeira vista, é um romance convencional sobre um triângulo amoroso, mas o talento visual, a direção de atores e a maneira desavergonhada de tratar os sentimentos dos personagens colocam o cineasta em um patamar mais elevado. É um dos grandes filmes do ano até aqui.

“Horas de Verão” também é um belo filme, talvez seja o trabalho mais acessível de Assayas, mas está longe de ser seu melhor (honraria que poderia ir para “Irma Vep” ou “Clean”). O maior problema desse filme sobre três irmãos que herdam e vendem as obras de arte do tio-avô é que sua metáfora central é um tanto evidente: a cultura clássica francesa virou peça de museu. Já sua maior virtude é que seu tom nunca é de lamentação.

Por fim, “A Partida” foi uma pequena decepção. É um perigo dizer isto, levando em conta a quantidade de fãs que o ganhador de Oscar de melhor produção estrangeira conquistou no Brasil. Claro, é um filme tocante sobre a aceitação da morte, mas ele se revelou um tanto mais convencional e sentimental do que eu esperava. É um bom filme, mas não tão bom quanto eu esperava. Se eu não tivesse ouvido nada a respeito de “A Partida”, talvez tivesse achado melhor.

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24/09/2009 - 22:40

Filmes de terror refletem ódio contra as mulheres?

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O “slasher movie” é aquele subgênero do terror em que geralmente um assassino misterioso persegue e mata de forma violenta uma série de pessoas. Talvez você não conheça o termo, mas certamente já viu algum de seus produtos: “Halloween”, “Sexta-Feira 13”, “A Hora do Pesadelo”, “Pânico”.

Ao ver “Pacto Secreto”, um “slasher” que estreia nesta sexta-feira, caiu a ficha: as vítimas dos assassinos são de todo tipo, mas a maioria absoluta é de mulheres atraentes e, de preferência, com pouca roupa. E aí pintou a dúvida: será que esses filmes são, na essência, fantasias misóginas, que refletem o ódio ou o desprezo dos homens pelas mulheres? Ou talvez eu esteja viajando, os filmes apenas exploram nossos instintos baixos, talvez naturais, relacionados ao sexo e à morte, a Eros e Tanathos.

Uma coisa é certa: o ano não tem sido muito bom para os “slasher movies”. “Dia dos Namorados Macabro”, que estreou há uns três meses, e “Pacto Secreto” não acrescentam nada ao gênero. Eles estão muito longe da originalidade e vitalidade dos filmes de John Carpenter e Dario Argento ou mesmo da inteligência paródica de um “Pânico”.

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23/09/2009 - 23:26

Praia e cinema, cinema e praia

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A cidade ideal, para mim, é aquela que tem praia e cinema. Por cinema, entenda-se não uma ou outra sala, mas sim um circuito com uma ampla oferta de bons filmes. Por praia, entenda-se praia mesmo…

O Rio de Janeiro torna-se essa cidade desta quinta-feira até o dia 8 de outubro. A cidade abriga nas duas próximas semanas o Festival do Rio, com mais de 300 filmes de 60 países. Neste ano, infelizmente não estarei lá. Mas o IG deve fazer uma bela cobertura, com uma página especial que reúne os destaques do evento.

Entre 2002 e 2007, anos em que vivi no Rio, acompanhei de perto a maratona cinematográfica carioca e, pela minha memória foi o mais próximo a que cheguei da ideia de um paraíso urbano (mesmo com todos os problemas já cantados e decantados da cidade).

A razão básica era essa conjungação muito rara de uma geografia privilegiada e do melhor da produção cinematográfica mundial. Tento pensar em algo parecido no mundo e não chego a uma alternativa. Há outras grandes cidades cinéfilas, como Paris, Londres, Nova York ou São Paulo, mas sem a beleza natural do Rio. Existem inúmeras belas cidades praianas no mundo, mas sem um circuito de salas ou um festival do porte do carioca.

É como se o prazer sensorial da praia e o intelectual do cinema fossem incompatíveis. Quando, claro, não é esse o caso.

Talvez Barcelona possa oferecer cinema de mesma qualidade e uma praia mais ou menos digna. Mas o Rio está logo aí. Serão duas semanas de inveja dos cariocas e dos colegas paulistas que pegaram a ponte aérea.

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21/09/2009 - 22:28

A era de ouro da comédia americana

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Na noite de sábado, revi o já clássico “Penatras Bons de Bico” na TV, talvez pela quinta vez. No domingo, tirei o atraso cinematográfico com o excelente “Se Beber, Não Case”. Foi juntar um com o outro, mais uma série de filmes recentes, para concluir: a comédia americana vive uma época de ouro.

Muita gente reclama da decadência do cinema hollywoodiano. Em pelo menos dois casos, a tese é absolutamente falsa: no da animação, graças principalmente à Pixar, e da comédia, por conta de uma série de diretores e atores excepcionais.

A grande era de ouro da comédia americana é ainda o período mudo, anos 20 e 30. Tinha Chaplin, Buster Keaton, Harold Lloyd. Logo depois, no início do falado, houve os irmãos Marx. Mas não sei se, depois disso, existiu um período tão fértil quanto o atual.

Na minha adolescência de anos 80, pelos menos, não era tão bom quanto hoje. Havia aquelas boas paródias, como “Apertem os Cintos…” ou “Corra que a Polícia Vem Aí”, um ou outro grande comediante (Eddie Murphy, John Belushi). Mas nada como a mistura de quantidade e qualidade como vemos hoje.

Há um punhado e grandes diretores, com a fila puxada por Judd Apatow e os irmãos Farrely, e uma penca de ótimos comediantes: Will Ferrell, Steve Carell, Jack Black, Ben Stiller, Owen Wilson, Vince Vaughn. Uma turma que ficou conhecida como “The Frat Pack”, amigos fora da tela que trabalham frequentemente juntos.

Quando você pensa que a lista acabou, surge um talento como Zach Galifaniakis, o barbudo de “Se Beber Não Case”, que rouba todas as cenas. Ou ainda o do diretor Todd Phillips, do mesmo filme, que havia dirigido “Dias Incríveis” (2003), um dos filmes seminais do Frat Pack.

Há pontos em comum entre os grandes filmes dessa nova era de ouro, como “O Virgem de 40 Anos”, “Ligeiramente Grávidos”, “Superbad é Hoje” ou “Escola do Rock”? Sim, claro. Por trás da humor juvenil e muitas vezes escatológico, existe a crítica à hipocrisia social e a um mundo baseado aparências, um elogio à fraternidade masculina e ao romantismo.

São, no fundo, comédias românticas para homens – mais sensíveis que as antigas, mas não muito.

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18/09/2009 - 15:44

Violência é nosso produto de exportação

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“Cidade de Deus” em 2003, “Carandiru” em 2004, “Última Parada 174” em 2008, “Salve Geral” em 2009. Guerras sangrentas entre traficantes cariocas, massacre policial de 111 presos em São Paulo, sequestro de ônibus com morte de uma vítima e do sequestrador, ataques do PCC que deixaram 564 mortos.

Esses foram quatro dos filmes brasileiros indicados ao Oscar de melhor produção estrangeira nos últimos anos pelo Ministério da Cultura – o último deles, “Salve Geral”, foi anunciado hoje como candidato. Antigamente, a imagem oficial que o Brasil vendia no exterior incluía samba e futebol. Hoje, nosso produto de exportação cultural é a violência.

É bom ou é ruim? Nem uma coisa nem outra. Por um lado, pode-se sempre argumentar que pelo menos os problemas não estão sendo varridos para baixo do tapete. Por outro, existe sempre o risco de criar uma imagem unidimensional do país.  

Muitos leitores do blog reclamam que não aguentam mais filmes sobre nossas mazelas sociais. Outros protestam contra as globochanchadas. Parece que o cinema brasileiro está dominado por um duopólio: de um lado a comédia de costumes para consumo interno; do outro o drama social, também para consumo externo.

É uma falsa impressão, há filmes que não se encaixam nessas categorias. Mas é uma impressãobastante palpável.

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17/09/2009 - 11:46

SP recebe novo “enfant terrible” do cinema mundial

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De todas as edições já realizadas do Indie, festival de cinema independente criado em Belo Horizonte em 2001 e que chegou a São Paulo em 2007, a deste ano é sem dúvida a mais forte. E o motivo principal, além de uma boa mostra mundial, são as retrospectivas de dois cineastas asiáticos: o filipino Brillante Mendoza e a japonesa Naomi Kawase.

São dois diretores em alta no circuito dos festivais de arte, que tratam seus temas com atitudes quase opostas: a obra de Kawase é marcada pela suavidade; a de Mendoza, pela extrema crueza. Se o cinema, como o futebol, é momento, a retrospectiva de Mendoza deve ganhar a maior parte dos holofotes.

O filipino acaba de ter seu último trabalho, “Lola”, exibido como filme-surpresa no festival de Veneza e ganhou este ano o prêmio de melhor diretor em Cannes com “Kinatay”. Este filme abre hoje o Indie em São Paulo, com a presença de Mendoza.

Ao lado do “Anticristo” de Lars von Trier, “Kinatay” foi a grande polêmica de Cannes, com seu tratamento realista e explícito do sequestro e tortura de uma prostituta. Só que Mendoza conseguiu uma Palma de Ouro, e Von Trier sai escorraçado – o que pode indicar uma troca de bastão no posto de “enfant terrible” oficial do cinema de arte mundial.

O elemento mais interessante da trajetória de Mendoza é sua incrível produtividade. Depois de uma bem-sucedida carreira em publicidade, ele estreou em longa-metragem em 2005, já com 45 anos. Mas ele tirou o atraso: de lá para cá, foram oito longas em quatro anos. Todos eles, com a exceção de “Lola”, estarão na retrospectiva do Indie.

Outro dado surpreendente é a notável evolução de seu trabalho. De um filme para o outro, parece que há um salto no domínio da linguagem. Ele começa com o verde “Massagista”, ficção centrada em um personagem gay, logo vai para “A Professora”, um quase documentário sobre uma garota de 13 anos que alfabetiza adultos.

A partir daí, ele parece combinar essas duas vertentes – a ficcional e a documental, a abordagem do sexo e dos problemas sociais filipinos – para ir afinando seu estilo. Nos seus últimos três filmes, “Tirador”, “Serbis” e “Kinatay”, já há claramente uma marca autoral em seu trabalho, que se observa também em uma linguagem marcada por uma câmera na mão que segue seus personagens em longos planos que emulam a ideia de um tempo real. Daí para o sucesso no circuito dos grandes festivais foi um pulo.

Não é toda hora que uma retrospectiva no Brasil acontece tão “a quente”, no momento de maior visibilidade do cineasta homenageado. Então é bom aproveitar a presença de Mendoza e de seus filmes por aqui.

Para finalizar, uma pequena propaganda: nesta sábado, às 11h, no Cinesesc, mediarei um encontro de Mendoza com o público. Os ingressos gratuitos que podem ser retirados uma hora antes do evento.

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15/09/2009 - 16:27

Carreira de Patrick Swayze foi um enigma

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A carreira de Patrick Swayze foi um enigma. Durante três anos, ele foi grande em Hollywood. Para ser mais preciso, no intervalo entre dois filmes: “Dirty Dancing – Ritmo Quente” (1987) e “Ghost – Do Outro Lado da Vida” (1990), filmes baratos que viraram enormes sucessos de bilheteria. Depois, sua carreira caminhou lenta e definitivamente para a obscuridade.

Claro, houve o subestimado “Caçadores de Emoção” (1991), em que ele ofuscava Keanu Reeves, o que não chega a ser um mérito; o mediano “Para Wong Foo, Obrigada por Tudo! Julie Newmar” (1995), em que jogava contra seu tipo físico interpretando uma drag queen; e um papel menor, mas importante, no interessante “Donnie Darko” (2000). Mas nada que pudesse ser comparado ao sucesso daqueles dois filmes.

O que aconteceu com a carreira de Patrick Swayze? Foi uma questão de escolhas pessoais ou escolhas de Hollywood? Arrisco uma tese. Swayze foi um ator de transição entre duas épocas: os herois anabolizados dos anos 80, como Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger, e os galãs mais femininos dos 90, como Brad Pitt, Tom Cruise e Keanu Reeves. Seu tipo atlético lembrava a primeira turma, mas sua suavidade o aproximava do segundo time.

Swayze ficou num meio termo incômodo, preso numa bolha entre duas décadas, sem encontrar um lugar no presente. E, nos últimos anos, o câncer no pâncreas roubou-lhe ainda a estampa de galã robusto, obrigou-o a trocar a delicadeza pela fragilidade – algo especialmente cruel para um ator que dependia tanto do físico. Mas ficou a imagem de um ator mais versátil do que o galã de início de carreira e de um homem tenaz na sua luta contra a doença.

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15/09/2009 - 11:27

Novela de Manoel Carlos é como Lexotan

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Depois daqueles indianos hiperativos, suburbanas fogosas, loucos e pit boys à solta, nada como uma novela do Manoel Carlos para relaxar um pouco. “Viver a Vida”, como toda a obra de Maneco, tem o efeito de um Lexotan. Aquelas paisagens de aquarela, aquela bossa nova malemolente, aquela conversa à toa sobre relacionamentos deixam a gente pronto para uma boa noite de sono.

Escudado pelo diretor Jayme Monjardim, Maneco bem que tentou acrescentar um novo ingrediente a sua fórmula no capítulo de estreia ontem: uma cena de perseguição na favela, filmada com os clichês já consagrados pelo cinema nacional, a câmera na mão, o filtro azulado, a trilha nervosa. Mas logo tudo voltou ao normal; ou seja, ao universo dos cariocas bem nascidos, com seus problemas burgueses.

Descontado esse passeio postiço pela favela, a grande novidade do primeiro capítulo foi a troca do Rio por Búzios como cenário. Seis por meia dúzia.  Para o espectador, as novelas tem o conforto do conhecido: você sabe que encontrará uma Helena quase santa, um José Mayer quase cafajeste, que todas as mulheres serão um pouco loucas (com exceção da Helena) e que todos os homens serão uns bananas (com a exceção do José Mayer). 

Mesmo com a repetição dos ingredientes, o primeiro capítulo deixou algumas dúvidas. A maior delas é se Taís Araújo tem estofo para ser Helena. Ok, ela é bela, ela é a primeira atriz negra a protagonizar uma novela das oito na Globo, ela não deve ser julgada por um punhado de cenas, ela tem condições para crescer com o personagem. Mas a impressão da estreia é que Taís continuava apresentando o “Superbonita”. A expressividade e a empostação eram exatamente as mesmas.

Outra interrogação despertada pelo capítulo inicial: é possível mesmo que Maneco seja considerado um autor “realista”? Aquelas cenas da gravação do programa com Helena beiram o surreal em seu artificialismo. É curioso ver como a maior televisão brasileira erra tão feio sempre que precisa fazer uma cena sobre uma gravação de TV… E os depoimentos “reais” no final não poderiam parecer mais encenados, como a emotiva e edificante entrevista de uma mulher com parilisia infantil ontem.

Agora vamos aos pontos positivos: Lilia Cabral mais uma vez roubará a cena como uma mulher amargurada, José Mayer está totalmente à vontade como galã, e Manoel Carlos continua com ouvido afiado para sensos comuns sobre as relações amorosas. Quando o personagem de Mayer falou que logo ia casar de novo, que homem não consegue ficar separado, minha mulher me cutucou e disse: “Maneco sabe tudo”. Então tá.

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