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Arquivo de novembro, 2009

06/11/2009 - 22:48

Vou ali e já volto

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Por motivo de viagem, volto o atualizar o blog no próximo dia 10. Até já.

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06/11/2009 - 22:43

“Besouro” é um triunfo da propaganda, não do cinema

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Ao se assistir a “Besouro”, fica logo claro por que o filme é um fenômeno no YouTube, mas um fracasso como cinema. A produção é feita de alguns bons momentos que duram 30 segundos, 1 minuto, em particular as cenas de lutas. Mas é incapaz de uni-las para formar uma narrativa fluida e coerente. É um filme truncado, desconjuntado, sem jogo de cintura – de certa forma, a antítese de seu assunto, a capoeira.

Seu diretor é João Paulo Tikhomiroff, que já ganhou trocentos Leões de Ouro em Cannes por suas propagandas, mas só agora estreia em um longa de ficção. Esse currículo fica claro ao longo da projeção: é um filme veloz e de fôlego curto, bom para os 100 metros rasos, não para a prova de fundo. Nesse sentido, é um filme que reforça certos preconceitos muito comuns sobre cinema feito por publicitários.

A assessoria de imprensa do filme foi muito competente para vender o filme como um fenômeno da nova era do audiovisual e conseguiu emplacar longas matérias sobre o filme na imprensa. Mas a decepção ao vê-lo na tela grande é quase inevitável. “Besouro” é um triunfo da propaganda, não do cinema.

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05/11/2009 - 23:07

Uma Mostra ao estilo Ronaldo

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 Se não contarmos a repescagem, a Mostra de São Paulo terminou nesta quinta-feira, o que significa que chegou a hora do balanço. O meu dificilmente poderia ser mais positivo. Vi mais bons filmes nessas duas últimas semanas do que em todo o resto do ano.

selo_mostraPara mim, foi uma Mostra ao estilo de Ronaldo em sua atual fase: só indo na boa, sem muita correria, sem desperdício de energia, mas com alta porcentagem de aproveitamento. Dos muitos chutes que dei, a maioria balançou a rede; alguns foram golaços, pouquíssimos erraram o alvo.

De canelada mesmo, só um: “O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus”, filme de despedida de Heath Ledger, que não ficou à altura do talento do ator. No campo do não cheira e nem fede, “Distante Nós Vamos”, tentativa de Sam Mendes (“Beleza Americana”) parecer indie, e o superestimado “À Procura de Eric”, uma Sessão da Tarde à moda socialista de Ken Loach.

Daí em diante, minha lista só tem filmes que vão do bom à obra-prima. Nesta última categoria, estão “Vencer”, épico político que comprova que o italiano Marco Bellochio virou mestre, e “35 Doses de Rum”, em que a francesa Claire Denis mostra que se tornou uma das diretoras essenciais da atualidade.

Dos cineastas consagrados, vieram o delicioso “Singularidades de uma Rapariga Loira”, em que o centenário Manoel de Oliveira revela ainda ter fôlego de garoto, e “Abraços Partidos”, obra menor de Almodóvar, mas ainda assim muito acima da média.

A Mostra nos brindou ainda com os dois melhores filmes até aqui de cineastas que decidiram se arriscar fora de sua zona de conforto: “O Fantástico Sr. Raposo”, belo passeio do americano Wes Anderson pelo mundo da animação, e “Soul Kitchen”, incursão do alemão Fatih Akin pela comédia.

De novos cineastas, duas boas surpresas: “Dente Canino”, fábula de humor nonsense do grego Yorgos Lanthimos, e “Os Famosos e Duendes da Morte”, estreia muito promissora em longas do brasileiro Esmir Filho, diretor do curta “Tapa na Pantera”.

No final das contas, esta edição da Mostra me ajudou a recuperar um tanto da minha fé no cinema, que andava abalada por um ano muito fraco do circuito comercial.

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03/11/2009 - 22:44

“Soul Kitchen” foge dos clichês do “cinema culinário”

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soulkitchen

É difícil falar de um filme sobre o universo da culinária sem recorrer a algum tipo de clichê: uma obra açucarada ou sem sal, para paladares finos ou de sabores exóticos, com receita bem temperada ou que desandou e assim por diante.

selo_mostraMais difícil do que escrever a respeito, só mesmo filmar esse universo. O cinema gastronômico é um campo fértil para o estereótipo: a comida como fonte da sensualidade, como celebração do prazer, como bastião da identidade cultural.

Mesmo os filmes mais estimados sobre culinária são vítimas desse problema, como “A Festa de Babette” (1987), “Como Água para Chocolate” (2000), “Chocolate” (2000) e “Simplesmente Martha” (2002). E a grande virtude de uma animação como “Ratatouille” (2007) é justamente saber trabalhar bem com os clichês. É uma sina parecida com a do futebol: o cinema ainda não gerou produtos à altura do tema.

Nesse cenário, “Soul Kitchen” – que será exibido pela Mostra nesta quarta-feira, às 14h50, no Arteplex – é uma bem-vinda exceção. Uma rara comédia alemã que nos faz rir, dirigida por Fatih Akin, mais conhecido por seus dramas pesados (“Contra a Corrente”, “Do Outro Lado”). Um filme rock and roll sobre comida, estrelado por homens rudes e mulheres bravas.

O protagonista é o grego Zinos (Adam Bousdoukos), proprietário de um pé-sujo chamado Soul Kitchen, localizado em uma região decadente de Hamburgo. Ele está em uma fase negra: sua namorada decide morar um tempo em Xangai; seu irmão presidiário pede um emprego de fachada no restaurante para poder entrar em regime semi-aberto; um antigo amigo que virou corretor tenta sabotar o restaurante para comprá-lo por um preço baixo; e ele tem um problema nas costas que o impede de continuar cozinhando. A solução é contratar Shayn (Birol Ünel, de “Contra a Parede”), chef talentoso, mas totalmente casca-grossa, que ofende clientes e atira facas no dono do restaurante.

Shayn não lembra nenhum cozinheiro do cinema. Mas remete a chefs de programas de TV, como o escocês Gordan Ramsay (“Hell’s Kitchen”), e de livros, como o americano Anthony Bourdain (“Cozinha Confidencial”). Graças a ele, “Soul Kitchen” liberta o cinema de algumas das principais armadilhas dos filmes culinários, daquela velha combinação de elitismo e sentimentalismo, de frescura e convenção. Para não fugir ao clichê, um filme deveras saboroso.

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01/11/2009 - 21:44

“Dente Canino” é ataque certeiro à correção política

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dog

Se você ainda não viu “A Vila” (2004), de M. Night Shyamalan, pode parar de ler agora, porque aqui vai um spoiler. Se já viu, sabe que o filme é sobre uma comunidade de pessoas que decide criar seus filhos isolados do resto do mundo, sem que estes saibam o que se passa lá fora.

selo_mostraO grego “Dente Canino” – que ganhou o prêmio de melhor filme na mostra Um Certo Olhar do Festival de Cannes e será exibido pela Mostra de São Paulo hoje, às 22h, no Cinemark Eldorado –  tem trama bastante parecida. Mas, em vez do terror poético criado por Shyamalan, o cineasta Yorgos Lanthimos trata seu tema com um humor absurdo.

Nos arredores de uma grande cidade grega, um casal cria seus três filhos – duas mulheres e um homem, já adultos – totalmente isolados, sem permitir que eles jamais deixem os limites da casa ou que sejam expostos ao mundo externo, via TV ou internet. Os pais ainda dão significados novos para palavras de conotação sexual ou violenta. Zumbis, por exemplo, viram flores pequenas e amarelas. O resultado é que os filhos comportam-se como crianças grandes.

A única pessoa de fora que pode entrar na casa é Christina, segurança da fábrica do pai que de tempos em tempos satisfaz as necessidades do filho. É ela quem traz as influências do mundo exterior, como fitas de “Rocky, o Lutador” e “Flashdance”, que acabam provocando um curto-circuito na cabeça dos filhos.

A princípio, é difícil embarcar no humor nonsense de “Dente Canino”. Mas o filme acaba te ganhando ao final com um par de cenas memoráveis – como aquelas em que as filhas tentam reproduzir as principais cenas dos filmes recém-descobertos. Ao final, a produção grega é um ataque certeiro à educação politicamente correta, à ideia de que é melhor não expor os filhos aos males da linguagem chula e da cultura pop.

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