Publicidade

Publicidade

Arquivo de outubro, 2009

13/10/2009 - 22:04

Vale a pena viver para ver os filmes de Tarantino

Compartilhe: Twitter

Há quem ache que vale a pena viver para acompanhar os filhos crescendo. Outros querem continuar vivos para ver as próximas Copas do Mundo. Os dois motivos me parecem justíssimos, e eu me confraternizo com a maioria das pessoas nesse desejo.

Mas eu acrescentaria à minha lista mais uma razão fundamental para permanecer sobre a Terra nos próximos anos: assistir aos filmes de Tarantino. É um privilégio pensar que eu ainda verei um punhado de filmes inéditos do cineasta nesta encarnação – se o mundo não acabar, se a vida permitir, claro.

Depois de rever “Kill Bill 2” na TV e ver “Bastardos Inglórios”, duas obras-primas no espaço de uma semana, cheguei a uma conclusão talvez tardia, mas definitiva: Tarantino é meu cineasta de estimação. E acho que não estou sozinho nessa escolha.

Seria possível marcar as várias fases da minha vida adulta com os os filmes de Tarantino: revelação (“Cães de Aluguel”), deslumbramento (“Pulp Fiction”), desconfiança (“Jackie Brown”), desilusão (“Kill Bill 1”), conciliação (“Kill Bill 2”), maturidade (“Bastardos Inglórios”).

Tarantino é o diretor que mais se aproxima da minha visão de mundo: uma atitude desconfiada em relação às pessoas, uma crença inabalável nos filmes. E “Bastardos Inglórios” é sua maior profissão de fé no cinema como local de resistência, com sua história de perseguidos do nazismo que planejam um atentado contra Hitler em uma sala de Paris.

Tarantino é também, e agora me arrisco a falar não apenas por mim, o cineasta que melhor traduz o modus operandi de uma geração, com sua obra baseada no conceito de remixagem de influências para criar um produto original.

“Bastardos Inglórios” é o ponto mais maduro desse processo, uma sucessão de cenas brilhantes que remete a tantos outras da história do cinema, mas é, ao mesmo tempo, puro, clássico, inegável Tarantino.

A maturidade do cineasta, graças a Deus, não tem nada de sisuda, circunspecta. Pelo contrário, é uma celebração irreverente e iconoclasta do prazer de fazer filmes, de estar vivo.

O que me leva de volta ao início deste texto: se Tarantino fez 7 longas em seus primeiros 17 anos de carreira e se eu espero viver mais umas quatro décadas, acho que devo ver mais 15 filmes do meu cineasta de estimação. Vale a pena insistir.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
08/10/2009 - 21:44

“Viver a Vida” passa por processo de gloriaperização

Compartilhe: Twitter

O pessoal reclamava que todo mundo saía dançando à toa em “Caminho das Índias”. E dizia que a aquela pouca vergonha tinha data para acabar, que as coisas iam mudar quando chegasse a novela do Manoel Carlos. E não é que eu ligo a TV duas vezes em “Viver a Vida”, e os personagens estão dançando salsa na sala de casa? Empregada, patrão, drunkoréxica, filha da Vera Fischer, gêmeo malvado… todo mundo se acabando na mansão, como se não houvesse amanhã. Sem falar que estpa pintando uma ponte aérea Búzios-Paris sem escalas. Será que Maneco está passando por um processo de gloriaperização?

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
05/10/2009 - 22:21

Nós, do Terceiro Mundo, somos todos iguais

Compartilhe: Twitter

O jornalista Peter Bradshaw, do jornal britânico “The Guardian”, foi ao Rio para cobrir o festival de cinema. E acabou nas areias de Copacabana durante a comemoração da vitória da candidatura brasileira às Olimpíadas de 2016. No texto que escreveu para o blog do jornal, há uma comparação curiosa: “Um amigo brasileiro que trabalha com cinema explodiu de alegria: ‘É como ‘Quem Quer Ser um Milionário’ ganhando o Oscar’.”

É impressão minha ou a comparação carrega um preconceito ou pelo menos uma certa condescendência? Algo na linha: esses terceiro-mundistas deslumbrados fazem festa para qualquer coisa. Tudo bem, a comparação foi feita por um brasileiro, mas endossada pelo inglês.

Ou será que, na verdade, o preconceito é meu, ao me sentir incomodado com a comparação com os indianos que comemoraram o Oscar?

O texto continua assim: “Num país do Primeiro Mundo, o medo tradicional é que a chegada das Olimpíadas seja uma senha para o desperdício, o caos e outros problemas. Mas tal cinismo é evidentemente uma das muitas coisas que o Rio de Janeiro não se permite.”

Se tivesse lido a imprensa brasileira no dia seguinte ao anúncio, Bradshaw teria visto que os brasileiros têm o mesmo tipo de preocupação.

Na mesma nota do blog, há a confirmação de uma boa notícia: existem boas chances de que Woody Allen realize um filme no Rio, ou em São Paulo, no futuro próximo. A irmã e produtora do cineasta, Letty Aronson, está aqui justamente para discutir essa possibilidade.

Bom… eu estava criticando a comparação com os indianos que comemoraram o Oscar e lá vou eu festejar o Woody Allen filmando no Brasil. Bradshaw tem razão: somos mesmos uns terceiro-mundistas deslumbrados.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
03/10/2009 - 22:59

“Terror na Antártida” desperdiça ideia fantástica

Compartilhe: Twitter

O escuro sempre foi o melhor amigo do filme de terror. Não existe um psicopata, um monstro, um animal que consigam ser mais assustadores que uma tela preta e um grito de medo.

“Terror na Antártida”, que estreou no Brasil nesta sexta-feira, tinha um ponto de partida sensacional: um filme de horror em que o negrume é substituído pela branquidão, em que a “cegueira” do espectador é provocada não pela noite, mas por uma tempestade de neve que preenche de branco a tela.

Baseado na graphic novel de Greg Rucka e Steve Lieber, o filme começa com a descoberta do primeiro assassinato na Antártica. Quem irá investigá-lo é a agente federal interpretada por Kate Beckinsale, que estava prestes a deixar o continente gelado antes do inverno, que torna a região inabitável. Mas, para usar um trocadilho besta, o crime é apenas a ponta do iceberg.

Nas mãos de um cineasta criativo, que soubesse explorar o cenário para criar suspense, “Terror na Antártida” poderia ser um grande filme. Mas ele foi cair no colo do limitado Dominic Sena (“60 Segundos”, “A Senha”). O roteiro também não ajuda muito. Com 5 minutos de filme, é possível identificar o assassino, sem muito medo de errar. Por fim, existe a atuação preguiçosa de Beckinsale, recém-eleita mulher mais sexy do mundo, que é tão convincente como uma agente federal quanto Vera Fischer seria no papel de Madre Teresa de Calcutá.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
02/10/2009 - 00:06

“Salve Geral” tenta explicar um país inexplicável

Compartilhe: Twitter

“Salve Geral” foi acusado por alguns críticos de fazer apologia do PCC. Para outros, “Tropa de Elite” era fascista. Já “Cidade de Deus”, “Ônibus 174” e “O Prisioneiro da Grade de Ferro” tomavam o partido dos marginais. A crítica de cinema foi substituída pelo julgamento ideológico. Não se discute mais os filmes, mas a suposta posição política dos diretores.

No caso de “Salve Geral”, filme que estreia nesta sexta-feira e que foi escolhido como candidato brasileiro a uma vaga no Oscar de produção estrangeira, o problema não é tomar uma posição a favor do PCC. Mas não ter um ponto de vista muito claro.

“Tropa de Elite” não era um filme fascista. Mas era uma tentativa de mostrar a violência pelo olhar da polícia. Já em “Salve Geral”, o foco nunca se define. Ora se trata de um filme sobre a relação de uma mãe (Andréa Beltrão) com seu filho (Lee Thalor) preso. Ora sobre a amizade dela com uma advogada do PCC (Denise Weinberg) ou sobre sua paixão pelo líder da organização. Ou ainda um filme sobre o funcionamento interno do PCC, sobre a briga contra o poder que levou ao fatídico dia em que seus integrantes aterrorizaram São Paulo em 2006.

O filme de Sergio Rezende quer dar conta de tudo isso ao mesmo tempo, do drama materno e da questão da segurança pública, de um romance improvável e da falência do sistema carcerário… E, claro, acaba não dando conta completamente de nenhum desses filmes dentro do filme. “Salve Geral” é vítima daquela velha mania do cinema brasileiro de querer explicar um país inexplicável.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Voltar ao topo