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17/09/2009 - 11:46

SP recebe novo “enfant terrible” do cinema mundial

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De todas as edições já realizadas do Indie, festival de cinema independente criado em Belo Horizonte em 2001 e que chegou a São Paulo em 2007, a deste ano é sem dúvida a mais forte. E o motivo principal, além de uma boa mostra mundial, são as retrospectivas de dois cineastas asiáticos: o filipino Brillante Mendoza e a japonesa Naomi Kawase.

São dois diretores em alta no circuito dos festivais de arte, que tratam seus temas com atitudes quase opostas: a obra de Kawase é marcada pela suavidade; a de Mendoza, pela extrema crueza. Se o cinema, como o futebol, é momento, a retrospectiva de Mendoza deve ganhar a maior parte dos holofotes.

O filipino acaba de ter seu último trabalho, “Lola”, exibido como filme-surpresa no festival de Veneza e ganhou este ano o prêmio de melhor diretor em Cannes com “Kinatay”. Este filme abre hoje o Indie em São Paulo, com a presença de Mendoza.

Ao lado do “Anticristo” de Lars von Trier, “Kinatay” foi a grande polêmica de Cannes, com seu tratamento realista e explícito do sequestro e tortura de uma prostituta. Só que Mendoza conseguiu uma Palma de Ouro, e Von Trier sai escorraçado – o que pode indicar uma troca de bastão no posto de “enfant terrible” oficial do cinema de arte mundial.

O elemento mais interessante da trajetória de Mendoza é sua incrível produtividade. Depois de uma bem-sucedida carreira em publicidade, ele estreou em longa-metragem em 2005, já com 45 anos. Mas ele tirou o atraso: de lá para cá, foram oito longas em quatro anos. Todos eles, com a exceção de “Lola”, estarão na retrospectiva do Indie.

Outro dado surpreendente é a notável evolução de seu trabalho. De um filme para o outro, parece que há um salto no domínio da linguagem. Ele começa com o verde “Massagista”, ficção centrada em um personagem gay, logo vai para “A Professora”, um quase documentário sobre uma garota de 13 anos que alfabetiza adultos.

A partir daí, ele parece combinar essas duas vertentes – a ficcional e a documental, a abordagem do sexo e dos problemas sociais filipinos – para ir afinando seu estilo. Nos seus últimos três filmes, “Tirador”, “Serbis” e “Kinatay”, já há claramente uma marca autoral em seu trabalho, que se observa também em uma linguagem marcada por uma câmera na mão que segue seus personagens em longos planos que emulam a ideia de um tempo real. Daí para o sucesso no circuito dos grandes festivais foi um pulo.

Não é toda hora que uma retrospectiva no Brasil acontece tão “a quente”, no momento de maior visibilidade do cineasta homenageado. Então é bom aproveitar a presença de Mendoza e de seus filmes por aqui.

Para finalizar, uma pequena propaganda: nesta sábado, às 11h, no Cinesesc, mediarei um encontro de Mendoza com o público. Os ingressos gratuitos que podem ser retirados uma hora antes do evento.

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1 comentário para “SP recebe novo “enfant terrible” do cinema mundial”

  1. benesiqueira disse:

    Uma frase genial. “Cinema nada mais é, doque cinema e precisa algo mais?” Ricardo adoro cinema, se pudeer ser util, entre em contato. BeneSiqueira.

Os comentários do texto estão encerrados.

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