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08/03/2010 - 08:31

Oscar morde a mão que alimenta a indústria

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A vitória de “Guerra ao Terror” no Oscar 2010 (veja a cobertura completa do iG aqui) não foi uma surpresa. O tamanho da vitória, sim.

A pequena produção dirigida por Kathryn Bigelow tinha um ligeiro favoritismo nas categorias de melhor filme e diretor. Mas muito apostador fracassado – incluindo este que vos escreve – apostava que o filme ganharia apenas nessas duas categorias, e “Avatar” sairia com o maior número de estatuetas na festa, fazendo o rapa nas categorias técnicas.

No final das contas, “Guerra ao Terror” ganhou em quatro categorias em que não era favorito (e nos quais eu julgo que havia concorrentes melhores): roteiro original, montagem, edição de som e efeitos sonoros.

Com o recorde de US$ 2 bilhões de bilheteria e um avanço tecnológico notável, “Avatar” não foi capaz de impressionar os membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood e saiu da festa com três prêmios em categorias nobres, mas menores.

A paixão dos membros da Academia por “Guerra ao Terror”, assim como a da crítica americana, foi bem maior do que eu imaginava. Uma paixão semelhante ao do público por “Avatar”…

Ou seja, o que a edição 2010 do Oscar evidenciou foi o abismo existente entre a elite da indústria cinematográfica americana (e da crítica) e o grande público que vai ao cinema.

Há um paradoxo interessante na premiação: a Academia esnobou a produção que apontou um caminho possível de salvação da indústria (o uso massivo do 3-D), o filme que, grosso modo, pode ajudar a garantir os salários futuros de parte de seus membros.

E, curiosamente, a Academia premiou um símbolo da ignorância da própria indústria, o filme que não conseguiu contar com grande orçamento e estrelas, que foi esnobado pelos distribuidores americanos, apesar da boa carreira em festivais (e que, no Brasil, saiu primeiro em DVD do que nos cinemas).

Existe alguma hipocrisia nessa escolha da indústria (que procura avidamente o grande público e ignora o recordista de bilheteria em sua maior festa)? Talvez um pouco. Mas não se deve ser conspiratório. A maioria dos membros da Academia simplesmente achou “Guerra ao Terror” um filme melhor do que “Avatar” (e eu concordo, embora ache a experiência cinematográfica proporcionada por “Avatar” mais nova e superior).

O que não pode acontecer é o tipo de revanchismo que começa a pipocar na internet contra “Avatar”, do tipo “Bigelow se vingou do ex-marido”, “o dinheiro não pode comprar o Oscar” e outros comentários ingênuos. James Cameron saiu do Oscar com poucos prêmios, mas não virou um “perdedor” da noite para o dia. Ele não é mais o rei do mundo no Oscar, mas continua sendo o do público.

Já Bigelow se revelou uma vencedora bastante nobre e digna, evitando qualquer tipo de vingança em seus discursos, preferindo lembrar a importância de sua equipe. Sei que o momento não é o mais apropriado, sei que é hora de celebração feminista pelo primeiro Oscar a uma diretora, sei que é politicamente incorreto, mas não dá para evitar: Kathryn Bigelow é um mulherão. Taí a foto abaixo que não me deixa mentir. Vocês não concordam?

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106 comentários para “Oscar morde a mão que alimenta a indústria”

  1. Caio disse:

    Se Hollywood dependesse de filmes como Guerra ao Terror para se manter certamente estaria falida. São filmes como Avatar que tornam ela a indústrias dos sonhos, que engrandecem a sua importância e possibilitam festas grandiosas, como a premiação do Oscar deste ano. Não se enganem Hollywood não é Guerra ao Terror, é Avatar na essência, mesmo que não admita isso, e seja hipócrita ao ponto de ignorar um filme não apenas querido pelo público mas revolucionário para os padrões de nossa época, em vários aspectos. Eu sinceramente espero que Guerra ao Terror não seja esquecido com o tempo, afinal, sua vitória tem méritos, mas de uma coisa eu tenho certeza, com oscar ou sem oscar, Avatar já entrou para história.

  2. Reinaldo disse:

    Estava “na cara” que a Academia iria premiar Guerra ao Terror. Estória, e não história, que retrata a ambição dos EUA em serem os melhores no mundo. Os EUA vivem em uma conspiração de medo, de cataclísmos e terrorismo, pois, pelo medo, é mais fácil controlar as massas, um povo que vive assombrado pela derrota no Vietnã. Notadamente é o pais que mais vende armamento no mundo, e se dizem pacifistas, e só basta lembrar que invadiram o Iraque porque Sadam tinha armas de destruição em massa. Até hoje não encontraram nada, mas mataram o Sadam. Então, para elevar moral, criam subterfúgios para ludibriar o povo, por meio de lavagem cerebral, inclusive os membros da Academia. E assim, as “coisas” boas são esquecidas e desvalorizadas, como AVATAR, aclamado pelos expectadares no mundo inteiro, por um filme que tenta resgatar o moral americano por meio da cultura do medo.

  3. Evandro disse:

    Justiça seja feita, AVATAR não merecia ser considerado o melhor filme de 2009, alem de ter uma historia batida e cheia de velhos cliches, é muito muito chato!!! (muito parecido com um bang bang espacial) Este filme ganhou naquilo que ele revolucionou, efeitos visuais, fora isso não adiciona nada a industria do cinema.

  4. Stonis disse:

    Oscar é festa da industria americana para americanos, eles não estão nem aí para os outros países que assistem esse evento. Mas como o colonialismo cultural anglo-americano é avassalador, ficam os da periferia tentando entender, mas nao fiquem tristes é isso que eles querem que vcd falem bastante e gastem seu $ dando lucros a eles.
    Um evento sem graça, com piadas que só americanos gostam e entendem, e pelo mundoa fora os paspalhos riem do que não entendem, ainda mais aqui no Brasil onde 99% da população nao entende nada de English.

    • Márcio Valle disse:

      Concordo plenamente com você. É a mesma coisa que ocorre com os tais compeonatos europeus de futebol. Até hoje eu não entendi por que o povo brasileiro se mata pelos campeonatos italiano, espanhol, inglês etc. É puramente comércio. A mídia brasileira não perde a oportunidade de abocanhar uns trocados às custas dos otários que ficam torcendo por times que não têm nada a ver com o Brasil.

  5. Francisco disse:

    Se “Guerra ao terror” ganha o Oscar, o que mereceria “Tropa de Elite” que o precede (e supera) em tudo? Onze milhões por onze milhões, o nosso “tropinha” faz mais denuncia por muito menos din din… O fato que deve chamar a atenção do mundo é, isto sim, que uma produção ralamente questionadora do status quo gringo ter que catar dinheiro na França pra poder acontecer. A intolerancia e a censura nos EEUU já há algum tempo vem asfixiando o que eles têm de melhor: a indústria do entretenimento. Lembram de “Spartacus”? Pois é, já houve tempo que em Hollywood se conseguia filmar roteiro de comunista confesso em pleno macartismo, pregando a rebelião dos “escravos” e com um orçamento de “Avatar”. O que decaiu não foi a industriado cinema estadunidense, foram as crenças fundadoras dos EEUU. Que venha o próximo!

  6. Deise disse:

    Sinceramente? Para mim, nem um nem outro. O meu Oscar vai para o único filme que fez com que eu saísse do cinema sendo uma pessoa melhor. Meu troféu vai para PRECIOSA, uma história verdadeira, tocante e comovente. Não poderia ser diferente. A guerra individual pode ser extremamente mais grave para o ser humano e mais fatal para o mundo do que a guerra coletiva, quando se cogita sobre os desdobramentos cruéis e avassaladores da prática do preconceito no seio da humanidade e se projeta o resultado dessa mazela para um futuro mal resolvido. O estrago pode ser muito maior do que se pensa. Palmas para PRECIOSA, se é que me permitem ser absolutamente sincera.

  7. Karina disse:

    Ricardo, concordo com vc que a experiência cinematográfica de Avatar merecia mais. Mas esse Oscar foi tão cretino, a começar pela Sandra Bullok, que é ruim até quando é boa, e por terem ignorado o filme mais inteligente: Bastardos inglórios. Confesso que só fiquei satisfeita pela perda do Oscar de filme estrangeiro a Fita Branca, que achei um filme tendencioso historiograficamente e muito pesado. O argentino mereceu. Abraços.

  8. andresson disse:

    Agora eu queria saber de qual vingança o Ricardo Caill estar falando? Pois ambos, Cameron e Kethryn são amigos ate hoje, inclusive ela assistiu avatar 5 vezes na pre produção para opinar, e Cameron foi um dos incentivadores para ela filmar o roteiro de guerra ao terror, Cameron viu o filme depois de acabado para opinar, opinião essa que o filme estava perfeito, e que ela e seu produtor não deveriam mudar nada.
    Tanto não existe briga, que Cameron produziu dois filmes para kathryn depois do divorcio, pra eles o casamento foi apenas um pequeno erro, e que o importante é que ficaram com uma grande amizade e os dois são ótimos amigos e profissionais, no final saíram ganhando.

  9. Deva disse:

    Concordo plenamente com Reinaldo e Caio. Guerra ao Terror é um filme comum, bem montado e dirigido. Apenas isso. Avatar segurou a onda da indústria cinematográfica americana, mas Guerra ao Terror faz mais para a consciência. Nada mais desgraçado do que ver a vida desgraçada que soldados de baixa patente leva. Aos olhos da crítica e dos membros da academia é uma demonstração de heroísmo. Pelo alto orçamento e pelo sucesso, Avatar acabou culpado com o recebimento de prêmios técnicos, secundários, de segunda mão. Guerra ao Terror é o ato vencedor dos pequenos soldados e do baixo orçamento.

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