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Arquivo de janeiro, 2010

09/01/2010 - 22:39

“Amor Extremo” filma transgressão com pudor

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Antes da estreia de “Amor Extremo”, houve um certo buchicho sobre uma cena lésbica com Keira Knightley e Sienna Miller nuas em uma banheira. Quando o filme veio à luz, foi uma frustração. Não há nada na cena, nem nudez, nem sexo, nem mesmo uma insinuação de homoerotismo. Esses ingleses são fogo: até quando eles querem ser sensacionalistas e oportunistas, até quando eles querem brincar com a fantasia masculina de uma transa entre duas das maiores musas do cinema britânico atual, eles terminam sendo pudicos.

“Amor Extremo”, que estreou no Brasil nesta sexta-feira, não chega a ser um mau filme. Mas tem aquele tom formal, quase pomposo, da maioria dos dramas históricos britânicos – uma tendência que, aqui, é agravada pelo fato de abordar a vida de um venerável artista real. O filme é um trabalho de especulação sobre um triângulo amoroso formado pelo poeta galês Dylan Thomas (Matthew Rhys), sua mulher Caitlin (Miller) e seu amor de infância Vera (Keira Knightley) durante a Segunda Guerra Mundial. Em pouco tempo, entra em cena um quarto elemento, o oficial do Exército William (Cillian Murphy), que se casa com Vera, parte para a guerra e volta traumatizado.

O filme estabelece um contraste interessante entre a reação dos homens e das mulheres a essa situação delicada. Enquanto elas conseguem se adaptar e se transformar ao longo do percurso, eles permanecem imóveis, em suas posições iniciais: o brilhante, cínico, arrebatado Thomas de um lado; o inseguro, ciumento, comedido William do outro. É uma pena que o diretor John Maybury (“Love is the Devil”) filme essa bela história como se fosse William, e não Thomas. Para os britânicos, até o amor extremo deve ser recatado.

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08/01/2010 - 22:38

“Sherlock Holmes” traz o detetive ao século 21

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“Sherlock Holmes” é uma boa surpresa. Ou, pelo menos, é uma boa surpresa para aqueles que, como eu, não são admiradores de seu diretor, o inglês Guy Ritchie. No novo filme, ele volta mais contido, menos rococó, sem os maneirismos de filmes como “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes” (1998) e “Snatch – Porcos e Diamantes” (2000).

Ainda há uma ou outra firula, uma aceleração de tempo aqui, uma desaceleração acolá. Mas, na maior parte do tempo, Ritchie joga a favor do filme, da sua história e de seus personagens. E não do efeito fácil, da poeira nos olhos, do próprio currículo.

Seu “Sherlock” é uma locomotiva hollywoodiana bem azeitada, em que cada vagão – roteiro, direção, atores – cumpre sua função a contento. Mas há um destaque: Robert Downey Jr., principal responsável por tornal crível a atualização do detetive criado pelo escritor Arthur Conan Doyle.

O novo Sherlock é não apenas um gênio da lógica dedutiva, como também é bom de briga como o Brad Pitt de “Clube da Luta”. E, sim, também é um homem com uma séria queda homoerótica por seu fiel escudeiro Watson, interpretado por Jude Law.

As mudanças de perfil de Sherlock incomodaram os puristas. Mas esta é a proposta do filme: trazer Sherlock para o século 21. E isso o filme consegue, ao criar um anti-herói cínico, vaidoso, anabolizado e sexualmente ambíguo.

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07/01/2010 - 22:00

20 filmes para não perder em 2010

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De volta ao batente depois das férias, dou uma olhada no site do FilmeB para conferir a lista de estréias previstas para o Brasil em 2010 e tentar entender como será o ano no cinema. E logo descubro mais de uma dezena de filmes para aguardar com ansiedade. O ano promete. Lá vão minhas prioridades em 2010, por ordem de estreia:

1) “Vício Frenético” (15 de janeiro)

As críticas no exterior não foram tão positivas. Mas é uma refilmagem de Abel Ferrara por Werner Herzog, então não dá para ficar indiferente.

2) “O que resta do tempo” (15 de janeiro)

O cineasta palestino Elia Suleiman fez “Intervenção Divina”, um dos melhores filmes dos anos 00. Seu novo trabalho foi o filme preferido em Cannes do crítico pernambucano Kleber Mendonça Filho. Suficiente para incluí-lo na lista.

3) “Invictus” (29 de janeiro)

A história de Mandela, interpretado por Morgan Freeman, dirigida por Clint Eastwood. Acho que não precisa dizer muito mais.

4) “Guerra ao Terror” (5 de fevereiro)

O filme já foi lançado em DVD no Brasil. Mas agora virou um dos favoritos ao Oscar e, por isso, chegará à tela grande por aqui também. É considerado um trabalho forte o suficiente para promover uma reavaliação da obra da americana Kathryn Bigelow, a diretora de “Caçadores de Emoção”.

5) “Um Homem Sério” (19 de fevereiro)

A nova comédia dos irmãos Coen passou meio despercebida nos EUA. Mas eu sempre os considerei melhores no humor do que na seriedade. Então vale a aposta.

6) “A Fita Branca” (12 de março)

Não é porque o filme ganhou a última Palma de Ouro em Cannes. E sim porque o diretor é Michael Haneke. Quem tem “Caché” no currículo merece crédito.

7) “Ilha do Medo” (12 de março)

Martin Scorsese e Leonardo DiCaprio voltam a se unir, desta vez para um exercício policial, menos pretensioso que “Gangues de Nova York” ou “O Aviador”. Se estiver no nível de “Os Infiltrados”, estou dentro.

8) “Líbano” (12 de março)

A primeira guerra do Líbano vista de dentro de um tanque israelense. Premissa intrigante, premiada como melhor filme em Veneza.

9) “Mother” (19 de março)

Joon-ho Bong, o diretor sul-coreano de “O Hospedeiro”, abraça o suspense. Quem viu na Mostra de São Paulo diz que é imperdível.

10) “Tudo Pode Dar Certo” (março)

Por menor que seja, um Woody Allen é sempre melhor que 90% dos filmes em cartaz. Esse vem com boas críticas. E marca o reencontro de Allen com Nova York.

11) “Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo” (março)

Dois dos melhores cineastas brasileiros – Karim Ainouz (“Céu de Suely”) e Marcelo Gomes (“Cinema, Aspirinas e Urubus”) – se unem numa pequena jornada pessoal e poética.

12) “Alice no País das Maravilhas” (2 de abril)

Tim Burton relê o clássico de Lewis Carrol. Basta ver o trailer para saber que ele caprichou.

13) “Sede de Sangue” (2 de abril)

Depois de “Old Boy”, o sul-coreano Park Chan Wook deu umas derrapadas. Mas a crítica diz que ele acertou a mão de novo.

14) “Ponyo on the Cliff by the Sea” (16 de abril)

Qualquer filme do mestre da animação japonês Hayao Miyazaki (“A Viagem de Chihiro”) é obrigatório.

15) “Zona Verde” (16 de abril)

Paul Grengrass e Matt Damon, que reinventaram o filme e o herói de ação com a série “Bourne”, juntos novamente.

16) “A Batalha dos Três Reinos” (30 de abril)

John Woo andava meio sumido. Mas dizem que voltou em grande estilo com esse épico feito na China.

17) “Homem de Ferro 2” (30 de abril)

O primeiro “Homem de Ferro” foi uma agradável surpresa, um dos melhores filmes de super-herói de sua década. Se a equipe mantiver o fôlego, vale o ingresso.

18) “Quincas Berro D’Água” (30 de abril)

Sergio Machado estreou bonito no longa de ficção com “Cidade Baixa”. E agora se arrisca na comédia de grande orçamento, baseada no clássico de Jorge Amado. Promessa de vida inteligente no cinema popular brasileiro.

19) “O Último Mestre do Ar” (23 de julho)

M. Night Shyamalan adapta o desenho animado “Avatar”. Agora é torcer para que o filme fique no núcleo duro da obra do cineasta (“Sexto Sentido”, “A Vila”) e não no núcleo flácido (“A Dama no Lago”, “Fim dos Tempos”).

20) “The Social Network” (3 de dezembro)

David Fincher foi para outro patamar com a obra-prima “Zoodíaco”. Impossível não ficar curioso com um filme sobre a criação do Facebook com sua assinatura

Dê uma olhada na relação de estreias do FilmeB e diga lá qual é a sua lista de prioridades.

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