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09/08/2010 - 23:15

“400 Contra 1” ilustra paradoxos do cinema brasileiro

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“400 Contra 1” tem inúmeros problemas. A ponto de o filme de Caco de Souza soar como uma comédia involuntária em determinados momentos. Mas, a meu ver, um problema central se destaca entre outros tantos secundários: faltou um produtor para mexer no resultado final.

Na hora em que o desastre se anunciou (provavelmente o momento da montagem), alguém precisava dizer: para tudo! Vamos contratar um Bráulio Mantovani para fazer um novo roteiro a partir do material filmado que se salva, criar uma narração em off sofisticada para o protagonista, simplificar o vaivém da narrativa no tempo e no espaço, enxugar a duração.

Mas tudo foi feito ao contrário: já que o filme não “montava”, o diretor Caco de Souza partiu para a solução fácil de usar uma musiquinha a cada 5 minutos, recurso repetitivo que só acentuou as deficiências de seu trabalho; a narração em off do protagonista tenta explicar a trama, mas varia entre o óbvio e o confuso; a narrativa é desnecessariamente intrincada; a duração, excessiva.

No final das contas, “400 Contra 1” ilustra um paradoxo do cinema brasileiro atual: muitos filmes têm uma proposta comercial, mas poucos seguem uma lógica comercial. Ou seja, são filmes com um desejo de comunicação com um público amplo, com valores de produção vistosos, com protagonistas globais. Mas cujos erros e acertos estão ainda muito concentrados nas mãos do diretor. Para um tipo de cinema que se quer industrial, o processo ainda é muito solitário.

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63 comentários para ““400 Contra 1” ilustra paradoxos do cinema brasileiro”

  1. Marcelo disse:

    Esse vou assistir só pela critica, nunca vi critica brasileira acertar.
    Pura emoção ou rixa.

  2. JORGE DE OLIVEIRA disse:

    NÃO ASSISTI O FILME,MAS QUANDO VI O ANÚNCIO, ACHEI QUE SERIA UM FILME BASEADO NA BÍBLIA, QUANDO O PROFETA ELIAS DESAFIA 400 PROFETAS DO deus BAAL.
    INFELIZMENTE O FILME NÃO FALA SOBRE ISSO, SE FALASSE O “SABOR” SERIA MUITISSIMO MELHOR.

  3. Jorge disse:

    O melhores filmes nacionais que eu assisti nos últimos anos foram:
    1 – Central do Brasil
    2 – Cidade de deus
    3 – Terra Estrangeira
    Agora porque não fazem filmes de qualidade sobre nossa cultura, histórias de mestres como Cartola, Pixinguinha, Adorniran, Niemeyer (se já fizerem não fiquei sabendo)
    Alguém já viu o filme sobre Helena Meirelles?
    Acho que no fundo falta-nos cultura para apreciar bons filmes, como disse antes, nos Estados Unidos, fazem milhares de lixos e faturam zilhões, talvez o caminho seja esse mesmo.
    Existem dois cinemas: O cinema arte e o cinema indústria.

  4. felipe disse:

    Não vi e acho que não vou ver, acho que o problema do Brasil é a falta de talento pra fazer filmes mesmo. Assim como os americanos não tem talento para o futebol, nós não nascemos para fazer cinema, além da falta de incentivo fiscal, a frequente utilização de atores globais e uma total falta de divulgação das produções nacionais. Somos assim: de tempos em tempos surge uma “Cidade de Deus” que é bom de verdade, e frequentemente surgem os “Tropa de Elite” da vida, com suas favelas, balas, palavrões e sexo. Nada além dos Morros do Rio de Janeiro.

  5. paulinho disse:

    amo cinema nacional !

  6. Calaça disse:

    Eta nois!!! O povo que nunca ta satisfeito!!! Brasileiro so sabe reclamar e não faz nada de util pra melhorar… mais cômodo sentar a lenha!!! VTNC de vcs…

  7. Rodrigo disse:

    temos que entender que existe “cinema” pra todos os gostos…
    claro que têm aqueles que preferem a cultura, o glamour… e aqueles que preferem a agitação, o sangue, a loucura, estes são a maioria, sejamos realistas…
    então quem faz um filme tem que decidir se vai agradar aos culturais, minoria, ou aos “doidões, cretinos, vazios”, como alguns deixam escapar nas entelinhas, maioria absoluta.
    no teatro é bem mais fácil separar o joio do trigo…
    existem as peças populares, baixo preço, e as grandes obras, alto preço…
    mas no cinema não…
    e ninguém vai gastar uma carrada de dinheiro em umfilme pra um punhado de gente ver. isso é demagogia!
    Chico Xavier mostra bem isso, um ícone querido pela grande massa, com uma boa história para ser contada, apesar de não ter sido tão bem contada assim, ganha um filme, sim!

  8. Samuel disse:

    O melhor crítico de cinema é nossa própria bunda. Se a bunda doer, o filme não presta. Se vc não sentir a bunda, o filme passa logo, porque é bom.
    Deve ser titulo 400 (quatrocentas bundas) contra 1 (o filme)…

  9. Maria Mendes disse:

    Muito boa a tese do último parágrafo. Verdade, falta dedo de produtor no cinema comercial brasileiro. Não devemos ter o dvd com o “corte do diretor” de nenhum filme…

  10. Douglas disse:

    Chegando tarde, mas… tava conversando sobre isso com amigos outro dia. Consenso: nosso cinema tá sofrendo de excesso de liberdade autoral.

  11. Caca disse:

    O filme é tao ruim q nao consegui ver ate o final. Pena q n li a sua critica antes.

  12. […] “Isso é Calypso”, título provisório do projeto, será dirigido por Caco Souza, de “400 Contra 1″, e está em fase de captação. O roteiro ficará nas mãos de Josefina Trota e René Belmonte, […]

  13. […] virar filme. "Isso é Calypso", título provisório do projeto, será dirigido por Caco Souza, de "400 Contra 1", e está em fase de captação. O roteiro ficará nas mãos de Josefina Trota e René Belmonte, […]

  14. […] “Isso é Calypso”, título provisório do projeto, será dirigido por Caco Souza, de “400 Contra 1″, e está em fase de captação. O roteiro ficará nas mãos de Josefina Trota e René Belmonte, […]

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