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Arquivo de março, 2010

05/03/2010 - 15:19

Oscar 2010 reflete divisão entre arte e comércio

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A disputa entre “Avatar” e “Guerra ao Terror” no Oscar (confira a cobertura completa do iG aqui) revive o maior dilema da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood nos últimos anos: premiar o “comércio” ou a “arte” (com ênfase nas aspas)?

Nessa divisão um tanto reducionista, mas didática, “Avatar” seria o representante do “comércio”. É não apenas a superprodução de orçamento e bilheteria recordes, como também o profeta que anuncia a salvação econômica do cinema com a aposta massiva no 3-D.

A “Guerra ao Terror” caberia o papel de defensor da “arte”. É um filme de orçamento e bilheteria relativamente modestos, sem grandes estrelas, mas que conquistou a crítica americana.

A divisão é reducionista porque obviamente há arte em “Avatar” e comércio em “Guerra ao Terror”. Ela reflete menos a opinião deste blogueiro do que uma tentativa de entender como os membros da Academia se comportam diante dos filmes.

A princípio, é natural pensar que eles vão escolher “Avatar” como melhor filme. É um sucesso grande demais para ser esnobado. É também o tipo de filme que ajuda a indústria como um todo – e, indiretamente, garante o salário futuro da maioria dos votantes.

Mas a história mostra que nem sempre funciona assim. Eles têm um certo preconceito contra blockbusters e uma queda por filmes menores, supostamente artísticos e independentes. A escolha de “Guerra ao Terror” seria uma forma de dizer que a Academia é muito mais de Artes do que de Ciências Cinematográficas, que eles estão mais interessados nos sentimentos do que nos números.

Isso aconteceu várias vezes nos últimos anos. No ano passado, “Quem Quer Ser um Milionário”, um Davi cinematográfico, derrubou “O Curioso Caso de Benjamin Button”, um Golias. Em 2006, o independente “Crash” bateu o spielberguiano “Munique”. Em 2000, “Beleza Americana” deixou “O Sexto Sentido” comendo poeira.

Mas também há casos recentes de reconhecimento dos blockbusters. O terceiro “O Senhor dos Anéis” ganhou o Oscar de melhor filme em 2004 (mas, nos anos anteriores, o primeiro e o segundo episódios foram derrotados por filmes menores). “Gladiador” levou a estatueta em 2001. E James Cameron, diretor de “Avatar”, já provou o gosto de ser premiado por um recordista de bilheteria com seu “Titanic”.

Ou seja, a Academia é ciclotímica na sua relação entre arte e comércio (sempre lembrando que a “Academia” não é uma entidade única, e sim um grupo relativamente heterogêneo com quase 6 mil votantes).

Portanto, a premiação de melhor deste ano está totalmente em aberto. É temerário botar dinheiro em qualquer um dos dois favoritos. Mas, como palpite errado não custa nada (apenas a futura encheção dos leitores), eu faço a minha aposta: neste ano, Davi derruba Golias novamente. Em outras palavras, “Guerra ao Terror” leva as estatuetas de melhor filme e diretor para Kathryn Bigelow.

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01/03/2010 - 22:12

Este será o Oscar do Twitter?

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O Oscar 2010 será o Oscar do Twitter? Essa é a pergunta por trás de um artigo do blog The Envelope, do jornal “Los Angeles Times”. O Twitter existe desde 2006, mas a ideia de que o serviço pode ser um fator relevante para a indústria do cinema é relativamente recente – desde que se notou que as mensagens de seus usuários na saída de um filme poderiam influir positivamente ou não nos resultados da bilheteria.

Mas o texto do Envelope não se concentra no caso dos espectadores anônimos, e sim no dos indicados ao prêmio que usam o serviço. A lista inclui os atores Helen Mirren (64 anos), Maggie Gyllenhaal, George Clooney, Mo’Nique, Gabourey Sidibe, os diretores Quentin Tarantino, Jason Reitman e Neill Blomkamp, o apresentador Steve Martin e o produtor-executivo da cerimônia Adam Shankman.

A tese do Envelope é que o Twitter poderia criar uma comunicação mais livre, mais espontânea, menos controlada pelos assessores, entre os indicados e os usuários do serviço. Mas a teoria é completamente negada pela realidade.

A maioria dos indicados publica poucas ou nenhuma mensagem. E quem o faz com mais frequência em geral escreve apenas banalidades. “Eu preciso parar de jogar Xbox e passar o ferro na camisa do meu smoking”, twittou Reitman. “De pé e a caminho da academia”, “Ginástica e trabalho”, “Terminando a ginástica” foram alguns dos tweets de Shankman nos últimos dias.

Isso nos leva a algumas conclusões: ou os indicados ao Oscar são ainda mais fúteis do que imaginávamos ou eles já estão sendo censurados por seus assessores ou ainda o Twitter é um hype que não deve ser tão levado a sério pela imprensa. Eu acho que são todas as alternativas acima.

A única pessoa que conseguiu algo de concreto com o Twitter em relação ao Oscar foi o escritor Walter Kim, autor do livro no qual se baseou o filme “Amor sem Escalas”. Ele reclamou no serviço que não havia conseguido um convite para a cerimônia. “Escritores são como petróleo em Hollywood: eles nos sugam e depois nos queimam”. Alguns dias depois, ele conseguiu seu ingresso.

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