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Arquivo de julho, 2010

25/07/2010 - 22:01

Ascensão e queda do 3-D

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Apontado até alguns meses atrás como o futuro do cinema, o 3-D vem perdendo fôlego rapidamente. Uma prova contundente é a tabela abaixo, publicada pelo site The Wrap, que mostra a porcentagem da bilheteria de lançamentos recentes que veio das salas 3-D, no final de semana de estréia, nos Estados Unidos. Como se vê, vai dos 71% de “Avatar” aos 45% de “Meu Malvado Favorito”.

O principal motivo de reclamação, como aponta outra matéria do The Wrap, é a “escuridão” da imagem em 3-D. Em comparação ao 2-D, ela pode ser até 80% menos luminosa. No caso de “Avatar”, em que James Cameron criou novas técnicas para amenizar o problema, a imagem era “apenas” 50% mais escura.

Algum tempo atrás, decretou-se a morte do 2-D no futuro próximo. Agora a dúvida é quanto tempo o 3-D vai durar se não conseguir corrigir seus problemas técnicos.

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22/07/2010 - 11:10

“Vencer” é cinema com “C” maiúsculo

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Sei que o ano ainda está pela metade, mas é difícil acreditar que “Vencer” não será um dos melhores filmes lançados em 2010 no Brasil. O filme de Marco Bellochio, que estreia nesta sexta-feira por aqui, resgata, ao mesmo tempo, o melhor do cinema épico/político e o melhor do cinema italiano.

Em 2003, o cineasta italiano já havia feito uma pequena obra-prima política, “Bom Dia, Noite”, sobre o sequestro do primeiro ministro italiano Aldo Moro pela Brigada Vermelha, visto pelos olhos da única mulher do grupo de sequestradores. Mas era um filme de câmara, centrado em um espaço e tempo delimitados.

Já “Vencer” é grandioso, em produção, ambição e significados. Não é cinemão, e sim cinema com “C” maiúsculo. Como “Bom Dia, Noite”, o filme joga luz sobre uma mulher que participou ativamente na história italiana recente: a amante do ditador Benito Mussolini, Ida Dalser (Giovanna Mezzogiorno, linda e excepcional).

Quando ela o conhece, Mussolini (Filippo Timi, igualmente brilhante) é apenas um militante socialista radical. Ilda patrocina a ciração do jornal “Il Popolo d’Italia” e a criação do Partido Fascista. Os dois têm um filho juntos, mas Mussolini se alista no exército durante a Primeira Guerra Mundial e desaparece por um tempo.

Quando Ida o reencontra ferido num leito de hospital, Mussolini está casado, prestes a começar sua escalada de poder e quer distância da ex-amante e do filho inconvenientes. Quando Ida exige reconhecimento do filho com Mussolini, o governo fascista a interna em um hospital e o garoto, em um orfanato.

Como em “Bom Dia, Noite”, mas com um escopo mais amplo de tempo e espaço na narrativa, Bellochio conjuga brilhantemente a história de um país e um drama individual, feminino. Se restavam dúvidas de que ele é um mestre, “Vencer” as dissipa.

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16/07/2010 - 23:53

O vídeo mais bonito da internet

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Não vi nada mais tocante na internet nos últimos tempos do que o vídeo abaixo com Paulo Moura tocando “Doce de Côco”, de Jacob do Bandolim, na clarineta. O detalhe é que o registro foi feito pelo cineasta Eduardo Escorel apenas dois dias antes da morte do músico por um linfoma, na clínica onde ele estava internado. No site da revista “Piauí”, Escorel conta que Moura tinha dificuldades para falar. Mas insistiu para tocar a música de Bandolim acompanhado de Wagner Tiso – e tocou lindamente, em sua despedida musical.

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13/07/2010 - 22:43

Festival Latino-Americano começa com o pé direito

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Começou ontem – e começou bem – o 5º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo. A escolha do filme de abertura, no Memorial da América Latina, foi ousada. Uma produção de uma cinematografia desconhecida (Costa Rica), dirigida por uma estreante (Paz Fábrega), filmado com não-atores.

“Água Fria do Mar” se reveza entre duas histórias paralelas, a de uma jovem mulher burguesa e de uma menina de família pobre, que se cruzam em um réveillon numa praia costarriquenha. A mulher acompanha o namorado, que tem uma propriedade familiar no local. Ao chegar lá de noite, eles encontram a menina dormindo no meio do mato, depois de fugir do camping onde está sua família. O casal decide dormir ali mesmo e buscar ajuda no dia seguinte. Quando acordam, porém, a menina sumiu.

O filme acompanha, então, as trajetórias das duas separadamente, até que elas voltam a se encontrar no final. Apesar das origens diferentes, a mulher e a menina se unem pela sensação de deslocamento, de não-pertencimento a seus grupos, de um desasossego que não se contenta com a paralisia do mundo à sua volta.

É um drama rarefeito, mais baseado na atmosfera do que na ação, que deve muito ao cinema da argentina Lucrecia Martel, em especial de “O Pântano” (que o festival também exibe).

A seleção do filme para uma abertura cheia de políticos e convidados ilustres parece indicar um bom caminho para o evento, um equilíbrio entre as apostas e os medalhões. Entre mostras dedicadas a nomes estabelecidos, como João Batista de Andrade e o argentino Marcelo Piñeiro, e exibições de trabalhos de diretores promissores, como os brasileiros “A Fuga da Mulher Gorila” e “Estrada para Ythaca”.

Foi um começo que deixou a clara sensação de que o festival, em sua quinta edição, encontrou seu lugar em meio a centenas de eventos audiovisuais brasileiros. “Água Fria do Mar” tem mais uma exibição no festival, no dia 17, no Cinesesc. Como não se sabe se o filme vai estrear comercialmente por aqui, é bom não perder. Para a programação completa, veja o site oficial.

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07/07/2010 - 23:12

3-D sob ataque

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No começo, tudo era deslumbramento. Agora a ficha caiu: o 3-D não é aquela maravilha que havíamos imaginado (ou que haviam nos vendido). Os ataques ao formato estão cada vez mais freqüentes e pesados.

O marco inicial foi a lista de Roger Ebert, o mais célebre crítico americano da atualidade, com 9 motivos para odiar o 3-D. Agora, a tridimensionalidade artificial de certos filmes vem minando a reputação do formato como um todo.

Explico: algumas obras rodadas em 2-D são convertidas ao 3-D digital no processo de pós-produção, para aproveitar o “boom” desse novo mercado. São os casos de “Fúria de Titãs” e, agora, de “O Último Mestre do Ar”.

Este último filme acaba de ter suas primeiras exibições para público e crítica – e a resposta não poderia ser pior. Escuro, borrado e “inassistível” foram alguns dos adjetivos mais repetidos a seu respeito – comentários estranhos para um filme dirigido por M. Night Shyamalan (“Sexto Sentido”), diretor conhecido por seu apuro visual.

Ebert, sempre ele, escreveu que o filme parece ser sido rodado “com um pano sujo sobre as lentes” e que ele “coloca um prego no caixão do falso 3-D” – comentário que foi reproduzido centenas de vezes no Twitter.

Grandes nomes da indústria, como James Cameron e Jeffrey Katzenberg, estão preocupados com as conseqüências negativas do falso 3-D para o mercado do verdadeiro.

“Criar apenas bom conteúdo em 3-D vai ser fundamental para solidificar o Mercado, já que as más experiências vão deixar o público receoso de gastar mais dinheiro com isso no futuro”, disse Cameron.

Mas, para os próximos meses, já estão programados outros filmes convertidos artificialmente para o 3-D, como “Harry Potter e as Relíquias da Morte” e “Como Cães e Gatos”. E provavelmente haverá novos ataques ao formato – que até pouco tempo atrás era o futuro, ou a salvação, do cinema.

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05/07/2010 - 22:06

Tiago Leifert é o melhor da Copa na TV

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Na Copa de 2006, o melhor da cobertura na TV brasileira foi a ideia da leitura labial. Nesta Copa, o melhor é um profissional: Tiago Leifert.

Ele realmente encontrou um jeito próprio de falar de futebol, que foge tanto da cobertura engessada da Globo quanto do papo furado da maioria das mesas redondas da Bandeirantes, SporTV, ESPN e outras emissoras.

De certa forma, Leifert representou para a TV nesta Copa algo que esperávamos mais na seleção brasileira: um pouco de imprevisto dentro de um esquema rígido.

Ele tornou a conversa sobre futebol mais próxima à descontração de um papo de boteco, mas com um humor ligeiramente mais sofisticado. Mesmo seus momentos questionáveis, como certas birras pouco elegantes com argentinos, só foram possíveis porque ele se arriscou a sair do script.

Para 2014, dá para mudar quase tudo na TV, assim como na seleção. Mas Leifert ganhou a vaga.

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