Publicidade

Publicidade
05/05/2010 - 22:54

Tudo podia dar errado no novo Allen. Mas não dá

Compartilhe: Twitter

Nos primeiros minutos de “Tudo Pode Dar Certo”, a impressão é que tudo podia dar errado nesse novo filme de Woody Allen. De cara, Larry David reforça aquela velha e incômoda sensação de que todo protagonista de um trabalho do Allen-diretor imita os trejeitos e inflexões do Allen-ator. E, logo na primeira sequência, o personagem fala diretamente para a câmera por um longo tempo, recurso desgastado que o cineasta explora até o limite da paciência do espectador.

Mas, aos poucos, as peças começam a encaixar, a partir do momento em que o coroa, misantropo e sofisticado nova-iorquino Boris (David) engata um improvável romance com a jovem, otimista e ingênua sulista Melody (Evan Rachel Wood). É justamente a improbabilidade, o acaso, ou como quer que se queira chamar, o tema central desse novo Allen. Ou seja, a ideia de que nosso destino não pode ser controlado – nem por Deus, nem pela razão.

“Tudo pode Dar Certo” marca vários retornos na obra de Allen: a um de seus temas preferenciais (o embate entre acaso e destino), a Nova York (depois de uma trilogia européia), a um roteiro calcado mais nas tiradas cômicas do que na trama de suspense. É Allen de volta a sua zona de conforto, a suas maiores obsessões.

Muita gente boa, como o colega Inácio Araujo, acha que este é o melhor Allen em muitos anos. Eu não cravaria com tanta certeza, já que tenho grande carinho por “Match Point” e “Vicky Cristina Barcelona” e acredito que o cineasta está em uma fase feliz e produtiva da carreira.

Mas eu diria, com certa segurança, que este é o melhor filme do “velho” Allen nos anos 2000, o melhor em que o protagonista é um alter-ego do cineasta (e David, no final das contas, acaba se revelando também uma boa e crível falsificação do Allen-ator). Por fim, “Tudo Pode Dar Certo” é também o filme que tem a melhor piada de Allen em muito tempo. Um personagem diz: “Deus é gay”. E o outro responde: “Não pode ser. Ele fez o universo perfeito, os oceanos, os céus, as lindas flores, as árvores em todos os lugares”. “É isso aí: ele é decorador”.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:

Ver todas as notas

4 comentários para “Tudo podia dar errado no novo Allen. Mas não dá”

  1. […] imita os trejeitos e inflexões do Allen-ator. E, logo na primeira sequência, o personagem . Continuar a Ler » « Jake Gyllenhaal: Príncipe da Pérsia Os comentários estão abertos, mas os pings […]

  2. Olá!
    Meu nome é Cláudia Valls e sou a jornalista responsável pelo blog do “Curta Criativo”. Não sei se você já conhece este projeto. O “Curta Criativo 2010” é um concurso de curtas-metragens promovido pelo Sistema FIRJAN.
    O concurso está dividido em três categorias: ficção, documentário e
    animação. O tema é livre e os curtas devem ter no máximo 5 minutos. O concurso é válido para alunos e ex-alunos de curso de graduação e
    pós-graduação de cinema, design, comunicação e afins, ou ainda pessoas com cursos técnicos ou livres de cinema. São R$ 54 mil em prêmios para as três categorias (R$ 10 mil para o vencedor e R$ 8 mil para o segundo lugar). Há ainda estágios nas produtoras Urca Filmes, Diler&Associados, LC Barreto, Morena Filmes, Conspiração Filmes e o canal Multishow, além de prêmios em revelação, preparação e limpeza de película e garantia de exibição.
    Como seu blog é sobre cinema e certamente lido por profissionais que se interessam pelo tema, achei que a dica pode ser um serviço para seus leitores.
    O que acha? Estou à disposição para esclarecer dúvidas ou itens do
    regulamento.
    Segue também o link do blog com mais informações sobre o projeto:

    http://www.curtacriativo10.com.br

    Abraços
    Claudia

    • fábio disse:

      …………………………………………………………………………………………..
      …………………………………….Claudia…?!
      ……………Esse concurso é só para os cariócas,…não é?
      …………………………………………………………………………………………..
      ……………………….Aqui a mairoria é de Sun paulo
      …………………….e não teriam o direito de participar.
      …………………………………………………………………………………………..
      …………….E ainda é pra alunos e ex-alunos de faculdade,
      …………………….muita gente que trabalha na área,
      ……………………………..não fez faculdade.
      …………………………………………………………………………………………..

  3. Hirai disse:

    Talvez você já saiba, mas o roteiro de Whatever Works foi escrito na década de 70. Ficou na gaveta e o Woody Allen resgatou. Acho que isso explica muita coisa sobre “como esse filme parece um retorno”. (Mas é meio chato pensar que a melhor piada dele, nos últimos anos, pode ter sido escrita quando eu ainda nem era nascido). Abraço.

Os comentários do texto estão encerrados.

Voltar ao topo