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10/12/2009 - 22:47

Ang Lee falha na tentativa de traduzir Woodstock

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Depois de duas obras-primas seguidas de Ang Lee (“O Segredo de Brokeback Mountain” e “Desejo, Perigo”), é inevitável sentir uma certa frustração diante de “Aconteceu em Woodstock”, novo filme do cineasta taiwanês, que estreia nesta sexta-feira. Não que seja um mau filme. Mas é um peso-pena diante dos pesos-pesados que Lee andava dirigindo.

“Aconteceu em Woodstock” é a adaptação do livro de mesmo nome de Elliot Tiber, que foi um personagem secundário, mas decisivo para a realização do maior evento da contracultura mundial. Filho dos donos de um hotel decadente na pequena White Lake, ele tinha uma licença para realizar festivais de música e decidiu usá-la para abrigar Woodstock.

O filme se concentra no choque da mentalidade repressora dos pais judeus e vizinhos reacionários de Tiber com o espírito libertário trazido à cidade pelo festival. Cineasta clássico e intimista, especialista em sentimentos não declarados, Lee não consegue traduzir para a tela a extroversão e o hedonismo simbolizados Woodstock. E, portanto, ele falha na missão básica de mostrar o impacto do festival em seu protagonista.

O resultado é um filme correto, que ilustra os episódios que concretizaram a realização de Woodstock, mas convencional – um problema que, por contraste, se torna mais grave quando o tema de seu filme é um evento revolucionário.

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8 comentários para “Ang Lee falha na tentativa de traduzir Woodstock”

  1. gilvas disse:

    ricardo, sobra um “consegue” no terceiro parágrafo, e aparece um “woodstAck” no terceiro. apaga isto depois de ler.

    • ricardo calil disse:

      obrigado pelo toque, gilvas. está lá corrigido. um abraço, ricardo

  2. Mario disse:

    Sr. Ricardo,
    apenas para ficar registrado, por natureza “obra prima” só pode ser uma.
    Mario

  3. Hiran Pinel disse:

    Eu amo o filme Brokeback…. Ele me narra independente de orientação sexual. Acho de um intimismo vital… Por isso posso imaginar as dificuldades de um intimista (Lee) narrar algo que se caracteriza fundamentalmente pelo social, cultural, extroversão, entrega histérica, uma alegria agitada e socializada, oposição ao estabelecido. Não que o intimismo não seja também marcado pelo cultural e social, mas que o foco primordial de uma e outra narrativa serem, didatica e existencialmente, vividas de modos diferenciados… Sei lá… Comento, pois amo Brokeback… É um filme que impõe que deixemos nossa narrativa de vida também…. Acho… Não sei se “falei”, mas eu amo Ang Lee e vou assistir esse outro “Aconteceu em Woodstock”. Pra falar a verdade, a vida mesma é assim: uma misturança “introversão-extroversão”.

  4. Maria disse:

    Caro Ricardo,

    lembro de ter assistido ao Desejo e Perigo depois de ter lido sua crítica e o elogio à interpretação (o olhar) do Tony Leung. Apesar desta não ser tão favorável, arriscarei para ver se concordo contigo.
    abs, ótimo final de semana,

    Maria

  5. Adriano disse:

    Por essas e outras que o mundo está do jeito que está…

  6. Rafael disse:

    Assisti “O Segredo de Brokeback Mountain” e gostei muito. O outro filme do Ang Lee que veio depois não assisti, mas gostei muito de um antigo dele “O banquete de casamento”.

  7. Terence disse:

    Bah, Calil,
    Eu vi o Desejo e Perigo um dia antes de Aconteceu em Woodstock.
    Achei o primeiro uma superprodução OK! e saí do “Aconteceu” com a nostalgia estranha de um tempo não vivido.
    Adorei o filme e fui procurar fotos do evento. A recriação do filme de Lee é primorosa e ele me jogou na lama mesmo sem chegar perto do palco.

Os comentários do texto estão encerrados.

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