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25/02/2010 - 19:02

Oscar para filme argentino estaria em boas mãos

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No cinema argentino, há cineastas que arriscam, que experimentam, como Lucrecia Martel e Lisandro Alonso. E há diretores que são narradores competentes, bons contadores de história, como Fabian Belinsky ou Juan José Campanella.

Diretor de “O Filho da Noiva” e “Clube da Lua”, Campanella leva seu cinema narrativo a um novo patamar com “O Segredo dos Seus Olhos”, produção argentina que concorre ao Oscar de melhor filme estrangeiro e que estreia nesta sexta-feira no Brasil.

Ele mantém alguns pontos essenciais de sua obra – o tom agridoce, levemente melancólico e nostálgico, a ênfase nos diálogos, a presença do excelente Ricardo Darín como protagonista. Mas exibe um domínio da narrativa e da linguagem que nunca havia mostrado antes.

O momento que deixa isso mais patente é um impressionante plano-sequência (uma tomada sem cortes aparentes) de cinco minutos, em que a câmera começa com uma tomada aérea de um estádio de futebol, passa por uma jogada do clube Racing, chega a um close do protagonista na arquibancada e termina em uma para uma perseguição pelos corredores do estádio.

Mas Campanella vai além desse momento de virtuosismo: ele alterna com total segurança os tempos da narrativa, entre o presente e o passado, e os gêneros cinematográficos. “O Segredo dos Seus Olhos” é, na essência, um suspense, mas passeia pela comédia, pelo romance, pela política.

Na história, um oficial de Justiça (Darín) se aposenta e decide escrever um livro sobre uma investigação do passado, um estupro seguido do assassinato de uma jovem mulher, no início dos anos 70. Ao revisitar o caso do passado, e suas implicações na história argentina (então uma ditadura militar) e em sua história pessoal (marcada por um romance com sua ex-chefe), o personagem coloca em xeque a sua vida atual.

Campanella conduz seu filme dentro das convenções do cinema narrativo, mas o faz com uma elegância inédita em sua carreira. Um Oscar de filme estrangeiro estaria em boas mãos.

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8 comentários para “Oscar para filme argentino estaria em boas mãos”

  1. luana disse:

    Viva Orlando Zapata Tamayo! Uma homenagem para a Senhora Reina. Obrigada Calil.

  2. Miriam disse:

    Sempre gostei muito dos filmes argentinos, porque eles em sua maioria apresentam muita nobreza de alma. Fiquei feliz ao saber que tem um concorrendo ao Oscar de melhor filme estrangeiro este ano e estarei torçendo por ele.

  3. Bellinha disse:

    O filme é um dos melhores que já assisti uma trama ótima que vc so sabe realmente no final o que acontece.
    Fora isso os atores são ótimos, ganhou o Goya de melhor filme estrangeiro e de melhor atriz revelação.
    Estou torcendo muito por ele.

  4. Heloisa disse:

    Já assisti.
    Espetacular!!!
    Será difícil ter outro melhor.

  5. mandacaru disse:

    Os argentinos sabem como fazer um bom filme. Os feitos sobre o período dos anos de chumbo, são muito bons. Los hermanos hacen buenas peliculas.

  6. todos disse:

    Viva Orlando Zapata Tamayo! Uma homenagem para a Senhora Reina. Obrigada Calil

  7. Eduardo disse:

    Uma droga…

  8. Marleide disse:

    Foi uns dos melhores filmes da categoria de estrangeiro que já assisti!!! Valeu a pena,

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