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21/06/2010 - 23:19

A crítica de cinema explica por que a Copa decepciona

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Acabo de voltar de Ouro Preto (MG), onde participei do 5º CineOp. Ao lado da Mostra de Tiradentes e do CineBH, é um dos festivais organizados pela turma da Universo Produção com curadoria do crítico Cléber Eduardo. A soma da competência e do acolhimento da primeira com a visão de cinema do segundo transformou essas mostras mineiras em três dos melhores e mais relevantes eventos cinematográficos do país.

O CineOp tem foco na memória, na preservação, no patrimônio. Faz todo sentido, portanto, que seja realizado na histórica e belíssima Ouro Preto. Ver um filme ao ar livre na Praça Tiradentes, rodeado de prédios centenários, é uma experiência única.

A principal homenagem do festival neste ano foi à produtora Cinédia. Mas, em clima de Copa, a mostra abriu um bom espaço para o futebol, com uma coletânea dos melhores momentos do Canal 100, o bom documentário “Fora de Campo” e um excelente debate sobre o esporte no cinema, com participação do cineasta (e ex-jogador) Adirley Queirós, do produtor Alexandre Niemeyer e dos críticos Inácio Araujo e Daniel Caetano.

A pergunta central do debate talvez tenha sido uma velha conhecida: por que é tão difícil fazer bons filmes sobre nosso mais popular esporte? No final, porém, surgiu outra questão mais atual: por que a Copa da África do Sul vem sendo tão decepcionante? Da discussão entre críticos, realizadores e público, surgiram algumas hipóteses interessantes.

Adirley contou que há alguns anos no Brasil jovens jogadores em início de carreira, de times modestos, pedem que cinegrafistas registrem seus jogos e dividem com eles o bicho. Nessas partidas, se esforçam em dobro para realizar jogadas espetaculares – ou espetaculosas, pelo menos.

Os melhores momentos são editados em um DVD, que serve como cartão de visitas dos jogadores. Hoje, como se sabe, muitas equipes do Brasil e exterior contratam reforços com base nessas imagens – sem que tenham visto o jogador atuar ao vivo. Quando isso finalmente acontece, o resultado costuma ser uma decepção. O jogador raramente está à altura de sua imagem.

O mesmo pensamento pode ser aplicado ao outro extremo do mercado futebolístico, a dos jogadores já consagrados e milionários que participam da Copa do Mundo – e que aparecem em comerciais como os da Nike ou da Honda fazendo malabarismos impossíveis de reproduzir em campo.

Grosso modo, isso quer dizer o seguinte: a imagem do jogador predomina sobre a realidade – e é a defasagem entre um e outro que causa a frustração do torcedor. Claro, é sempre mais complexo que isso, mas a hipótese não é desprezível. A relação do jogador com a câmera tornou-se mais importante do que a do jogador com a bola.

O caso citado no debate foi o de Maradona, que, mesmo sem jogar, tornou-se até aqui o protagonista da Copa. Porque ele pode estar fora do campo, mas não está fora de quadro. Porque ele, como grande ator, ora bufão, ora trágico, domina a câmera como poucos. No debate, foi lembrado que a última imagem marcante dele como jogador foi um urro dirigido diretamente para a lente após na Copa de 94.

A partir daí, essa cena tornou-se cada vez mais comum entre os jogadores. Veja os da seleção brasileira, sempre procurando a câmera para comemorar seus gols, para fazer um coração para a namorada, para mostrar a chuteira com o nome das filhas. Eles preferem comemorar com o telespectador, não com a torcida.

(Por isso, para mim, uma das imagens mais tocantes desta Copa não foi a do gol ilegal de Luís Fabiano, a do choro do jogador norte-coreano ou mesmo a de Maradona matando a bola com categoria; foi a do sérvio Jovanovic, que pulou o fosso do estádio para abraçar seus torcedores na vitoria sobre a Alemanha – talvez porque a Sérvia ainda não tenha chegado ainda a essa estranha pos-modernidade futebolística.)

O problema é que os dotes de jogador de um Maradona eram superiores aos seus dotes como ator, enquanto no caso da maioria dos atletas desta Copa a equação se inverte. A bola é menor que a imagem. Como já dizia Nelson Rodrigues (em frase lembrada por Inácio Araujo no debate), o videotape é burro – e está cada dia pior.

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8 comentários para “A crítica de cinema explica por que a Copa decepciona”

  1. […] da competência e do acolhimento da primeira com a visão de cinema do segundo transformou essas . Continuar a Ler » « Esquadrão Classe A (2010) Os comentários estão abertos, mas os pings não são […]

  2. fábio disse:

    …………………………………………………………………………………………………
    …………………………………………………………………………………………………
    …………………………………….Nóóóóóssa….!
    ………………………………………………………………………………………………..
    ………………Quer dizer que você viajou trocentos kms
    ……………para sentar com uma “multidão” numa praça
    ……………………………..que iriam assistir filmes
    ……………………………………………….e
    ………………………………………..descobriu
    ……………………que a culpa da desgraça brasileira é a,
    …………………………………………………………………………………………………
    …………………………………………IMPRENSA…???????????!!
    …………………………………………………………………………………………………
    …………………………………Júúúúúúúúúúiiiiiiiiira..????!
    …………………………………………………………………………………………………
    …………………………………Cara,….eu,….. tô,….bobo,
    …………………………………………………………………………………………………
    ………………………..com tamanha,…….” équispetaize…”!
    …………………………………………………………………………………………………
    ……………Você acabou de descobrir a,…………..AMÉRICA…!!!
    ………………………………………………………………………………………………..
    ……………………….Desse jeito teu blóg vai ganhar o,
    ………………………………………………troféu,
    …………………………………………………………………………………………………
    ………………………………….” COQRÉTI PINTO…”
    …………………………………………………………………………………………………
    …………………………………………….lembra??
    …………………Aquele que éra um papagaio dorado…?!
    ………………………………………………………………………………………………..
    ………….Fóra que nos states,….você é um sério candidato
    ………………………………………………….ao,
    …………………………………………….”Pulitizer”…!
    ………………………………………………………………………………………………..
    ……………….Sê souberem que você concluiu ésta “tése”
    ……………….em apenas uns dias no meio de uma praça
    ………………………………………………..meu,
    ……………………….a,…” TIMES “,….. te contrata na hóra.
    …………………………………………………………………………………………………
    …………………….Póde dizer adeus ao,….. “IG”,…..arrgh,
    ……………………………..e arrumando as “malinha”.
    …………………………………………………………………………………………………
    …………………………………….Adeus,….. pobreza…!
    …………………………………………………………………………………………………
    …………………………………..My neime is,……Kélyl….,
    …………………………………………………………………………………………………
    ………………………………………….Ríchard Kélyl.
    …………………………………………………………………………………………………

  3. Rodrigo disse:

    Na boa, texto bom, mas de péssimo conteudo. Quer dizer que telespectadores não são torcedores? Quer dizer que maradona que lançou a moda de comemorar pra camera? Pelamor… se não foi isso que vc quis dizer, então reescreva seu texto…

    “estranha pos-modernidade futebolística” ???????

    Bem vindo a progressão cultural. É assim desde que o mundo é mundo… e se prepare… vem mais por ai…

  4. Dorneles disse:

    O mundo capitalista empolga o ser humano, que dirá no futebol, sómente quem paga mais é que leva o premio. A melhor das copas foi a de 70, vestiam a camisa para defender o país como numa guerra. Agora existe sómente estrelismo e hipocresia, pois o mundo globalizado abriu fronteiras para outros esportes e entreterimentos.

  5. junior-pá disse:

    Meu!
    vc ainda nao aprendeu a criticar cinema e já acha q pode falar de futebol?
    CALE-SE Abraços, kkkkkkkkkkkkkk

  6. Flora disse:

    O futibol e a alegria dos ingnorantes uma merda onde os torcedores gastam tudo o que tem pra pagar pros vabundos brincar com bola os torcedores se matam por isso e pertubam muuuuiiiiiiiiiiiiiito e uma droga.

  7. egregora disse:

    Essa análise não está completa mas tem muito de verdade. A imagem do jogador atual ultrapassa a realidade dele com a bola. A frustração é grande quando comparamos o que mostram as imagens e os jogadores de carne e osso.
    O jogador atual quer vender sua imagem para ganhar cada vez mais. O torcedor que vai aos estádios e paga o ingresso é ignorado. Assistir a um jogo inteiro pela TV não é fácil. Cansa mais que novela.

  8. 3ernardo disse:

    Parabéns!

    Sportv, ESPN Brasil, alguém com categoria que possa falar para um público crítico, por favor contratem esse cara para falar 5 minutos em algum programa esportivo.

    Não aguento mais ouvirem falar besteira sobre futebol.

    Parabéns, uma visão legal, ótimo texto e na minha opinião, você tem razão.

Os comentários do texto estão encerrados.

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