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11/01/2010 - 22:52

Eric Rohmer dança no paraíso do cinema

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Eric Rohmer dirigiu mais de 50 filmes para o cinema e a televisão, muitos deles inesquecíveis. Mas curiosamente a imagem que fica, para mim, do cineasta francês – que morreu hoje, aos 89 anos, em Paris – vem da internet. Eu a vi pela primeira vez não faz nem uma semana: Rohmer dança na filmagem de algum de seus trabalhos, um filme que não consegui identificar, provavelmente para mostrar o que queria dos atores.

A cena tem graça, tem leveza, tem ainda a marca longevidade, algumas das características que associo naturalmente a Rohmer. Claro, faltam os personagens falando pelos cotovelos, sobre temas banais ou intelectuais– o que talvez seja o atributo mais lembrado, mais facilmente reconhecível, de sua obra. Isso levou a uma visão apressada, injusta, de um cineasta literário, mais conservador do que seus colegas de Nouvelle Vague, como Godar, Truffaut, Chabrol e Rivette.

Na verdade, Rohmer é um cineasta plenamente moderno. As palavras de seus personagens são uma cortina de fumaça. Graças a elas, eles conseguem construir uma outra imagem de si próprios, racionalizar sobre questões que vão além da razão, esconder sentimentos latentes.

Mas, sim, há uma relação entre o cinema de Rohmer e a literatura. Mas ela não se encontra no seu gosto pelos diálogos. E sim na estrutura de seus filmes, que lembram contos por se concentrarem em geral num episódio simples, com poucos personagens. A herança assumida até mesmo no nome de suas principais séries de filmes: os Contos Morais do início da carreira, as Comédias e Provérbios baseadas em frases cunhadas por grandes escritores, os Contos das Quatro Estações.

É uma questão de afinidade, mas também de necessidade: para continuar filmando sempre, Rohmer escolhia histórias que exigiam equipe e elenco reduzidos. Muitas vezes, a trama não poderia ser mais simples: um homem casado se interessa por outra mulher, divaga sobre a traição, mas nunca chega a concretizá-la; uma jovem em férias fantasia sobre um caso com um homem, mas acaba se aproximando de outro; e assim por diante.

A obra de Rohmer em geral é sobre tudo aquilo que não acontece. O que leva a outra ideia equivocada sobre seu cinema: a de que seus filmes são lentos. Isso gerou até uma piada em “Night Moves” (1975), de Arthur Penn, dita por Gene Hackman: “Assistir aos filmes de Rohmer é como ver tinta secar”. Mas o que a frase de efeito ignora é que o movimento dos personagens é interno, um turbilhão geralmente disfarçado pelas palavras.

Sou tomado por uma sensação curiosa ao ver ou rever a obra de Rohmer: a vontade de morar dentro de seus filmes, de jogar conversa fora com seus personagens, de enfrentar dilemas morais e afetivos parecidos com leveza e serenidade. Talvez seja difícil apaixonar-se pelos filmes de Rohmer à primeira vista, mas, com o tempo, a admiração torna-se um amor profundo.

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5 comentários para “Eric Rohmer dança no paraíso do cinema”

  1. Juliane disse:

    Adorei o texto… Sabias palavras sobre o incrível Rohmer e seu cinema único… Perfeito!

  2. fábio disse:

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    ………………………………Qui,….Deus,…ô,….tênha.
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  3. Marcela Medina disse:

    Uma vez li sobre Conto da primavera: é um filme em que não acontece nada, os personagens falam pelos cotovelos, não tem sexo, não tem suspense, não tem emoção. Chato, como o cinema francês. Eu tinha acabado de assistir ao Conto e pensei no vazio existencial que move pessoas a definirem uma obra, qualquer obra, dessa forma. Rohmer nunca cultivou esse vazio. Sem pretensão alguma, posso dizer que seu cinema é para poucos. Uns poucos iluminados que compartilham com ele a percepção da poesia que a vida, e nada mais, já tem em si mesma.

  4. fábio disse:

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    ………………………………………………………………………………………………..
    …………………………O único filme francês que eu
    …………………………………………….gostei,
    ……………………………………………….foi,
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    …………………………….” A RAINHA MARGÔ..”.
    …………………………………………………………………………………………………
    ……..Que acho que é produção,..francesa, Belga e inglesa,
    ……………………………….sê não me engano.
    …………………………………………………………………………………………………
    …………………Sempre achei o cinema frances um,
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    ………………………………”..pié,…….nul,…..sacÔl.”…!
    ………………………………………………………………………………………………..
    …………………E apesar da mórte do diretor francês,… Éric,
    ………………………………………………eu,
    ……………………………………… na verdade,
    …………………………………………….estou
    ………………………………………….torcendo,
    ……………………………………..é pela mórte da,
    …………………………………………………………………………………………………
    …………………………………………….Hébe.
    ………………………………………………………………………………………………..
    ……………..Sê deus é brasileiro,…..ele nôs livrará déssa,
    ………………………………………..famigerada,
    ………………………………….. “grachiiiiiiiiiiinha”,
    ………………………………………….levando-a,
    ……………………………………………..para
    ………………………………………………. o,
    …………………………………………….inférno.
    ………………………………………………………………………………………………..
    ………………………………………………………………………………………………..
    …………………………………………….AMÉM.
    ………………………………………………………………………………………………..
    ……………………………………………………………………………………………….

  5. Eric Rhomer ( érique rhomé) é um cineasta de grandes emoçoes e dialogos primorosos. Bela fotografia .
    Seus filmes são contos de amor ao cinema com tramas muito bem conduzidas num concerto de Camera. Assim como uma m´suica de Brahms que toca no fundo da emoção feita poesia em belas e eternas imagens consagradas por um grande mestre do cinema.
    Digno representante da nouvelle Vague que tem na palavra bem dita e em bom frances sua marca de um grande cineasta.

Os comentários do texto estão encerrados.

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