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22/10/2010 - 21:34

Kiarostami é mestre em francês, inglês e italiano

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De cara, não parece um filme de Abbas Kiarostami. Primeiro, pelo motivo óbvio: o cineasta troca o Irã pela Itália como locação, deixa de lado os atores amadores da maioria de seus filmes por profissionais célebres como a francesa Juliette Binoche e o britânico William Shimmel (mais conhecido como cantor de ópera).

Depois, pelo próprio andamento da narrativa: até certo ponto, parece que estamos vendo uma versão madura de “Antes do Amanhecer” (1995), o simpático filme de Richard Linklater sobre o encontro de um turista americano e de uma francesa numa viagem pela Europa.

Em “Cópia Fiel”, a francesa Elle (Binoche), dono de uma galeria de arte, serve de cicerone em uma visita à Toscana para o britânico James (Shimmel), um escritor que vai à região para lançar seu último livro, que versa, entre outras coisas, sobre as cópias de obras de arte.

No começo do passeio dos dois, parece que estamos vendo um filme sobre um homem e uma mulher desconhecidos que se reúnem ao acaso, que se estranham a princípio, mas que em algum momento passam a se entender.

É uma impressão concreta, mas falsa, como a dada por boas imitações de arte. Depois de algum tempo, Elle e James passam a fingir que são um velho casal. Até que, em determinado momento, passamos a desconfiar de que eles realmente foram marido e esposa no passado.

E é aí, nesse momento, que cai a ficha: estamos diante de um clássico filme de Kiarostami, cuja obra parece circular em torna das seguintes questões: quanto há de encenação no real? e quanto há de real na encenação?

São perguntas que o cineasta jamais responde, mas que formula com desenvoltura rara no cinema. E com a mesma fluência em francês, italiano ou inglês do que sempre demonstrou no cinema iraniano. Golpe de mestre.

Para ver os dias de exibição de “Cópia Fiel” e a cobertura da Mostra, confira o especial do iG.

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4 comentários para “Kiarostami é mestre em francês, inglês e italiano”

  1. Ana disse:

    Fiquei encantada com o comentário sobre o filme. Sou grande fã de Juliette Binoche desde A Insustentável Leveza do Ser, e a acho uma atriz corajosa e imensamente atraente e carismática. Mas não moro em nenhuma capital, então tenho poucas esperanças de assistir a esse filme, pelo qual aliás Juliette foi premiada em Cannes.

  2. Marcus disse:

    Não existe essa língua, “iraniano”.

    O idioma falado no Irã é o persa, ou farsi.

  3. Marcus, o Calil não mencionou idioma iraniano, mas sim cinema iraniano.

    • ricardo calil disse:

      carlinhos, eu tinha escrito idioma iraniano e corrigi depois do toque do marcus. curioso como eu ainda consigo cometer esse erro depois de ter criticado uns 50 filmes iranianos… abraço, ricardo

Os comentários do texto estão encerrados.

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