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Arquivo de março, 2010

30/03/2010 - 00:25

Vida longa ao Big Brother

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Mesmo sem saber o vencedor do “Big Brother 10” (que, a julgar pela enquete do IG, deve ficar entre Dourado e Fernanda), já é possível fazer um balanço desta edição:

1) Este foi o melhor elenco dos dez anos do “BBB Brasil”. Pela primeira vez, uma edição deixou a sensação de que não havia coadjuvantes no programa, de que qualquer candidato poderia virar protagonista em um dado momento, de que ninguém estava ali a passeio.

2) Este foi também o ano em que a “direção de atores” se fez mais evidente. Nos momentos em que um candidato se mostrava passivo demais, a direção do programa o cutucava para acordar para o jogo. O caso mais evidente foi o de Fernanda, que ouviu de Boninho a ordem para liberar geral nas festas.

3) Esta foi a edição em que a direção assumiu de vez que o programa é mais show do que reality, de que vale tudo no jogo pela audiência. O Deus do “BBB” nunca foi tão cruel, como mostraram as várias provas de resistência. E o telespectador tornou-se cúmplice, ao escolher o castigo dos candidatos no teste do carro. Nem o espectador pôde ser passivo desta vez.

4) Isso significa que esta foi a melhor edição da história do “BBB”? Não. As razões vêm a seguir.

5) O primeiro problema foi de edição, de montagem, muito menos inspirada que em anos anteriores. Houve uma ou outra boa sacada – como a novelinha em portunhol que ironizava o fato de os candidatos representarem como se estivessem em uma novela real. Mas elas foram poucas – e repetitivas. O recurso ao portunhol, por exemplo, foi usado à exaustão.

6) Paradoxalmente, a força do elenco também foi um problema. Em outras edições, quase sempre se delineava um conflito dramático entre os protagonistas (os pobres contra os ricos da edição ganha por Cida, os bons contra os maus das edições vencidas por Jean e Alemão). Desta vez, os conflitos se formavam, mas logo se esvaziavam. Foi o caso da rivalidade entre Dourado e ala gay. Em um momento, este prometia ser o eixo do programa. Mas em pouco se formou outro pólo de tensão – e outro e mais outro. Talvez a complexidade dos personagens tenha dificultado a tentativa de encaixá-los em uma narrativa folhetinesca tradicional.

7) O último problema desta edição, mas não o menor, foi Pedro Bial. O apresentador sempre foi um trunfo do programa – e, nas duas (fracas) edições anteriores, foi também o protagonista. Neste ano, porém, ele “surtou”. Em vários momentos, fez comentários que deveriam ser espirituosos, mas que soaram apenas grosseiros. Em outros, parecia mais perdido que os candidatos. TV ao vivo não é fácil, e Bial já mostrou do que é capaz. Vamos torcer para que ele retorne à “normalidade” na próxima edição, porque o “BBB” precisa de um Bial relativamente são.

8) Apesar das ressalvas, o “BBB” continua sendo o programa mais intrigante da TV brasileira – só não sabemos se isso fala mais sobre as qualidade do programa ou sobre a falta de qualidade da TV brasileira. A conferir nos próximos capítulos.

Para finalizar, aqui vai um link para uma história em quadrinhos simpática que ironiza justamente tentativas pomposas como esta de fazer uma crítica do “Big Brother”.

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26/03/2010 - 22:33

“Homens que Encaravam Cabras” é um desperdício

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“Os Homens que Encaravam Cabras” não é uma decepção, mas é um desperdício. Desperdício de um grande premissa: a história real de uma unidade do Exército americano com militares paranormais, que acreditavam ser possível matar cabras, atravessar paredes de concreto ou tornar-se invisível apenas com o poder da mente – um segredo revelado pelo livro de Jon Ronson no qual o filme se baseia livremente.

O diretor Grant Heslov (roteirista de “Boa Noite e Boa Sorte”) pega essa história real para alimentar uma sátira ficcional à moda dos irmãos Coen. Na trama, um jornalista de uma cidade pequena (Ewan McGregor), após ser traído pela mulher com seu editor, decide ir ao Iraque em guerra para encontrar uma boa reportagem.

Ali conhece o ex-oficial do Exército Lin Cassidy (George Clooney), que foi a estrela da unidade de espiões paranormais. Enquanto eles fogem de terroristas, Lin conta ao repórter a historia da unidade Nova Terra, do coronel hippie que a fundou (Jeff Bridges) e do oficial que a sabotou (Kevin Spacey). Por uma série de reviravoltas, o repórter irá acabar conhecendo todos os envolvidos.

É uma história fantástica – e, em grande parte, real. Heslov até consegue aproveitá-la para criar um ou outro momento de boa comédia recorrendo a velhos truques – como cenas de militares durões aprendendo a dançar ou surtando depois de tomar LSD sem saber.

Mas é pouco para uma premissa tão excepcional e para um elenco estrelado com pendor para a comédia. Heslov não sabe muito bem se ataca o absurdo do militarismo ou o patético do misticismo. Não sabe se tem simpatia ou desprezo por seus militares gauches. Fica no meio do caminho. No final, o resultado é um sub-irmãos Coen – que, recentemente, fizeram uma crítica ao militarismo muito mais interessante em “Queime Depois de Ler”

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19/03/2010 - 22:28

‘Criação’ reduz conflitos de Darwin a drama conjugal

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As cinebiografias de homens veneráveis das artes e da ciência parecem seguir duas regras básicas, especialmente se elas forem britânicas:

1) os conflitos existenciais dos biografados devem ser reduzidos a um drama familiar.

2) o tom deverá ser levemente solene, quando não francamente pomposo.

“Criação”, a cinebiografia de Charles Darwin que estreou nesta sexta-feira do Brasil, segue as duas regras à risca.

Em suas cartelas iniciais, o filme de Jon Amiel (“Sommersby – O Retorno de um Estranho”, “Armadilha”) classifica a publicação de “A Origem das Espécies” como a maior aventura intelectual da história da humanidade. No tratado, o naturalismo britânico defende a teoria de que os seres vivos evoluem não por um desígnio divino, mas na luta pela sobrevivência. Hoje a ideia soa banal, mas no carola século 19 era revolucionária. Nas palavras do editor de Darwin, o tratado, grosso modo, “assassinava Deus”.

“Criação” flagra Darwin (Paul Bettany) nos críticos anos antes da publicação de “A Origem das Espécies”. Depois de acompanhar, de forma impotente, a morte de sua querida primogênita Anna, ele precisa enfrentar ao mesmo tempo a ruína de sua saúde e de seu casamento com a prima-irmã Emma (Jennifer Connely).

Fragilizado física e psicologicamente, Darwin protela a decisão de escrever e publicar seu tratado sobre a evolução da espécie. O filme assume a tese de que o motivo central de sua paralisação foi o conflito instalado dentro do próprio lar do cientista: Emma era profundamente religiosa; Darwin foi criado como cristão e tornou-se um agnóstico.

No contexto de crise matrimonial, “A Origem das Espécies” seria não apenas uma revolução científica, como também a última pá de cal no casamento de seu autor. E por isso, nos diz o filme, Darwin convalesce e hesita.

Ou seja, de acordo com as leis da cinebiografia convencional, “Criação” consegue reduzir uma das maiores tour de forces do pensamento humano a um drama conjugal. E o faz adotando o tom de pompa e a circunstância que os cineastas costumam julgar apropriado para figuras históricas.

Dentro dessa linha, “Criação” não é um mau filme. Amiel conduz seu filme com elegância, sem se perder nas alternâncias entre o passado e presente, entre a realidade e a fantasia, e cria alguns momentos de graça e beleza.

Por outro lado, o filme sacrifica a complexidade de Darwin ao usar seu conflito conjugal com Emma para exemplificar a velha divisão humana entre fé e razão. Assim como outras biografados veneráveis, Darwin só parece interessar ao cinema se sua vida familiar for capaz de arrancar lágrimas do público.

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17/03/2010 - 22:02

‘Soul Kitchen’ é contraponto ao filme culinário ‘fofo’

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No cinema, a culinária ainda é um reduto da convenção, do erotismo pudico e do sentimentalismo desbragado. Vide alguns dos filmes mais populares sobre o tema, como “Chocolate”, “Simplesemente Marta” e “Como Água para Chocolate”.

Mas há exceções. Aqui, “Estômago”, de Marcos Jorge. Lá fora, “Soul Kitchen”, filme do cineasta alemão de ascendência turca Fatih Akin, uma das surpresas da última Mostra de São Paulo, que chega nesta sexta-feira ao circuito comercial.

“Soul Kitchen”é um belo contraponto a essa tendência, um filme sobre o universo gastronômico cheio de suingue e testosterona, estrelado por homens feios e malvados, e mulheres belas e fortes.

O protagonista é o grego Zinos (Adam Bousdoukos), proprietário de um pé-sujo chamado Soul Kitchen, localizado em uma região decadente de Hamburgo. Ele é um péssimo cozinheiro, sabe basicamente fritar congelados, ainda assim atrai uma clientela pequena, mas fiel.

Zinos está em uma fase negra: sua namorada decide morar um tempo em Xangai; seu irmão presidiário pede um emprego de fachada no restaurante para poder entrar em regime semi-aberto; um antigo amigo que virou corretor tenta sabotar o restaurante para comprá-lo por um preço baixo; e ele tem um problema nas costas que o impede de continuar cozinhando.

A solução é contratar Shayn (Birol Ünel), chef talentoso, mas casca-grossa, que faria o chef televisivo Gordon Ramsay parecer um lorde inglês. Quando tudo começa a dar certo, surgem problemas ainda maiores que ameaçam o sucesso do restaurante.

Conhecido por dramas pesados sobre choques culturais – em particular entre turcos e alemães – como “Contra a Parede” (2004) e “Do Outro Lado” (2008), Akin mostra aqui uma visão bem mais apaziguada sobre a globalização na Alemanha, com um convívio fraterno entre gregos e locais. E, sobretudo, o cineasta revela um talento insuspeito para a comédia. Ele tem timing cômico e o despudor de assumir o pastelão, quando necessário. O resultado é uma rara comédia alemã que faz rir.

A moral de “Soul Kitchen” não é tão diferente da de outros filmes sobre a gastronomia, um elogio do poder gregário e do valor cultural da culinária. Mudam, porém, as estratégias: se Akin quer mostrar que a comida pode ser afrodisíaca, ele arma uma suruba épica no restaurante. Não, “Soul Kitchen” não é um filme fino. E este é um de seus grandes méritos.

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15/03/2010 - 22:11

Filme inédito registra Aretha Franklin no auge em 1972

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Tem muita gente boa que considera “Amazing Grace”, que Aretha Franklin gravou na New Temple Missionary Baptist Church de Los Angeles, o maior disco de gospel de todos os tempos. Mas poucas pessoas sabem que os dois dias de gravação foram filmados por uma equipe comandada pelo cineasta Sidney Pollack (“Tootsie”, “A Intérprete”).

O filme deveria ser lançado como um programa duplo ao lado de “Superfly”, o clássico da blaxploitation. Mas acabou engavetado pelos produtores. As mais de 20 horas filmadas em 16 mm ficaram na gaveta por 38 anos.

Agora a boa notícia: o filme vai ser finalmente montado, seguindo as notas de Pollack (que morreu em 2008), e lançado, ainda não se sabe se no cinema ou direto em DVD. Para qualquer fã da música negra americana, o filme se torna automaticamente um dos grandes lançamentos de 2010.

Abaixo, você pode ver o primeiro trailer do filme, que acaba de chegar à rede, com Aretha no auge de sua forma musical. Espetacular é pouco.

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12/03/2010 - 22:49

Por que Robert Pattinson não é o novo James Dean

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Por obrigação profissional, eu tive que assistir recentemente a três filmes estrelados por Robert Pattinson: o primeiro episódio da série “Crepúsculo”, o independente “Uma Vida sem Regras” e “Lembranças”, que estreou no Brasil nesta sexta-feira.

Depois de ver este último filme, acho que eu finalmente saquei Pattinson, acho que entendi um pouco do fanatismo de milhões de adolescentes do mundo todo em torno do ator britânico.

Ele pertence àquela linhagem do James Dean, do jovem sensível e perturbado, com olhos lacrimosos e feições delicadas, além de socialmente desajustado. Nesse grupo, a fragilidade física e até de interpretação acaba ajudando a compor uma persona cinematográfica. Não apenas isso: ajuda também aquela velha fantasia feminina de curar as feridas emocionais e sociais do rapaz.

Não quero entrar no mérito do talento: o mito de Dean é maior que seu talento; Pattinson – que já declarou ter se inspirado em Dean para compor seu personagem em “Crepúsculo” – possivelmente não é tão ruim quanto nosso preconceito contra jovens galãs nos permite enxergar.

Mas há uma diferença evidente e fundamental entre os dois. Em sua breve carreira, Dean fez apenas três longas: “Juventude Transviada”, de Nicholas Ray, “Vidas Amargas”, de Elia Kazan, e “Assim Caminha a Humanidade”, de George Stevens. Os dois primeiros são obras-primas de mestres do cinema. O terceiro é um épico digno, ainda que grandiloqüente.

Já Pattinson teve que se virar até aqui, em seus papéis de protagonista, com filmes esquecíveis, dirigidos por cineastas medianos. Apesar de seu enorme sucesso, os episódios de “Crepúsculo” não têm muito a dizer para pessoas com mais de 16 anos (uma afirmação que provavelmente vai enfurecer fãs da série de todas as idades”). Só a presença de Pattinson como chamariz de bilheteria justifica a circulação de “Uma Vida sem Regras”. E “Lembranças” não passa de um telefilme para a tela grande.

Todos os filmes sabem se aproveitar da persona que Pattinson construiu, trabalham essa fantasia do jovem vulnerável e deslocado. Mas nenhum deles será lembrado por muito tempo.

O mito de Dean sobreviveu por duas razões básicas: sua morte precoce e o fato de ter protagonizado três filmes que cresceram ao longo dos anos. Como ninguém deseja que Pattinson tenha um fim trágico, temos que torcer agora para que ele estrela algum filme realmente bom, para que a histeria em torno do seu nome se justifique e perdure.

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12/03/2010 - 00:10

“Ilha do Medo” não é um “filme menor” de Scorsese

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A maior parte da crítica americana não resistiu à tentação de rotular “Ilha do Medo”, que estreia no Brasil nesta sexta-feira, como um filme menor na obra de Martin Scorsese. A meu ver isso decorre de uma dificuldade de classificar os trabalhos de cineasta que não estão nas duas linhas centrais de sua carreira, os filmes de máfia e os dramas históricos. E também da dificuldade de entender que o fato de ser uma homenagem aos filmes B – as antigas produções de baixo orçamento e filmagem rápida – não o torna automaticamente um filme de segunda classe.

Na obra de Scorsese, “Ilha do Medo” se aparenta a “Cabo do Medo” (1991). Ou seja, é um exercício de gênero – nos dois casos, o terror psicológico – sem pretensão de radiografar um grupo social ou um momento histórico. Um filme que usa as ferramentas cinematográficas para despertar uma emoção primária no espectador: o medo. Mas nem por isso um filme primário. Pelo contrário, Scorsese mostra o que um mestre do cinema pode fazer com um material aparentemente banal.

Baseado no livro homônimo de Dennis Lehane (o autor de “Sobre Meninos e Lobos”), “Ilha do Medo” é uma história de conspiração e paranóia. Em 1954, o policial Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio, em sua quarta colaboração com Scorsese) investiga a fuga de uma paciente de um hospital psiquiátrico instalado em uma ilha, onde supostamente está internado também o assassino de sua mulher. Quando um furacão deixa a ilha isolada, Teddy é obrigado a permanecer ali, começa a desconfiar que os médicos realizam experiências ilegais com os internos. e entra em choque com os responsáveis pela instituição.

O filme caminha lentamente para uma reviravolta. Nas mãos de um diretor menos hábil, a surpresa do final iria fazer o público se sentir ludibriado. Com a maestria narrativa e visual de Scorsese, a solução parece não apenas natural, como sofisticada.

“Ilha do Medo” e “Cabo do Medo” representam para Scorsese o mesmo tipo de férias da seriedade que Stanley Kubrick se deu em “O Iluminado” (1981). O resultado do filme pode não ser tão marcante quanto aquele clássico do terror, pode ser inferior às obras-primas de Scorsese, como “Taxi Driver”, “Touro Indomável” e “Os Bons Companheiros”. Mas chamá-lo de filme menor já é demais.

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09/03/2010 - 22:24

Brasil dá o recado no Twitter: chupa James Cameron

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O Brasil passou outro ano sem emplacar um indicado no Oscar. Mas o país virou notícia no prêmio, pelo menos no Twittter.

O blog de cinema do jornal britânico “The Guardian” chamou atenção para um fato que passou despercebido para a imprensa brasileira: um dos “trending topics” do Twitter – ou seja, um dos assuntos mais populares da rede social – ontem foi #chupajamescameron. A frase foi criada por usuários brasileiros do serviço brasileiro para comemorar a derrota de “Avatar”.

O blog do “Guardian” tentou explicar nosso “chupa” a seus leitores: “Um exemplo de gíria local, chupa significa ‘suck it’, sugerindo que os brasileiros ficaram felizes que o diretor de ‘Avatar’ perdeu para o ‘Guerra ao Terror’ de sua ex-mulher ou lhe ofereceram uma caipirinha gigante com um canudo”.

Ok, não é um motivo muito nobre para virar notícia no Oscar… mas, no fundo, não é menos nobre do que qualquer outro.

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08/03/2010 - 08:31

Oscar morde a mão que alimenta a indústria

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A vitória de “Guerra ao Terror” no Oscar 2010 (veja a cobertura completa do iG aqui) não foi uma surpresa. O tamanho da vitória, sim.

A pequena produção dirigida por Kathryn Bigelow tinha um ligeiro favoritismo nas categorias de melhor filme e diretor. Mas muito apostador fracassado – incluindo este que vos escreve – apostava que o filme ganharia apenas nessas duas categorias, e “Avatar” sairia com o maior número de estatuetas na festa, fazendo o rapa nas categorias técnicas.

No final das contas, “Guerra ao Terror” ganhou em quatro categorias em que não era favorito (e nos quais eu julgo que havia concorrentes melhores): roteiro original, montagem, edição de som e efeitos sonoros.

Com o recorde de US$ 2 bilhões de bilheteria e um avanço tecnológico notável, “Avatar” não foi capaz de impressionar os membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood e saiu da festa com três prêmios em categorias nobres, mas menores.

A paixão dos membros da Academia por “Guerra ao Terror”, assim como a da crítica americana, foi bem maior do que eu imaginava. Uma paixão semelhante ao do público por “Avatar”…

Ou seja, o que a edição 2010 do Oscar evidenciou foi o abismo existente entre a elite da indústria cinematográfica americana (e da crítica) e o grande público que vai ao cinema.

Há um paradoxo interessante na premiação: a Academia esnobou a produção que apontou um caminho possível de salvação da indústria (o uso massivo do 3-D), o filme que, grosso modo, pode ajudar a garantir os salários futuros de parte de seus membros.

E, curiosamente, a Academia premiou um símbolo da ignorância da própria indústria, o filme que não conseguiu contar com grande orçamento e estrelas, que foi esnobado pelos distribuidores americanos, apesar da boa carreira em festivais (e que, no Brasil, saiu primeiro em DVD do que nos cinemas).

Existe alguma hipocrisia nessa escolha da indústria (que procura avidamente o grande público e ignora o recordista de bilheteria em sua maior festa)? Talvez um pouco. Mas não se deve ser conspiratório. A maioria dos membros da Academia simplesmente achou “Guerra ao Terror” um filme melhor do que “Avatar” (e eu concordo, embora ache a experiência cinematográfica proporcionada por “Avatar” mais nova e superior).

O que não pode acontecer é o tipo de revanchismo que começa a pipocar na internet contra “Avatar”, do tipo “Bigelow se vingou do ex-marido”, “o dinheiro não pode comprar o Oscar” e outros comentários ingênuos. James Cameron saiu do Oscar com poucos prêmios, mas não virou um “perdedor” da noite para o dia. Ele não é mais o rei do mundo no Oscar, mas continua sendo o do público.

Já Bigelow se revelou uma vencedora bastante nobre e digna, evitando qualquer tipo de vingança em seus discursos, preferindo lembrar a importância de sua equipe. Sei que o momento não é o mais apropriado, sei que é hora de celebração feminista pelo primeiro Oscar a uma diretora, sei que é politicamente incorreto, mas não dá para evitar: Kathryn Bigelow é um mulherão. Taí a foto abaixo que não me deixa mentir. Vocês não concordam?

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06/03/2010 - 21:19

Quem vai ganhar e quem deveria ganhar o Oscar

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Aos 44 minutos do segundo tempo, aí vão as minhas apostas e os meus favoritos para o Oscar deste ano, os indicados que eu acho que vão ganhar, seguidos daqueles que eu acho que deveriam ganhar, nas categorias principais da premiação. Para ver a cobertura completa do Oscar no iG, clique aqui. E aproveite o espaço dos comentários para fazer também suas apostas.

Melhor Filme

Quem vai ganhar: “Guerra ao Terror”
Quem deveria ganhar: “Bastardos Inglórios”

Melhor diretor

Quem vai ganhar: Kathryn Bigelow
Quem deveria ganhar: Quentin Tarantino

Melhor ator

Quem vai ganhar: Jeff Bridges
Quem deveria ganhar: Jeff Bridges

Melhor atriz

Quem vai ganhar: Sandra Bullock
Quem deveria ganhar: Gabourey Sidibe

Melhor ator coadjuvante

Quem vai ganhar: Christoph Waltz
Quem deveria ganhar: Christoph Waltz

Melhor atriz coadjuvante

Quem vai ganhar: Mo’Nique
Quem deveria ganhar: Mo’Nique

Melhor roteiro adaptado

Quem vai ganhar: “Amor sem Escalas
Quem deveria ganhar: “Distrito 9”

Melhor roteiro original

Quem vai ganhar: “Bastardos Inglórios”
Quem deveria ganhar: “Bastardos Inglórios”

Melhor animação em longa-metragem

Quem vai ganhar: “Up – Altas Aventuras”
Quem deveria ganhar: “O Fantástico Sr. Raposo”

Melhor filme estrangeiro

Quem vai ganhar: “A Fita Branca”
Quem deveria ganhar: “O Segredo dos Seus Olhos”

Melhor fotografia

Quem vai ganhar: “Avatar”
Quem deveria ganhar: “A Fita Branca”

Melhor montagem

Quem vai ganhar: “Avatar”
Quem deveria ganhar: “Bastardos Inglórios”

Melhor direção de arte, edição de som, mixagem de som e efeitos especiais

Quem vai ganhar: “Avatar”
Quem deveria ganhar: “Avatar”

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