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27/10/2009 - 10:34

Wes Anderson brilha com animação do “Sr. Raposo”

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De um lado, o cineasta americano Wes Anderson, idiossincrático cronista do desajuste social, de filmes como “Três é Demais”, “Os Excêntricos Tenembaums”, “A Vida Marinha com Steve Zissou” e “Viagem a Darjeeling”. Do outro, o escritor britânico Roald Dahl, autor de clássicos infantis como “A Fantástica Fábrica de Chocolate” e “James e o Pêssego Gigante”.

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Como seria o encontro cinematográfico entre esses dois universos tão ricos e tão marcados pela personalidade de seus criadores? Suas qualidades se somariam ou se anulariam? A resposta não poderia ser mais positiva. Com sua última exibição na Mostra marcada para sexta-feira (no Espaço Unibanco, às 19h30), mesmo dia em que estreia nos EUA, “O Fantástico Sr. Raposo” é uma encantadora animação em stop-motion, à qual Wes Anderson conseguiu imprimir todas suas marcas pessoais, sem trair a essência da obra de Dahl. Como Tim Burton em sua versão de “A Fantástica Fábrica de Chocolate”.

O material ajuda. Os protagonistas de “Fantástico Sr. Raposo” formam uma excêntrica família dominada pelo pai, prato cheio para Anderson. Depois de uma vida dedicada aos assaltos a galinheiros, o galante Sr. Raposo (voz de George Clooney) atende o pedido da Sra. Raposo (Meryl Streep) para sossegar quando esta lhe comunica que está grávida.

Muitos anos mais tarde, já transformado em colunista de jornal e com um desajeitado filho adolescente (Jason Schwartzman), ele se muda para uma árvore em frente aos maiores criadores de galinhas, perus e sidras da Inglaterra. O Sr. Raposo não resiste à tentação e arma um plano para roubar os três.

A questão central de “Fantástico Sr. Raposo’ é o velho confronto entre instinto e razão, entre o ser selvagem e o social. O subtexto “humano” é o conflito masculino entre a vida de predador solteiro e a de provedor casado. Outro tema do filme, ainda mais caro ao cineasta, é a relação entre a figura heroica do pai e a persona insegura, ainda em formação, do filho.

O fato de fazer uma animação protagonizada por raposas não intimida Anderson. Para começar, ele recorre à estética meio “vintage” do stop-motion, que parece mais um antigo desenho de TV do que as modernas animações em 3-D que acostumamos a nos ver no cinema.

A partir daí, o cineasta vai distribuindo suas assinaturas ao longo do filme. Ele chama novamente seus atores-fetiche para dar voz a alguns dos personagens, como Bill Murray, Schwartzman e Owen Wilson. Ele veste os animais com roupas que parecem saída de um brechó. Ele usa uma música dos Rolling Stones na trilha. Ele coloca em cena personagens que parecem anestesiados mesmo diante dos sentimentos mais dilacerantes.

Assim, cada vez que a raposa adolescente surge em crise existencial na tela, nós enxergamos não apenas o personagem criado por Roald Dahl, mas também Jason Schwartzman em “Três é Demais” ou “Viagem a Darjeeling”.

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2 comentários para “Wes Anderson brilha com animação do “Sr. Raposo””

  1. alb disse:

    raposo

  2. alb disse:

    tm raposo

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