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27/10/2010 - 17:58

“José & Pilar” vale pelas entrelinhas

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José Saramago olha circunspectamente para uma tela de computador que, a princípio, nós espectadores não conseguimos enxergar. É natural imaginar que ele esteja buscando palavras para seu novo romance ou refletindo sobre os rumos de Cuba pós-Fidel. Mas a câmera se aproxima e revela que o grande escritor português está apenas jogando paciência; após ganhar o jogo, ele comenta sobre a beleza daquele efeito da paciência computadorizada, com as cartas formando mosaicos na tela.

Proximidade. E tempo. Se fosse possível resumir os trunfos do documentário “José & Pilar”, essas seriam as palavras mais adequadas. O diretor Miguel Gonçalves Mendes ficou muito perto por longos períodos de Saramago e sua mulher, a jornalista Pilar Del Rio. Daí nasce um retrato verdadeiramente íntimo do casal. Íntimo o suficiente para revelar que o escritor pode ser humanamente banal, mas também muitas outras.

De cara, “José & Pilar” é um grande filme de amor, como já foi devidamente notado pela imprensa. As declarações e atitudes de Saramago para Del Rio (e vice-versa) são das mais tocantes já registradas em um documentário – e talvez se equiparem apenas às grandes ficções românticas do cinema; na literatura de Saramago, por exemplo, não se encontra nada tão direto e derramado.

Mas, nas entrelinhas desse caso de amor, escreve-se também uma história de intrigas literárias, preconceitos culturais, relações de poder e peso da fama. Del Rio era vista em Portugal como uma espécie de Yoko Ono, que teria abalado as relações entre Saramago e os portugueses, roubando o escritor de sua pátria e levando-o para morar na ilha espanhola de Lanzarote. Saramago mesmo deixa de ser uma glória nacional para se tornar quase uma persona non grata, para virar de novo glória nacional.

Mulher de personalidade forte, Pilar é mostrada fechando uma maratona de lançamentos para Saramago. Mais tarde, quando ele adoece e fica à beira da morte, ela cai em contradição e diz que não deixará que outras pessoas ditem a agenda de seu marido.

Todas essas relações de amor e poder são registradas pelo filme sem que o diretor precise chamar atenção para elas. Como bom documentarista, Miguel Gonçalves Mendes apenas está lá para registrar tudo e depois deixar que o espectador tire suas conclusões. Basta olhar com atenção.

Para ver os dias de exibição de “José & Pilar” e a cobertura da Mostra, confira o especial do iG.

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2 comentários para ““José & Pilar” vale pelas entrelinhas”

  1. fábio... disse:

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    …………………………” Basta olhar com atenção….”
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    ……………………….Só uma perguntinha,…….Calil…?
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    ……….Você,….. deu,…..alguma,…… “pescada”,……..no filme?
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    ……………………………………..Seja,….sincero.
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  2. Sergio Marinho disse:

    NÃO PERCAM OS ÙLTIMOS FACTÓIDES DA CAMPANHA SERRA / PSDB / DEM.
    Eu não sei o que eles pensam do povo, vejam essa. Criaram agora mais uma pesquisa . O VICE na chapa INDIO encomendou junto com os partidos que formam a chapa DEM / PSDB, uma pesquisa da campanha presidencial, ocorre que é instituto de pesquisa ligado aos mesmos, pois não tem sido contratado para tal, por falta de experiências no cenário nacional e bem menos em pesquisas para Presidente, o mais em que atua é nas campanhas estaduais, atendendo em muito o político CÉSAR MAIA ( DEM ). O que causou grande surpresa, foi seu resultado, que divulga uma enorme diferença, em relação aos demais institutos de pesquisas como, IBOPE, VOX POPULI, SENSUS, etc. que apresentam, um resultado bem diferente, porem os mesmos resultados entre eles.
    PERGUNTO, O QUE ELES PENSAM DO POVO?.
    – Foi com essa mentalidade, que políticos como o próprio CESAR MAIA ficaram fora nessas eleições, em que até seu próprio filho, sofreu para se eleger, eu posso garantir que no RIO DE JANEIRO, esse não se elegem mais.
    Infelismente ainda temos esses tipos de comportamento dentro da política brasileira, mas que nessa eleição, muitos desses ATORES não conseguiram entrar em cena nos palcos.
    Lá se vão os tempos em que o povo acreditava em Coelhinho da Páscoa, Papai Noel, inclusive em determinados POLÍTICOS, diria eu num momento como esse, AMÉM
    . Sergio Marinho

Os comentários do texto estão encerrados.

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