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Arquivo de dezembro, 2009

28/12/2009 - 16:44

Os melhores filmes do ano nunca estrearam no Brasil

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Em meio a uma enxurrada de retrospectivas do ano no cinema, o cineasta Carlos Reichenbach, um habitué deste espaço, conseguiu sair do senso comum e citar um dado novo – e alarmante – em seu blog. Seus cinco filmes estrangeiros preferidos de 2009 não chegaram ao circuito comercial. Ou eles ficaram restritos a festivais e mostras, ou tiveram lançamento exclusivo em DVD ou ainda só puderem ser vistos pela internet.

São eles: “A Ressurreição de Adam” (Paul Schrader), “Vencer” (Marco Bellochio), “Erótica Aventura” (Jean Claude Brisseau), “Guerra ao Terror” (Katherine Bigelow) e “Doce Perfume – Tatarak” (Andrzej Wajda). Eu incluiria à lista ao menos “35 Doses de Rum” (Claire Denis), outra obra-prima ainda não comprada por distribuidoras nacionais. Da lista do cineasta, eu vi apenas o brilhante “Vencer” (único com previsão de estreia no Brasil, em 19 de março). Mas, confiando no olhar de Carlão e no currículo dos diretores, só podemos lamentar a cegueira dos distribuidores.

Graças a Deus existem os festivais e a internet porque, se dependéssemos apenas do circuito comercial, nunca veríamos alguns dos melhores filmes que o cinema internacional produz. Nossa cadeia de distribuição e exibição continua muito aquém do desejado.

Ah, sim, fiquei muito feliz de ver que Carlão colocou entre seus melhores do ano “O Lutador” (Darren Aronofsky), este sim lançado comercialmente, que ficou em terceiro na minha lista e, salvo engano, apareceu em pouquíssimas outras relações. Para mim, é o campeão entre os filmes mais subestimados de 2009.

Aproveito este post para me despedir dos leitores que me aguentaram neste ano. Estarei de volta em 4 de janeiro, com a esperança de que 2010 seja um ano melhor para o cinema, especialmente o brasileiro.

Um abraço e até já.

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25/12/2009 - 21:43

O ano do cinema em 7 minutos

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“1 ano, 342 filmes, 12 meses de produção, 7 minutos”. O holandês Kees van Dijkhuizen condensou o 2009 no cinema de língua inglesa no brilhante vídeo abaixo. Se depender do talento e da dedicação desses moleques-editores do YouTube, acho que o futuro do audiovisual está garantido.

Dica do Rodrigo de Oliveira

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23/12/2009 - 22:06

Como evitar as dores de cabeça ao ver “Avatar”

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avatar_3d_headache

Eu ainda não consegui ver “Avatar”, o que pretendo fazer até o final do ano. Mas os amigos que já assistiram a versão 3-D, em especial os que foram na sala Imax, têm uma reclamação muito parecida: a experiência foi exaustiva para os olhos e terminou em dor de cabeça.

O 3-D sempre foi alvo desse tipo de reclamação. Mas o caso de “Avatar” é um pouco mais grave, já que a duração do filme, o número de detalhes e o tamanho das telas Imax são enormes. Por isso, foi criada a expressão “dor de cabeça Avatar”.

Agora os blogueiros do mundo todo começam a inventariar as razões e os antídotos para o problema. Martin Anderson, do Shadow Locked, levantou uma hipótese bastante razoável.

A dor de cabeça vem da tentativa de enxergar com foco áreas da imagem que foram filmadas intencionalmente fora de foco, com pouca profundidade de campo – opção estética de James Cameron que ajuda a acentuar a ilusão do 3-D, tornando menos necessários truques fáceis como mostrar uma faca atirada na direção do público.

O problema é que nosso olhar “briga” com essa decisão do diretor e tenta colocar em foco essas áreas borradas, o que leva a um curto-circuito cognitivo e causa a dor de cabeça, segundo Anderson.

Segundo ele, o remédio é simples, mas trabalhoso: policiar-se para sempre manter o olhar direcionado para as áreas com foco, como mostra a imagem acima, tirada do Shadow Locked. Ou seja, é uma questão de disciplina. Anderson garante que é melhor que aspirina.

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21/12/2009 - 09:19

Brittany Murphy foi um exemplo de reinvenção

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Apesar da carreira curta, Brittany Murphy foi um exemplo de capacidade de reinvenção. A primeira vez que a vi – e imagino que tenha sido a primeira vez também da maioria dos espectadores – foi como o patinho feio de “As Patricinhas de Beverly Hills”. Quando voltei a encontrá-la nas telas, já tinha se transformado em símbolo sexual em dramas (“8 Mile”), comédias românticas (“Recém-Casados”), adaptações de graphic novels (“Sin City”). Um processo semelhante ao que ocorreu com Penélope Cruz, que foi da irmã feia de “Sedução” a maior musa do cinema espanhol.

A trajetória de Brittany prova que a beleza, sobretudo no cinema, é uma construção. Mas não o talento. Ela o tinha de sobra, se destacava mesmo em filmes menores. E isso explica por que sua carreira cresceu enquanto a da maioria dos atores de “As Patricinhas de Beverly Hills” minguava, especialmente a da protagonista Alicia Silverstone. Segundo relatos lidos aqui e ali, sua carreira só não subiu mais por causa do temperamente difícil. Brittany morreu ontem, aos 32 anos, deixando a sensação de que poderia ir – e poderia ter ido – muito mais longe.

P.S.: gostando ou não de “Lula, o Filho do Brasil”, é claro que toda minha torcida vai para que Fábio Barreto se recupere da melhor e mais rápida maneira possível.

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18/12/2009 - 22:34

Um ano triste para o cinema nacional

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Não, este não foi um bom ano para o cinema brasileiro. Ok, a bilheteria vai crescer em relação a 2008, puxada pelo sucesso de “Se Eu Fosse Você 2”. Mas, em termos de qualidade, não há muito o que comemorar. Por isso, não farei uma lista de melhores filmes nacionais de 2009.

No ano passado, foi o contrário: o público diminuiu, mas não faltaram grandes filmes. Para começar, houve a obra-prima “Serras da Desordem”, de Andrea Tonacci. E também um belíssimo documentário (“Pan-cinema Permanente”, de Carlos Nader), um ponto alto na carreira de um cineasta consagrado (“Linha de Passe”, de Walter Salles), a volta por cima de um veterano (“Encarnação do Demônio”, de José Mojica Marins), o melhor filme da carreira de outro (“Nome Próprio”, de Murilo Salles).

A rigor, na minha opinião, só houve um grande filme nacional em 2008: o pouco comentado “A Erva do Rato”, de Julio Bressane, que mais uma vez nos lembrou que adaptação é um trabalho de invenção. Além disso, apenas uma bonita estreia em longa de Eduardo Valente com “No Meu Lugar”, um início de carreira promissor para o jovem Matheus Souza com “Apenas o Fim” e um ou outro documentário simpático.

Para ser justo, não vi dois filmes bem recomendados por colegas: “Hotel Atlântico”, de Suzana Amaral, e “É Proibido Fumar”, de Anna Muylaert. Se conseguir vê-los até o final do ano e me fizerem melhorar minha opinião, escrevo aqui. Ah, sim, preciso confessar que não sou um fã de “Moscou”, último filme de um do grande Eduardo Coutinho, mas respeito imensamente os riscos que ele decidiu correr com seu documentário.

De resto, algumas decepções (“Besouro”, “Budapeste”, “Garapa”, “Salve Geral”), a confirmação de que o nível médio do nosso cinema “popular” está muito baixo (“Os Normais 2”, “A Mulher Invisível”, “Divã”) e muitas produções abaixo da crítica.

Agora é torcer para que 2010 não apenas confirme as previsões de boas bilheterias, mas que permita uma lista de melhores filmes brasileiros no final do ano.

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16/12/2009 - 22:51

Os 10 melhores filmes de 2009

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 Ainda faltam duas semanas para o final do ano, ainda haverá a estreia de filmes muito aguardados que não vi (de “Avatar” a  “Ervas Daninhas”), ainda não consegui tirar o atraso de filmes muito recomendados por amigos que já saíram de cartaz (“Aquele Querido Mês de Agosto”, “Inimigos Públicos” e outros).

Mas, sim, chegou a hora do balanço de 2009 no cinema. Depois de eleger os 10 mais dos anos 00, agora é a vez daos melhores filmes que estrearam no circuito comercial brasileiro neste ano – só que, agora, vou arriscar uma ordem de preferência. Aí vai minha lista:

1. “Bastardos Inglórios” – a jovial maturidade de um novo mestre, Quentin Tarantino

2. “Entre os Muros da Escola” – brilhante construção ficcional travestida de documental

3. “O Lutador” – se os irmãos Dardenne tomassem esteróides, eles teriam feito este filme

4. “Desejo e Perigo” – Ang Lee é o clássico do cinema contemporâneo

5. “Amantes” – James Gray transforma o banal em extraordinário

6.  “Gran Torino” – o menor Clint Eastwood ainda é gigante

7. “Se Beber, Não Case” – a melhor e mais subestimada comédia do ano

8. “Polícia, Adjetivo” – Mais uma prova de que esses romenos sabem tudo de cinema

9. “O Fantástico Sr. Raposo” – A arte de transformar raposas em… Jason Schwartzman

10. “Bruno” – O ápice e a decadência do humor de Sacha Baron Cohen

Amanhã será a vez de um balanço do ano no cinema brasileiro. Mas, antes disso, pode mandar a sua lista dos dez mais de 2009 e, claro, reclamar da minha.

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16/12/2009 - 01:42

“Lula, o Filho do Brasil” é um filme de língua presa

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O maior problema de “Lula, o Filho do Brasil” – que finalmente vi em pré-estreia ontem – não é a possibilidade de ser usado para fins eleitoreiros.

O maior problema de “Lula, o Filho do Brasil” não é fazer uma hagiografia do nosso presidente, o retrato de um homem santo, quase sem defeitos.

O maior problema de “Lula, o Filho do Brasil” é a língua presa. Ou, às vezes, a falta de língua presa.

Explico: na maior parte da projeção, Rui Ricardo Dias interpreta Lula imitando sua fala, com a indefectível língua presa e a voz rouca. Nesses momentos, o filme ganha um involuntário tom cômico, como se estivéssemos presenciando uma imitação de Lula por Bussunda ou outro comediante.

Mas, a partir de determinado momento (mais especificamente, quando Lula deixa a barba crescer), Dias deixa de lado a mimetização e cria uma nova forma de falar para Lula, sem língua presa ou rouquidão. Dá a sensação de que outro personagem ou outro ator ocupou a tela.

Das duas uma: ou Fábio Barreto fez um filme de vanguarda (um pouco como Buñuel em “Esse Obscuro Objeto do Desejo”, em que usou duas atrizes para o mesmo personagem) ou foi um erro bizarro para uma produção de R$ 17 milhões. Conhecendo a obra do diretor, só posso apostar na segunda opção.

Talvez você diga: é um problema menor para um filme com tantas questões problemáticas envolvidas. Sim, pode ser um detalhe, mas é um detalhe que acaba tirando qualquer resquício de fé que alguém possa ter no filme. Isso e o letreiro final…

*

Vamos deixar um pouco de lado as questões políticas. Como cinema, “Lula, o Filho do Brasil” é basicamente um filme ruim. E a comparação aqui, para deixar claro, não é um Glauber ou um Antonioni. E sim um “2 Filhos de Francisco”, para ficar no tema das pessoas que saíram do nada com a ajuda dos familiares.

Em resumo, “Lula, o Filme do Brasil” é bem pior que “2 Filhos de Francisco”. Fábio Barreto é incapaz de articular a narrativa e gerar emoção com a mesma competência de Breno Silveira. Mas o filme sobre Lula não chega a ser o desastre anunciado. Descontada a questão da língua presa e do letreiro final, ele não é muito pior, por exemplo, do que “Salve Geral”.

*

Agora entrando na seara política, não consigo concordar com a ideia de que o filme vai ajudar a candidatura Dilma. Quem gosta de Lula e assistir ao filme irá reforçar o desejo de votar na candidata do PT. Já quem gosta de cinema e ver o filme provavelmente irá procurar um outro candidato, aborrecido com a manipulação tosca do final.

*

A Dona Lindu, mãe de Lula, tal como representada no filme pode ser vista de duas formas: ou ela é um poço de sabedoria popular ou uma pioneira dos clichês de auto-ajuda. Ela vive repetindo chavões consagrados (“A rapadura é doce, mas não é mole não”, “devagar com o andor que o santo é de barro) ou de lavra própria (“se você não consegue, você espera” ou “se você não consegue, você teima”).

*

Milhem Cortaz (que aqui interpreta o pai de Lula) babando em cena já virou um clássico do cinema nacional.

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11/12/2009 - 22:58

Overdose de filmes nacionais é problema, não solução

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embarque Nesta sexta-feira, houve a estreia de nada menos do que seis filmes brasileiros, quatro deles documentários: “BR-3 – A Peça”, “BR-3 – O documentário”, “Diário de Sintra”, “Embarque Imediato” (na foto à esq., com Jonathan Haagensen e Marília Pêra), “Ouro Negro” e “Praça Saens Peña”. Um sétimo, “O Retorno”, estreou no Rio de Janeiro, depois de encerrar carreira em São Paulo.

Ao ler a informação acima, algum desavisado provavelmente pensará: bela demonstração da força do cinema nacional, um bom motivo para comemorar. Na verdade, é justamente o contrário. Todos são filmes pequenos, que disputam um mercado parecido. Jogá-los ao mesmo tempo no cinema significa reduzir ainda mais suas já pequenas perspectivas de público.

Desses seis filmes, três são co-distribuídos pela Riofilme, que parece ter despertado depois de um longo sono. Cada um deles precisa de um trabalho de lançamento e divulgação muito intensivo e específico, para que possam acontecer. Será possível que a distribuidora consiga fazer bem esse trabalho com três filmes ao mesmo tempo?

Para mim, os lançamentos desses filmes se assemelham a uma boiada rumando em direção a um abatedouro. É muito difícil que algum deles se desgarre e sobreviva ao massacre.

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10/12/2009 - 22:47

Ang Lee falha na tentativa de traduzir Woodstock

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Depois de duas obras-primas seguidas de Ang Lee (“O Segredo de Brokeback Mountain” e “Desejo, Perigo”), é inevitável sentir uma certa frustração diante de “Aconteceu em Woodstock”, novo filme do cineasta taiwanês, que estreia nesta sexta-feira. Não que seja um mau filme. Mas é um peso-pena diante dos pesos-pesados que Lee andava dirigindo.

“Aconteceu em Woodstock” é a adaptação do livro de mesmo nome de Elliot Tiber, que foi um personagem secundário, mas decisivo para a realização do maior evento da contracultura mundial. Filho dos donos de um hotel decadente na pequena White Lake, ele tinha uma licença para realizar festivais de música e decidiu usá-la para abrigar Woodstock.

O filme se concentra no choque da mentalidade repressora dos pais judeus e vizinhos reacionários de Tiber com o espírito libertário trazido à cidade pelo festival. Cineasta clássico e intimista, especialista em sentimentos não declarados, Lee não consegue traduzir para a tela a extroversão e o hedonismo simbolizados Woodstock. E, portanto, ele falha na missão básica de mostrar o impacto do festival em seu protagonista.

O resultado é um filme correto, que ilustra os episódios que concretizaram a realização de Woodstock, mas convencional – um problema que, por contraste, se torna mais grave quando o tema de seu filme é um evento revolucionário.

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08/12/2009 - 00:47

Bola de cristal revela bom 2010 para cinema nacional

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Vamos brincar um pouco de bola de cristal. Na minha, começam a aparecer sinais de que o 2010 do cinema brasileiro será ótimo, ao menos em termos de público. Com base em uma lista de lançamentos do site Filme B, é possível arriscar que o próximo ano será o segundo melhor do período da retomada, logo abaixo de 2003, que registrou mais de 22 milhões de espectadores para filmes nacionais.

Quais são os indícios? Primeiro, claro, “Lula, o Filho do Brasil”, que estreia em janeiro. Talvez o filme não chegue aos 10 milhões de espectadores desejado pelo produtor Luiz Carlos Barreto. Mas dá para dizer, sem medo de errar, que ele quebrará o recorde de público da retomada que hoje pertence a “Se Eu Fosse Você 2”, que teve mais de 6 milhões de ingressos vendidos.

Até aí, foi fácil. Agora uma previsão mais ousada: “Chico Xavier”, biografia do médium mineiro com a assinatura de Daniel Filho, vai se aproximar da casa dos 5 milhões de espectadores. De onde vem essa certeza? Do sucesso de “Bezerra de Menezes”, filme modesto que levou mais de 400 mil pessoas ao cinema apenas com seu chamariz espírita, quase sem campanha de marketing.

Para finalizar, chuto outros quatro filmes que, a meu ver, vão ultrapassar a barreira de 1 milhão de espectadores: “Quincas Berro D’Água”, “Bruna Surfistinha”, “O Bem Amado” e “Tropa de Elite 2”. Ou seja, seis filmes acima dessa marca – um a menos que em 2003.

Minha bola de cristal só não consegue me dizer se 2010 será bom em termos de qualidade. Aí só Deus sabe. Nesse caso, as previsões são retroativas. Só dá para afirmar que 2009 foi decepcionante nesse sentido. Mas isso vai merecer um outro post em breve.

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