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20/11/2009 - 23:26

“Polícia, Adjetivo” é um brilhante anti-policial

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Depois de “4 Anos, 3 Meses, 2 Dias”, “Como Festejei o Fim do Mundo”, “A Leste de Bucareste” e “A Morte do Sr. Lazarescu”, mais um pequeno grande filme romeno chega ao Brasil. “Polícia, Adjetivo”, de Corneliu Porumboiu, tem muitas das características associadas frequentemente com aquela cinematografia: o realismo seco, pontuado por um senso de humor ácido; os longos e estáticos planos; a investigação da herança maldita da ditadura Ceausescu.

No caso de “Polícia, Adjetivo”, essa herança se manifesta na atuação burocrática e autoritária da força policial. Contra ela, se insurge silenciosamente o policial Cristi (Dragos Bucur). Ele é designado para investigar uma denúncia contra um adolescente que fuma haxixe e oferece a droga com frequência a dois amigos. Na Romênia, é o suficiente para levá-lo à cadeia.

Cristi passa oito dias seguindo o jovem, buscando provas para inocentá-lo e pedindo mais tempo a seus superiores para que possa encontrar os traficantes. Ele argumenta que a prisão arruinaria a vida do adolescente e que a Romênia irá se adaptar em breve à legislação da União Europeia, que não prevê punição aos consumidores.

O conflito do filme é esse impasse entre a Romênia do passado e a do futuro, que deixa o protagonista imobilizado do país do presente. É um conflito passado nas entrelinhas, em um filme dedicado mais à reflexão do que à ação, interessado mais nos substantivos do que nos verbos. Em um certo sentido, é um anti-filme policial, que mostra uma investigação como um processo tedioso e arbritrário.

Para se ter uma ideia, o clímax é uma discussão semântica entre Cristi e seu chefe, sobre palavras como consciência, lei, moral e policial. È uma sequencia simples, construída com o mínimo de recursos, e ao mesmo tempo extremamente complexa, por tudo que revela sobre o teatro absurdo do poder.

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12 comentários para ““Polícia, Adjetivo” é um brilhante anti-policial”

  1. Jeh disse:

    Filme romeno?!!!!…Uso de drogas, traficantes, policiais…. isso ta me parecendo um roteiro de brasileiros…..
    Nós temos tantos lançamentos nessa semana e você vem falar de um filme romeno?!! …….sem comentarios

    • thvaz disse:

      Se é sem comentários, poderia ter nos poupado dos seus, Jeh.

    • Maíra disse:

      um filme romeno que “só” ganhou o festival de Cannes, diria-se de passagem….

    • fernanda disse:

      Assista ao filme primeiro, reflita sobre ele, acima de tudo lembre-se que o Brasil não é o centro do mundo…

      Eu gostei muito da cena final…

  2. Moisés disse:

    Ai ai, estes cineastas e seus amores por bandidos drogados, onde está o heroísmo de cheirar cola na praça da Sé? Boquirrotos.
    Preferem mistificar o tráfico como se fosse coisa de crianças inocentes.
    Consciência, lei e moral, coisas que não existem no absurdo teatro do poder das drogas e dos traficantes.
    Você é perigoso Calil, mistificador.

  3. PLÍNIO SANTOS disse:

    Os traficantes são os homens maus, mas eles vendem as drogas para quem ?
    Todos sabem quem sustenta os traficantes, são os próprios consumidores das drogas. Portanto punir somente os traficantes é um contra senso.
    Outro exemplo é o do comprador de produtos roubados ou furtados, pois o ladrão existe em função do receptador, e punir somente o ladrão não é correto. Portanto quem compra produtos muito abaixo do preço de mercado , sem nota fiscal está comprando produto de roubo/furto. E deve ser punido sim

  4. Fernando disse:

    Realmente temos vários lançamentos para esta semana, e para cada um deles não falta quem faça “críticas, resenhas, videos e entrevistas”.É bom saber que existem outras alternativas, vindas inclusive da Romênia.

  5. estevan disse:

    Pô Jeh, pega leve com o Calil, pelo menos você percebeu que somos parecidos com a Romênia.

  6. daniel disse:

    Otimo Calil,…..é deste tipo de critica/comentario que a gente precisa. O bombardeio dos enlatados é tão grande que, se não tiver quem nos alerte sobre estas pequenas/grandes obras, certamente em breve os que apreciamos o cinema como arte, e não apenas como mero entretenimento, deixaremos de frequentar os cinemas…..(uma pena) valeu!!.

  7. Erick Nogueira disse:

    Acabo de assistir a Paradise Now. Uma fantástica produção palestina/israelense.

    O filme conta as ultimas 24 horas da vida de dois amigos que se candidatam a homens-bomba. O filme mostra a vida de privações do povo palestino frente ao luxo vivido no lado israelense. O ponto alto fica por conta do discurso gravado pelos mártires, nunca antes traduzido para o português.

  8. Rosana disse:

    Gostei muito do filme. Acredito que a discussão do poder é e sempre será atual e importante. Independente do país, somos nós, os humanos, que animamos as relações de poder. Será que ele será lançado em DVD? Penso utilizá-lo inclusive em minha dissertação de mestrado sobre as relações de poder no trabalho.

  9. […] há muito tempo, marquei comigo mesmo o compromisso para as 22 horas. Antes dei uma googlada. Li isso e isso, além de outras coisas que não vêm ao caso. Entre as reclamações, citam muito que o […]

Os comentários do texto estão encerrados.

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