Publicidade

Publicidade
12/03/2010 - 00:10

“Ilha do Medo” não é um “filme menor” de Scorsese

Compartilhe: Twitter

A maior parte da crítica americana não resistiu à tentação de rotular “Ilha do Medo”, que estreia no Brasil nesta sexta-feira, como um filme menor na obra de Martin Scorsese. A meu ver isso decorre de uma dificuldade de classificar os trabalhos de cineasta que não estão nas duas linhas centrais de sua carreira, os filmes de máfia e os dramas históricos. E também da dificuldade de entender que o fato de ser uma homenagem aos filmes B – as antigas produções de baixo orçamento e filmagem rápida – não o torna automaticamente um filme de segunda classe.

Na obra de Scorsese, “Ilha do Medo” se aparenta a “Cabo do Medo” (1991). Ou seja, é um exercício de gênero – nos dois casos, o terror psicológico – sem pretensão de radiografar um grupo social ou um momento histórico. Um filme que usa as ferramentas cinematográficas para despertar uma emoção primária no espectador: o medo. Mas nem por isso um filme primário. Pelo contrário, Scorsese mostra o que um mestre do cinema pode fazer com um material aparentemente banal.

Baseado no livro homônimo de Dennis Lehane (o autor de “Sobre Meninos e Lobos”), “Ilha do Medo” é uma história de conspiração e paranóia. Em 1954, o policial Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio, em sua quarta colaboração com Scorsese) investiga a fuga de uma paciente de um hospital psiquiátrico instalado em uma ilha, onde supostamente está internado também o assassino de sua mulher. Quando um furacão deixa a ilha isolada, Teddy é obrigado a permanecer ali, começa a desconfiar que os médicos realizam experiências ilegais com os internos. e entra em choque com os responsáveis pela instituição.

O filme caminha lentamente para uma reviravolta. Nas mãos de um diretor menos hábil, a surpresa do final iria fazer o público se sentir ludibriado. Com a maestria narrativa e visual de Scorsese, a solução parece não apenas natural, como sofisticada.

“Ilha do Medo” e “Cabo do Medo” representam para Scorsese o mesmo tipo de férias da seriedade que Stanley Kubrick se deu em “O Iluminado” (1981). O resultado do filme pode não ser tão marcante quanto aquele clássico do terror, pode ser inferior às obras-primas de Scorsese, como “Taxi Driver”, “Touro Indomável” e “Os Bons Companheiros”. Mas chamá-lo de filme menor já é demais.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:

Ver todas as notas

96 comentários para ““Ilha do Medo” não é um “filme menor” de Scorsese”

  1. Gercina Oliveira disse:

    O filme é bom, e não chega a ser tão traumático, são pessoas que sabem que todas as informações que Teddy possui sobre a guerra, mortes, nazismo, comunismo e erros dali (ilha), precisam ser acometidos dos meios de comunicação pra não prejudicar muitos que armaram p/ na intenção de colocarem ali muitos prisoneiros, no entanto não eram tratados por algumas sindromes, fatos fenomenologicos e/não, queriam prender o Teddy num mondo de locura. Assim caminha a humanidade, assim é meu pensamento a respeito do final da história, que pretendia o autor, mas, porém houveram muitos erros de coerência …..risos, acho que não gostei muito não ok.

  2. Eudes Jr - Fortaleza/Ce disse:

    A meu ver,as explicações a despeito da esquizofrenia do paciente,seriam coerentes.

    A grande duvida é que depois da celebre frase em que na minha opinião,Di Caprio prefere ser lobotomizado,do que ter as lembranças e a culpa em sua mente,Ruffalo o chama de Teddy,nome que Di Caprio acreditava ser.

    A frase que Di Caprio diz é bem lúcida e conclusiva a meu ver,mas porque Ruffalo sabendo disso,não o chamou pelo seu nome verdadeiro e sim pelo ficticio?

    Essa duvida o diretor deixou,e ficou confuso o final por isso.

    Mas,é um bom filme,que faz voce pensar.Acho que quem não gostou,talvez ate pelo trailer,estivesse esperando ver um filme de terror,e se decepcionou por isso.

  3. julio santos disse:

    poxa, afinal ele era louco ou não ? vc poderia me dizer ? gostei do filme, mas fiquei confuso com o final. gosooto de filmes que nos levam a pensar, porém este está dificil de decifrar a loucura para a realidade do Di caprio .

  4. Cristiana disse:

    A loucura é muito relativa. Louco mesmo ou conciente o bastante para fazer-se passar por louco, por não aguentar a força da realidade? O Filme é muito bom. Gostei muito.

  5. Ana Lucia disse:

    Assistir o filme ontem pela internet e gostei, fiquei confusa algumas vezes. É um filme pra pensar e refletir. O final não foi conclusivo, ficou no ar, louco ou não?

  6. Fernando Ítalo disse:

    Filme menor??? Hummmmpf. Só existem dois tipos de homenagem a Alfred Hitchcock: as obras primas e os fracassos. Entre as obras primas, estão Cabo do Medo, Vestida para Matar e Dublê de Corpo. Entre os desastres, o remake de Psicose, dirigido por Gus Van Sant. Ilha do Medo se enquadra, sem dúvida, no primeiro grupo. Tudo remete ao velho Hitch: a direção e edição preciosíssimas; a direção de arte impecável; o clima de tensão desesperador; as reviravoltas de roteiro (a la Vertigo) e a trilha sonora perturbadora. Já vi o filme umas três vezes e a cada vez fico mais impressionado com a maestria com que Scorcese conduz o espectador pelo labirinto interior de Teddy Daniels. O desfecho é desconcertante. O que parecia um pesadelo se revela muito pior que o esperado. Com direito a um final prá lá de angustiante. Em resumo: Scorcese mostra mais uma vez por que é um gênio e por que ele é um dos poucos diretores atuais que consegue se entregar a um puro exercício de estilo com um resultado que não deixar nada a desejar aos mestres homenageados. Ilha do Medo é um dos seus melhores filmes. O grande Hitch deve estar em algum cinema do Paraíso, assistindo Ilha do Medo na primeira fila e aplaudindo de pé.

  7. joao ubaldo disse:

    Até agora nao entendi o filme e cada vez mais que leio opinioes vejo que não só eu entendi todo mundo e acho que a brincadeira do autor do filme foi essa mesma.

  8. fabio é gay disse:

    esse fabio tem 44 anos e dá a bunda…

  9. LadyXagas disse:

    assisti esse filme so hoje e oq posso dizer? filme muito fodástico. retrato de uma mente esquizofrenica, paranoica q nao aceita a realidade dos fatos, e como valvula de escape cria toda akela historinha. q filme ótimo. me lembrou triangulo do medo. di caprio em ótima atuação como louco

  10. Os terapeutas o Psiquiatras as vezes fazem de conta que entram na “historia” do paciente, acho que por isso o chama de Teddy.
    Filme excelente! Di Caprio cada vez mais maduro.
    Quem não gosta de filmes de Scorsese, Kubrick, Allen, Coppola, e outros genios é porque simplesmente é burro.

  11. Edjane disse:

    O que me fez ter a “minha certeza” que ele é louco, foi a cena dos ratos.

  12. italo disse:

    Achei o filme estraordinário, muito inteligente. O final do filme da um giro muito grande, pensei que realmente havia uma conspiração quando lembrei no meio do filme a cena que o companheiro de Di Caprio se atrapalhou para tirar a arma da cintura quando eles chegaram na ilha, pensei que realmente o parceiro dele trabalhava na ilha e que queria fazer mal a Di Caprio. Mas ai chegou o final do filme e vi que relamente ele era louco. Minha conclusão da última frase de Di Caprio é que ele se curou, mas não suportaria o fardo de ter matado a mulher e ter se responsabilizado pela morte dos filho, por isso fingiu mais uma vez (desta vez uma farça consciente) para que fizessem a lobotomia nele.

  13. Patrik disse:

    Louco(no bom sentido) é o Scorsese. O filme é ótimo, o expectador acredita no final que convem a ele. Assim como dá todos os sinais que ele era louco, não quer dizer nada pois podiam estar há meses trabalhando para que ele ficasse louco. Quando os doutores tentam “revelar a verdade” a ele, primeiro um deles disse que a mulher provocou o incêndio onde ela morreu, mas depois mostra na cabeça de “Teddy” ele a matando. E também após “revelar a verdade”, “Chuck”(o doutor) o chama pelo nome de Teddy. Enfim, cada um usa sua imaginação como quiser, essa é a beleza do filme.

  14. Rafael disse:

    Alguem sabe o nome ou o lugar onde fica aquela praia do filme quando eles chegam na ilha?

  15. […] O senhor parece ter tido problemas com “Ilha do Medo”. Richard Schickel: Na verdade, é seu filme mais bem-sucedido [arrecadou US$ 294 milhões nas […]

  16. […] O senhor parece ter tido problemas com “Ilha do Medo”. Richard Schickel: Na verdade, é seu filme mais bem-sucedido [arrecadou US$ 294 milhões nas […]

  17. […] O senhor parece ter tido problemas com "Ilha do Medo". Richard Schickel: Na verdade, é seu filme mais bem-sucedido [arrecadou US$ 294 milhões nas […]

  18. […] O senhor parece ter tido problemas com “Ilha do Medo”. Richard Schickel: Na verdade, é seu filme mais bem-sucedido [arrecadou US$ 294 milhões nas […]

  19. Ezekyel Fernandes disse:

    Assisti o filme recentemente e gostei muito!

    Ate meados do filme a história estava me deixando meio cansado mas na medida em que as coisas foram se desenrolando o filme foi me confundindo e prendendo a atenção…..

    No final, A ILHA DO MEDO, é mais um daqueles filmes cativantes que mechem com a cabaça da gente, nos deixa ligado em cada detalhe e no final nos surpreende.!!

    RECOMENDO!

Os comentários do texto estão encerrados.

Voltar ao topo