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Arquivo de junho, 2010

30/06/2010 - 22:37

Qual é o segredo do sucesso de “Crepúsculo”?

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O sucesso de “Crepúsculo” sempre foi, para mim, um mistério. Os dois primeiros episódios me pareceram mais pobres, na estética e no conteúdo, do que qualquer série mediana da TV. Também não consegui encontrar neles nenhum acréscimo relevante à história de seu gênero, o dos filmes de vampiro. Mas ao ver “Eclipse”, o terceiro e melhor filme da franquia, as razões do fenômeno começaram a ficar mais claras.

Acho que o segredo central é o ultraromantismo da série. Já não se encontram por aí muitos filmes românticos “puros”, não contaminados por ao menos uma pitada de cinismo. Pelo visto, existe uma parcela significativa de espectadores jovens que busca esse tipo de entretenimento com valores antiquados, regressivos (e não há julgamento de valor no emprego desses adjetivos). “Crepúsculo” supre essa demanda, com seus vampiros emos.

A série defende, de maneira não muito dissimulada, a abstinência sexual, simbolizada pelo vampiro Edward (Robert Pattinson), que prefere não fazer sexo com sua amada Bella (Kristen Stewart), com medo de despertar perigosos instintos animalescos. Ele quer se casar antes de consumar o ato. Em um cinema e um mundo hiperssexualizados, “Crepúsculo” oferece uma alternativa de castidade.

Neste terceiro episódio, a pureza de Bella é colocada à prova, seus hormônios são despertados pelo anabolizado lobo Jacob (Taylor Lautner). As decisões tomadas pela protagonista vem reforçar o caráter conservador da série.

Acho que outro segredo importante da série é a capacidade de metaforizar, dentro das convenções do filme de gênero, questões relevantes da adolescência – em particular a tensão entre deslocamento e pertencimento. Bella é uma adolescente desajustada, que não sabe seu lugar no mundo – até encontrar não apenas o amor de Edward, como também o acolhimento do grupo de vampiros dele.

Para os fãs, “Crepúsculo” também oferece a sensação de pertencimento, ao entregar um repertório comum de expressões, de valores e até de ídolos para ilustrar seus fichários. Os admiradores da série podem ser românticos,  sensíveis, castos e conservadores sem se envergonhar do mundo libertino à sua volta, porque agora eles encontraram seus pares.

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24/06/2010 - 21:51

E o campeão do merchadising é… “Toy Story 3”

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Eu já vi todo tipo de estatística esquisita sobre cinema. Mas acho que essa bateu o recorde: uma relação dos filmes que movimentaram mais carga de produtos de merchandising. E o vencedor, de lavada, é “Toy Story 3”, com 724 containers circulando pelo mundo – mais especificamente, da China para o resto do mundo.

Os números foram divulgados pela Panjavi, uma empresa que contabiliza o comércio internacional. Eles pesquisaram dados de exportação de 40 blockbusters nos últimos 18 meses.

Depois de “Toy Story 3”, vieram “Homem de Ferro 2” (474 containers), “G.I. Joe” (403), “A Princesa e o Sapo” (321), “Era do Gelo 3” (249), “Shrek 4” (230), “Monstros vs. Aliens” (182), “Como Treinar seu Dragão” (174) e “Star Trek” (143).

Quase tudo vem da China. A exceção ficou por conta do lençol paquistanês de “Homem de Ferro 2”.

Produtos piratas, claro, ficaram de fora da estatística. A notícia veio do “The Hollywood Reporter”.

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22/06/2010 - 21:57

Por que “Toy Story” forma a melhor trilogia do cinema

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Em uma crítica sobre “Toy Story 3” para a “Folha de S. Paulo”, defendi a tese de que a série de animação da Pixar formava a melhor trilogia da história do cinema. Depois me contaram que a ideia foi atacada, quando não ridicularizada, em algumas listas de discussão de filmes. O absurdo seria apontar a trilogia de “Toy Story” como superior à de “O Poderoso Chefão”.

Sob o risco de ser alvo do escárnio alheio, eu sustento a afirmação. Por um motivo simples: os dois primeiros episódios da série de Francis Ford Coppola podem ser obras-primas, mas o terceiro é infinitamente inferior (embora críticos que respeito muito não concordem).

Já a trilogia de “Toy Story” começa de forma espetacular, melhora um pouco no segundo episódio e fica um pouco mais brilhante no desfecho. O conjunto não tem pontos fracos.

Se fosse uma disputa que levasse em conta apenas o primeiro filme e sua sequência, “O Poderoso Chefão” seria imbatível. Mas há o problema do terceiro episódio. Não é um problema que acomete apenas a trilogia de Coppola. Aflige também franquias como “Star Wars”, “De Volta para o Futuro”, “Missão Impossível”, “Matrix”, “Homem Aranha”, “X-Men”, “O Exterminador do Futuro”, “Mad Max”, “Robocop”, “Jurassic Park” e até trilogia das cores de Kieslowski.

O terceiro episódio é quase sempre o calcanhar-de-aquiles de uma trilogia. Exceções que confirmam a regra: “Indiana Jones” (o elo fraco é o segundo episódio) e “Identidade Bourne” (que começa devagar e depois engrena). E “Senhor dos Anéis”? Bom, esse tem um desempenho constante: é mais ou menos do começo ao fim. E eu tenho plena consciência de que vou apanhar por essa frase mais do que por deixar “O Poderoso Chefão” em segundo lugar.

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21/06/2010 - 23:19

A crítica de cinema explica por que a Copa decepciona

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Acabo de voltar de Ouro Preto (MG), onde participei do 5º CineOp. Ao lado da Mostra de Tiradentes e do CineBH, é um dos festivais organizados pela turma da Universo Produção com curadoria do crítico Cléber Eduardo. A soma da competência e do acolhimento da primeira com a visão de cinema do segundo transformou essas mostras mineiras em três dos melhores e mais relevantes eventos cinematográficos do país.

O CineOp tem foco na memória, na preservação, no patrimônio. Faz todo sentido, portanto, que seja realizado na histórica e belíssima Ouro Preto. Ver um filme ao ar livre na Praça Tiradentes, rodeado de prédios centenários, é uma experiência única.

A principal homenagem do festival neste ano foi à produtora Cinédia. Mas, em clima de Copa, a mostra abriu um bom espaço para o futebol, com uma coletânea dos melhores momentos do Canal 100, o bom documentário “Fora de Campo” e um excelente debate sobre o esporte no cinema, com participação do cineasta (e ex-jogador) Adirley Queirós, do produtor Alexandre Niemeyer e dos críticos Inácio Araujo e Daniel Caetano.

A pergunta central do debate talvez tenha sido uma velha conhecida: por que é tão difícil fazer bons filmes sobre nosso mais popular esporte? No final, porém, surgiu outra questão mais atual: por que a Copa da África do Sul vem sendo tão decepcionante? Da discussão entre críticos, realizadores e público, surgiram algumas hipóteses interessantes.

Adirley contou que há alguns anos no Brasil jovens jogadores em início de carreira, de times modestos, pedem que cinegrafistas registrem seus jogos e dividem com eles o bicho. Nessas partidas, se esforçam em dobro para realizar jogadas espetaculares – ou espetaculosas, pelo menos.

Os melhores momentos são editados em um DVD, que serve como cartão de visitas dos jogadores. Hoje, como se sabe, muitas equipes do Brasil e exterior contratam reforços com base nessas imagens – sem que tenham visto o jogador atuar ao vivo. Quando isso finalmente acontece, o resultado costuma ser uma decepção. O jogador raramente está à altura de sua imagem.

O mesmo pensamento pode ser aplicado ao outro extremo do mercado futebolístico, a dos jogadores já consagrados e milionários que participam da Copa do Mundo – e que aparecem em comerciais como os da Nike ou da Honda fazendo malabarismos impossíveis de reproduzir em campo.

Grosso modo, isso quer dizer o seguinte: a imagem do jogador predomina sobre a realidade – e é a defasagem entre um e outro que causa a frustração do torcedor. Claro, é sempre mais complexo que isso, mas a hipótese não é desprezível. A relação do jogador com a câmera tornou-se mais importante do que a do jogador com a bola.

O caso citado no debate foi o de Maradona, que, mesmo sem jogar, tornou-se até aqui o protagonista da Copa. Porque ele pode estar fora do campo, mas não está fora de quadro. Porque ele, como grande ator, ora bufão, ora trágico, domina a câmera como poucos. No debate, foi lembrado que a última imagem marcante dele como jogador foi um urro dirigido diretamente para a lente após na Copa de 94.

A partir daí, essa cena tornou-se cada vez mais comum entre os jogadores. Veja os da seleção brasileira, sempre procurando a câmera para comemorar seus gols, para fazer um coração para a namorada, para mostrar a chuteira com o nome das filhas. Eles preferem comemorar com o telespectador, não com a torcida.

(Por isso, para mim, uma das imagens mais tocantes desta Copa não foi a do gol ilegal de Luís Fabiano, a do choro do jogador norte-coreano ou mesmo a de Maradona matando a bola com categoria; foi a do sérvio Jovanovic, que pulou o fosso do estádio para abraçar seus torcedores na vitoria sobre a Alemanha – talvez porque a Sérvia ainda não tenha chegado ainda a essa estranha pos-modernidade futebolística.)

O problema é que os dotes de jogador de um Maradona eram superiores aos seus dotes como ator, enquanto no caso da maioria dos atletas desta Copa a equação se inverte. A bola é menor que a imagem. Como já dizia Nelson Rodrigues (em frase lembrada por Inácio Araujo no debate), o videotape é burro – e está cada dia pior.

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18/06/2010 - 17:07

Em defesa de Galvão Bueno

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Quase todo técnico brasileiro é crucificado em época de Copa. Em geral, dura algumas semanas, depois ele é esquecido. E tem sempre algum gato pingado que levanta a mão para defendê-lo. Já Galvão Bueno é massacrado desde que começou a transmitir jogos da Copa pela Globo em 1982. E é uma unanimidade negativa, não lembro de alguém vir a público para lembrar de suas qualidades. Então acho que vai sobrar pra mim.

Pra começar, é preciso elogiar o fato de que ele – ao contrário de um Dunga, por exemplo – não se ressente das críticas, nem posa de vítima. Pelo contrário, assumiu, mesmo que de forma mercadológica, o “Cala a Boca, Galvão”, e outros ataques pessoais que muita gente não perdoaria.

Depois, ele é, tecnicamente, um bom narrador. Boa voz, bom ritmo. Sem falar em excesso, nem se ausentar muito do jogo. Ele erra? Bastante. Mas pouca gente não erra ao vivo, falando de jogadores de nomes complexos de 32 nações.

O principal problema de Galvão é narrar um jogo melhor do que o espectador está vendo, especialmente em jogos do Brasil. Isso, claro, reflete interesses comerciais da emissora, é uma maneira de não perder a audiência – num sacrifício da credibilidade do narrador pelo patrão, mas também pelo público.

Mas a verdade é que poucos narradores não fazem isso. Galvão é bem menos ufanista, por exemplo, do que Luciano do Valle. Isso pode ser visto como uma herança do rádio, em que os jogadores parecem sempre na iminência do gol. Não deixa de ser um talento de ficcionista.

O problema não é Galvão, o problema é a imagem que teima em contrariá-lo. Ou seja, o problema é da seleção, que insiste em jogar um futebol mais feito do que Galvão gostaria de ver. Ele narra o jogo de Dunga sonhando com o de Telê.

Acho que a implicância com Galvão vem, em grande parte, do fato de ele estar numa emissora poderosa. Não seríamos tão chatos se ele estivesse na ESPN 8.

Outro dia, assistindo a Espanha x Suíça  narrado por Milton Leite (provavelmente o melhor narrador brasileiro há alguns anos), ele me veio com um comentário do tipo: “A defesa é suíça, mas não é como um queijo furado”. Imagine o que não diriam se a frase tivesse saído da boca de Galvão.

Por fim, existe a questão da familiaridade. Uma Copa sem Galvão, que ouço desde 1982, para mim soaria absurda. Ele é como um tio um pouco chato, que vem nos visitar de quatro em quatro anos. A gente tem preguiça de reencontrá-lo, mas sabe que seria pior se ele não viesse.

Por isso, eu digo: Galvão, não precisa calar a boca, não.

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11/06/2010 - 22:16

O mistério do jornal que aparece em vários filmes

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Repare nos jornais que aparecem em cena nos filmes e programas de TV aí abaixo. Produtos distintos como “Onde os Fracos Não Têm Vez”, “Um Amor de Família” e “Everybody Hates Chris”. Sim, são o mesmo jornal.

A história foi descoberta por um usuário do site Reddit, que compilou várias outras sequências com o mesmo objeto de cena, e virou assunto em vários outros lugares da internet, como o Slash Film, que traz várias outras sequências com o mesmo objeto de cena. Mas a explicação só veio em uma matéria da revista eletrônica Slate.

Existe uma pequena editora californiana, a The Earl Hays Press, criada em 1915, que se especializou em criar jornais para serem usados em cena. O jornal exibido nessas cenas foi rodado na década de 60 e vem sendo oferecido como uma peça “de época”. Mas os vários exemplares rodados acabaram sendo usados em filmes passados também no presente.

Os estúdios de Hollywood recorrem aos jornais “de cena” porque usar um de verdade pode levar tempo e custar algum dinheiro. Já um exemplar desse jornal da Earls Hays Press sai por US$ 15 dólares. E assim ele se tornou possivelmente o maior coadjuvante da história do cinema e da TV.

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06/06/2010 - 23:12

Filme de shopping é novo gênero cinematográfico?

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Sessão curiosa neste domingo à tarde: “Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo”, no Unibanco do Shopping Pompéia, em São Paulo. Das cerca de 50 pessoas na sala, umas 10 vão embora antes da metade do filme. Talvez seja a maior proporção de debandada que eu presenciei desde “Irreversível”, de Gaspar Noé, ou talvez “Saló”, do Pasolini. Mas não há nada de agressivamente sexual ou escatológico em “Viajo” – muito pelo contrário. É o que poderíamos chamar de um filme-poema, se a palavra poema não estivesse tão desgastada.

Será o caso de um filme certo no lugar errado? A princípio, não há lugar errado para o cinema – nem mesmo o shopping center. Mas acho que há uma parcela do público que acredita que existe um novo gênero cinematográfico: o filme de shopping. E que fica muito decepcionada se um filme não se encaixa nesse formato imaginário. O que provavelmente é o caso de “Viajo”.

Não acho que seja um filme difícil, muito menos radical. Não há um ator em cena, é verdade. Apenas uma narração ficcional de um personagem (Irandhir Santos) em torno de imagens documentais colhidas pelos diretores Marcelo Gomes e Karim Ainouz. De resto, é um road movie com começo, meio e fim. É um filme delicado, mas nunca hermético. As associações entre as paisagens percorridas e os estados emocionais do protagonista – da aridez à abundância, do desalento à esperança – são sempre límpidas.

Então por que um quinto dos espectadores foi embora da sessão? Suponho que elas entraram ali desavidadas. Queriam ver algum outro filme (“Homem de Ferro 2”, “O Príncipe da Pérsia”, “Alice no País das Maravilhas”?), não acharam ingresso e arriscaram o brasileiro com título curioso, romântico. Encontraram um filme muito distante da dieta a que estão acostumados, em que tudo já vem pronto, em que todas as perguntas têm uma resposta. Em vez de encararem o desafio, refugaram. Ou talvez eu esteja elaborando demais: simplesmente acharam o filme chato e cumpriram seu direito de ir embora. Perderam um dos finais mais bonitos do cinema recente.

Ao lado do epílogo, a cena mais tocante do filme é uma entrevista com uma dançarina que, em um sensacional neologismo, diz que sonha que uma “vida-lazer”. “Viajo” talvez não corresponda à idéia de “filme-lazer” daqueles que debandaram. Mas corresponde à minha.

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