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31/05/2010 - 22:28

O cinema popular brasileiro precisava de “Quincas”

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Depois de “Cidade Baixa” – bem recebido pela crítica brasileira, exibido na mostra Um Certo Olhar em Cannes, lançado com sucesso em vários países da Europa -, Sergio Machado tinha um caminho confortável a trilhar: a estrada da autoria. O cineasta baiano não seria recebido com o pé atrás dos críticos, caminharia por tapetes vermelhos em muitos festivais, teria portas aberas em vários mercados do mundo.

Mas Machado decidiu arriscar. Em seu caso, isso significou fazer um filme popular, baseado no mais popular dos grandes escritores brasileiros, Jorge Amado. O resultado, “Quincas Berro D’Água” (que finalmente consegui assistir ontem), é uma das melhores notícias do cinema brasileiro neste ano. Porque, se existe algo de que nossa cinematografia necessita com urgência, é de artesãos talentosos dedicados à idéia de cinema popular. Para que não fiquemos reféns de abacaxis como “Divã”, “A Mulher Invisível”, “A Guerra dos Rocha” e outros.

Em primeiro lugar, “Quincas” é uma boa notícia porque é um filme de cinema. Porque existe uma sofisticação na composição dos planos, na mise-en-scene que não permite que o filme seja confundido com um programa de TV. Por outro lado, os diálogos e as situações são apropriadamente chulas, fogem de um certo bom-gostismo do cinema brasileiro recente, como convém a uma adaptação de Amado.

Em segundo, “Quincas” é uma ótima notícia porque Machado mostrou que é possível fazer um filme popular sem abandonar as obsessões pessoais. Seu novo filme é uma evolução natural de “Cidade Baixa”, com seu olhar afetivo para os marginalizados baianos, seu confronto entre convenção e liberdade, sua mistura bem dosada entre o ficcional e o documental. Mas com uma veia cômica mais forte, com uma base literária sólida.

Agora é torcer para que sua proposta de um cinema popular sofisticado seja entendido e prestigiado por um grande público, que o boca a boca ajude a alavancar sua audiência. O cinema brasileiro agradece.

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7 comentários para “O cinema popular brasileiro precisava de “Quincas””

  1. […] baiano não seria recebido com o pé atrás dos críticos, caminharia por tapetes vermelhos . Continuar a Ler » « Cine Ceará divulga lista de filmes concorrentes Os comentários estão abertos, mas […]

  2. Jan Felipe disse:

    Que bom, porque com tantos abacaxis como você falou surge um preconceito com o cinema nacional, “é brasileiro? é popular? então não vale a pena” Esse eu vou querer ver.

  3. Humberto disse:

    Não me chama a atenção o filme… parece que é um filme que já foi feito. Acredito que não será tão assistido, visto que Um Morto muito Louco já passou na sessão da tarde…

    Espero estar totalmente errado. Vou ao cinema assistir e espero que muitos vejam!

  4. Paulo disse:

    Vi, e gostei..muito bom..não sou crítico de cinema..mas…achei bacana….rsrsrsrsrrsrs

  5. Adriano disse:

    Muito bom o filme, excelente. Outro filme excelente é “O homem que desafiou o diabo” – melhor filme brasileiro.

  6. charles disse:

    “Mulher invisível” é abacaxi? Achei o filme razoável-bom. Se bem que nao tenho muita classe, muito menos uso óculos de plastico preto.

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