Publicidade

Publicidade

Arquivo de novembro, 2010

29/11/2010 - 09:51

Leslie Nielsen me ensinou a rir no cinema

Compartilhe: Twitter

Depois dos filmes dos Trapalhões, “Apertem os Cintos o Piloto Sumiu” (1980) rendeu minhas primeiras risadas no cinema. Eu ainda não tinha condições de entender todas as referências da sátira. Mas não precisava de graduação em cinema para gostar do pastelão. E o grande resposável por esse setor no filme era o ator canadense Leslie Nielsen – o galã limitado e comediante extraordinário que morreu hoje aos 84 anos.

Didi, do lado nacional, e Nielsen, do internacional, foram os primeiros responsáveis pelo meu gosto pela comédia – que até hoje considero o mais difícil dos gêneros. Depois vieram os outros: Os Três Patetas, Irmãos Marx, Jerry Lewis, Peter Sellers, Jim Carrey, Will Ferrell… (Chaplin e Keaton são gênios e me fazem sorrir, mas raramente me arrancam uma gargalhada; é quase outra arte).

Portanto, Nielsen vai sempre ter um lugar no hall of fame particular da comédia. Um lugar reforçado pela série “Corra que a Polícia vem Aí” – que, na minha pré-adolescência, parecia ser o supra-sumo do humor no cinema.

A idéia de escalar Nielsen em comédias me parece uma das grandes sacadas de casting da história do cinema. No intervalo de oito anos, ele saiu de “O Destino do Poseidon” (1972) a “Apertem os Cintos” – de um clássico do filme-catástrofe para um clássico da sátira ao filme-catástrofe. E se saiu bem melhor na segunda fase. De herói boa pinta, mas de poucos recursos, passou a comediante consagrado, criando uma persona facilmente reconhecível: galante, bem-intencionado e irremediavelmente trapalhão.

De tempos em tempos, temos que gastar o português para lamentar a morte de alguma personalidade do cinema. Mas a perda de Nielsen provoca uma tristeza concreta – pelo simples fato de ele representar o contrário desse sentimento.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
26/11/2010 - 23:00

Guerra de imagens chega ao Brasil

Compartilhe: Twitter

O Brasil não é um país pacífico. Mas é um país que não tem uma grande tradição de guerras – pelo menos não ao longo do século 20, o século da informação. Portanto, é um país que chega atrasado a um ponto crucial de qualquer conflito armado a partir desse período: a guerra de imagens.

A cobertura de TV sobre a violência no Rio mostra que chegamos tarde, mas chegamos lá. A história do confronto entre policiais e traficantes cariocas virou não apenas uma guerra por território, não apenas uma guerra às drogas ou de armamento. Mas também – e talvez, pela primeira vez, sobretudo – uma guerra de imagens.

Hitler sabia da importância das imagens para a guerra já nos anos 30 do século passado. Os Estados Unidos também. Nós descobrimos agora. Talvez porque antes não houvesse oferta de imagens – já que as locações estavam controladas pelo “inimigo”.

Desta vez, as imagens vieram com fartura: ônibus queimados, tanques e helicópteros cercando favelas e – gran finale – traficantes em fuga. Mais importante: a sucessão de fatos permitiu a construção de uma narrativa clássica. A marcha para a vitória. O triunfo da vontade.

E, no meio do fogo cruzado, as emissoras de TV – em particular, a Globo – escolheram um lado. Sua função não era informar ou analisar. Sua função era modelar ou reforçar a narrativa triunfalista da vitória – afastando do caminho qualquer possibilidade de dissenso. Em outras palavras, fazer propaganda de guerra.

No caso, o modelo da propaganda não é o hitleriano, em que a produção é controlada pelo Estado. Mas sim o americano, em que governo e meio de comunicação se alinham temporariamente por uma conjugação de fatores e interesses.

Como ocorreu com Roosevelt e Hollywood durante a Segunda Guerra. Ou com Bush filho e Fox News na guerra do Afeganistão e do Iraque. Ou com Sergio Cabral e Globo no conflito carioca.

Depois do ensaio da campanha eleitoral, a Globo parece ter assumido de vez o lado Fox News – só, que desta vez, com viés governista.

Entre outras coisas, isso significa determinar a vitória de seu lado na guerra – porque é isso que toda narrativa clássica demanda. E a imagem dos traficantes em fuga veio bem a calhar.

O problema é o tempo da ficção, mesmo o da jornalística, nem sempre corresponde ao dos fatos. E o final e edição do “Jornal Nacional” não corresponde ao final do problema de segurança no Rio.

Nas discussões sobre a guerra carioca na internet, nenhum filme foi mais citado do que “Tropa de Elite”. A piada mais recorrente é que estamos vendo ao terceiro episódio da série, em tempo real.

Mas o conflito me lembra mais “A Conquista da Honra” (2006), de Clint Eastwood. Nele, um grupo de soldados hasteia a bandeira americana em Iwo Jima, arquipélago do Pacífico controlado pelos japoneses durante a Segunda Guerra.

O momento foi reencenado para uma fotografia que se tornou a imagem símbolo da vitória americana sobre os japoneses. Só que a batalha de Iwo Jima estava apenas começando – e ainda causaria milhares de baixas no exército americano. Muitos meses se passaram até que a realidade fizesse jus à imagem.

Na época de seu lançamento, “A Conquista da Honra” foi comparado desfavoravelmente a “Cartas de Iwo Jima”, em que Eastwood mostrava o combate pelo lado japonês.

A meu ver, “A Conquista da Honra” era um filme superior, uma obra-prima subestimada. A maioria da crítica e dos espectadores parece ter preferido o clássico “Cartas de Iwo Jima”, em que a imagem vale o que aparenta.

Já “A Conquista da Honra” é um filme moderno justamente por colocar a idéia de que uma imagem obrigatoriamente correga consigo uma verdade. Vale a pena ver de novo o filme agora que a guerra das imagens chegou ao Brasil.

Mas há algo mais importante: a leitura do artigo do sociólogo Luiz Eduardo Soares sobre a crise no Rio.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
23/11/2010 - 23:16

Geração de atores define o cinema brasileiro atual

Compartilhe: Twitter

Outro dia vi no Canal Brasil a entrevista que Selton Mello deu a Simone Zuccolotto (que, aliás, é uma ótima entrevistadora). Ali pelo meio do bate papo Selton deu uma declaração bastante interessante. Grosso modo, ele disse que o cinema brasileiro atual é de certa forma definido por uma geração de atores – que inclui Wagner Moura, Rodrigo Santoro, Lázaro Ramos, Caio Blat, João Miguel, agora Irandhir Santos e o próprio Selton. E que a importância dessa geração para “dar uma cara” ao diverso cinema nacional dos anos 90 e 00 ainda não foi devidamente reconhecida, provavelmente só o será no futuro.

Faz sentido sim. Principalmente se levarmos em conta que esse “núcleo duro” de grandes atores jovens talvez seja mais numeroso e consistente que o de grandes cineastas jovens. Que, em muitos casos, o trabalho desses intérpretes carrega o filme (são os casos, a meu ver, de Wagner Moura em “Tropa de Elite”, de Selton Mello em “Lisbela e o Prisioneiro”). Que não houve nada parecido na geração anterior a eles. E que não há nada parecido na geração atual de atrizes. Alguém aí conseguiria dizer um só nome de atriz da nova geração que esteja no nível desse grupo de atores?

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
19/11/2010 - 07:52

Novo Harry Potter é Dom Casmurro para crianças

Compartilhe: Twitter

“Novo Harry Potter é o mais sombrio e adulto da série até agora”. Essa é a manchete que eu mais encontro sobre “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1”, que estreia hoje no Brasil e no mundo. E é exatamente a mesma manchete que foi usada para todos os outros episódios – com exceção, claro, do primeiro. Parece cobertura de desfile de moda: “Transparência é a nova tendência para o versão”. Falta dizer: há 20 anos!

Por trás da mitologia particular sobre o universo da bruxaria criado com enorme competência por J.K. Rowling, “Harry Potter” é essencialmente uma série de livros sobre a dura passagem da infância para a vida adulta de um garoto. Então, nada mais natural que o conteúdo se torne progressivamente menos idílico, menos pueril. Não é notícia. E não deveria ser o foco de uma crítica.

Cada episódio remete a questões específicas dessa fase de transição de vida. Dois filmes atrás, Harry estava descobrindo o amor (na verdade, ele estava descobrindo o sexo, mas essa é uma série para crianças). Agora, na parte 1 de “Relíquias da Morte”, Harry enfrenta uma das implicações dessa descoberta: o demônio do ciúme, o sentimento de posse sobre o outro.

Não é ele quem sente ciúme. É ele quem desperta. O Dom Casmurro dessa história é Rony, seu melhor amigo. Que passa a ser consumido pelo ciúme de Harry/Escobar com sua amada Hermione/Capitu. E que precisa se afasta dos dois antes peca a cabeça.

O ciúme é simbolizado por um objeto com um nome difícil: um colar. Que vem a ser uma das horcruxes que Harry precisa destruir para derrotar Valdemort. Não por acaso, é Rony quem precisará destruí-lo. Do colar sai um monstro que atormenta Rony com o fato de ele não ter sido o filho mais amado por sua mãe, com a imagem de Harry beijando Hermione. Não tem erro: é Freud na veia para crianças.

Por se tratar de uma fábula infantil, não há como ir muito fundo nas implicações patológicas do ciúme (e, convenhamos, Daniel Radcliffe não segura a onda como ator nos momentos dramáticos, e Emma Watson não tem olhos de ressaca). Em “Harry Potter”, o ciúme pode ser destruído com um golpe de espada. Que bom seria se na sombria vida adulta fosse assim também.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
16/11/2010 - 22:22

A morte da arte do dublê

Compartilhe: Twitter

Na revista eletrônica americana Salon, há um bom artigo sobre a morte do dublê. Não tanto da profissão, mas da apreciação da arte do dublê. Em outras palavras, o fim da sensação de ver pessoas reais correndo riscos reais.

O autor do texto, Matt Zoller Seitz, aponta dois culpados. Primeiro, efeitos especiais criados em computador (e não no set de filmagem). Que permitem, por exemplo, que uma animação substitua um ator numa cena de ação. Segundo, um estilo de edição que o teórico David Bordwell batizou de “continuidade intensificada”. Que mistura planos fechados, cortes rápidos, de poucos segundos ou menos, e câmera tremida – com o objetivo de desorientar o espectador em vez de lhe fornecer o contexto de uma cena.

Para Seitz, os anos 80 e 90 foram o auge da arte do dublê, com grandes investimentos de Hollywood em cenas de ação, de perseguição ou de destruição, mas antes da chegada da chamada era digital do cinema. Ele destaca trabalhos como “Velocidade Máxima”, “O Fugitivo”, “O Exterminador do Futuro 2”, a série “Duro de Matar” e os filmes de artes marciais de Hong Kong como grandes exemplares do trabalho de dublê.

Hoje, segundo Seitz, a maioria dos filmes de ação continua a usar dublês para certas cenas, mas não consegue transmitir a idéia de risco real, por conta dos efeitos e da edição. Há exceções em que o uso do dublê é quase uma questão de honra para diretores e atores. Caso dos filmes do kickboxer tailandês Tony Jaa. Ou do subestimado “À Prova de Morte”, de Tarantino, que não deixa de ser um tributo a essa arte em extinção.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
11/11/2010 - 14:24

De Laurentiis equacionou dilema entre arte e comércio

Compartilhe: Twitter

O produtor italiano Dino De Laurentiis, que morreu hoje aos 91 anos, encontrou uma solução simples para resolver o dilema entre arte e comércio. Muitos tentaram mesclar as duas coisas ao longo da história do cinema. De Laurentiis preferiu revezar-se entre elas ao longo de sua carreira.

De um lado, ele produzia clássicos do neorealismo italiano como “Arroz Amargo” (1949), de Giuseppe de Santis. Do outro, investia em filmes populares como “Toto a Colori” (1952), com o famoso comediante italiano.

Para cada obra-prima de Fellini – como “A Estrada da Vida” (1954) e “Noites de Cabíria” (1957) -, havia uma superprodução internacional estrelada por um grande chamariz americano, como Kirk Douglas em “Ulisses” (1954) e Jane Fonda em “Barbarella” (1968).

Depois que seu estúdio italiano (a Dinocittá) quebrou e ele se mudou para os Estados Unidos, De Laurentiis manteve a mesma equação. Produziu pequenos filmes estimados até hoje, como “Serpico” (1973) e “Três Dias do Condor” (1975), e grandes abacaxis de maior ou menor sucesso, como “King Kong” (1976) e “Furacão” (1979).

Para David Lynch, bancou o pior (“Duna”) e o melhor (“Veludo Azul”). Com os direitos do mesmo livro (“O Dragão Vermelho”, o primeiro da série com o personagem Hannibal Lecter), fez uma ótima adaptação (“Manhunter”, de Michael Mann) e outra medíocre (“Red Dragon”, de Brett Ratner).

É claro que havia sempre algo de arte em seus projetos comerciais – caça-níqueis como “Barbarella” resistem bem ao tempo. Como também havia comércio em seus projetos artísticos – como pode comprovar o sucesso de “Arroz Amargo”.

Mas De Laurentiis parecia nunca confundir uma coisa com a outra. Arte é arte, comércio é comércio, e tudo é cinema.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
09/11/2010 - 10:51

Sobre a polêmica entre Escorel e Jabor

Compartilhe: Twitter

A polêmica entre Arnaldo Jabor e Eduardo Escorel deixa uma dúvida: como duas pessoas com opiniões absolutamente opostas podem estar, ambas, completamente equivocadas (na sua visão de cinema e, por que não dizer, do mundo)?

Para saber mais sobre a polêmica, vale a pena (ou não) ler a crítica de Escorel para a revista “piauí” e o artigo-resposta de Jabor.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
08/11/2010 - 23:04

Polvilho rouba a cena em entrevista a Jô Soares

Compartilhe: Twitter

Fazia muito tempo que o programa do Jô Soares não tinha uma entrevista tão boa. Aliás, talvez não só o programa do Jô, mas a TV brasileira. O comediante Eduardo Sterblitch, conhecido como o César Polvilho, foi com o claro objetivo de roubar a cena. E roubou. Melhor ainda: Jô não fez nada para impedir, como de hábito. Faltou só dizer que Polvilho é o cara do “Pânico na TV”, que o celebrizou com os personagens do Freddie Mercury prateado e do Ursinho Gente Fina. Uma descortesia clássica da Globo. De resto, uma bela entrevista.

Para outra ótima entrevista de Sterblitch, sem restrições de assunto, vale a pena ouvir o Trip FM.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
05/11/2010 - 20:27

Boa notícia: um filme de Claire Denis estréia no Brasil

Compartilhe: Twitter

Dois grandes mistérios do cinema hoje: por que a francesa Claire Denis é tão pouco lembrada quando se fala nos melhoers cineastas em atividade? E por que seus filmes raramente são lançados no Brasil?

Não consigo encontrar resposta para a primeira questão. Denis criou uma das obras mais originais e consistentes do cinema contemporâneo. E assinou três filmes que eu classificaria como obras-primas: “Bom Trabalho” (1999), “Desejo e Obsessão” (2001) e “35 Doses de Rum” (2009). Mas me parece que o reconhecimento a seu trabalho está muito aquém da qualidade do mesmo.

Para a outra pergunta, a resposta é mais simples: seus filmes não estréiam por aqui pela obtusidade de nossas distribuidoras, que investem ou nos filmes “comerciais” consagrados nas bilheterias ou nos “de arte” consagrados nos grandes festivais.

Tudo isso para chegar a uma boa notícia: “Minha Terra, África”, novo filme de Denis, chegou hoje aos cinemas brasileiros.

A cineasta volta a um de seus temas preferidos: as relações entre os franceses e os “outros”. A ação se passa em um país africano não-identificado, onde a fazendeira branca Marie (Isabelle Huppert) luta para fazer uma colheita de café em meio a uma guerra civil entre governo e rebeldes que ameaça dizimar sua família.

Mas a “história” é o que menos importa na obra de Denis, um cinema mais interessado em transmitir uma experiência do que em explicar a realidade.

“Minha Terra, África” é um filme político sobre os fantasmas da colonização francesa. Mas nunca é didático ou panfletário. Suas mensagens estão inscritas no corpo e no rosto de seus personagens.

Não é dos melhores trabalhos de Denis, talvez porque dependa mais das palavras do que seus anteriores. Mas é muito superior a quase tudo o que está em cartaz.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
01/11/2010 - 08:11

Um Woody Allen menor ainda vale a pena

Compartilhe: Twitter


Como disse um crítico americano, Woody Allen parece se sentir no dever de fazer um filme por ano da mesma forma com que se obriga a fazer a declaração do imposto de renda.

Nos dois anos anteriores, os negócios foram ótimos, com “Vicky Cristina Barcelona” e “Tudo Pode Dar Certo”. Neste ano, a lojinha não foi muito bem – e o resultado é “Você Vai Conhecer o Homem dos seus Sonhos”.

O novo filme do cineasta, exibido na Mostra de São Paulo, deixa mesmo essa sensação de ter sido dirigido com o entusiasmo e a criatividade de quem faz seu IR.

Nesse sentido, ele se junta à parte mais frágil da obra recente do diretor, de filmes como “Melinda & Melinda”, “Scoop – O Grande Furo” ou “O Escorpião de Jade”.

Mas, mesmo nos trabalhos mais burocráticos de Allen, existe sempre uma tirada genial, um par de cenas memoráveis – e “Você Vai Conhecer o Homem dos seus Sonhos” não é exceção.

Passado em Londres, o filme gira em torno dos encontros e desencontros amorosos de cinco ou seis protagonistas. Tudo começa por Alfie (Anthony Hopkins) e Helena (Gemma Jones). O casal se separa no início do filme. Ele se vicia em ginástica e se casa com uma prostituta. Ela tenta o suicídio e tenta se reerguer seguindo os conselhos de uma vidente.

Sally (Naomi Watts), filha do casal, também enfrenta problemas em seu relacionamento com o escritor Roy (Josh Brolin). Ela se apaixona por seu chefe Greg (Antonio Banderas), dono de uma galeria. Ele fica obcecado por sua vizinha Dia (Freida Pinto), enquanto espera a resposta sobre a publicação de um novo romance.

Em geral, Allen toca a história de maneira desanimada, sem energia. Mas as duas cenas memoráveis estão lá: uma em que Sally revela sua paixão a Greg e ele finge que está ouvindo algo completamente diferente; outra em que Helena obriga seu novo namorado a pedir permissão para a relação à mulher morta, em meio a uma sessão espírita.

Por trás dessa ciranda afetiva, Allen encena novamente algumas das questões centrais de sua obra: o confronto entre acaso e destino, entre fé e razão.

Desta vez, a gangorra de Allen pende para a fé, para o destino. A única personagem que ele poupa de seu pessimismo é a ingênua Helena, que acredita em tudo que a vidente lhe diz.

Não é que Allen acredite, de repente, no sobrenatural. É que, neste filme, ele entende que a crença é um conforto que os céticos nunca vão possuir. Ou, como diz o narrador da história, as ilusões podem curar melhor do que os remédios.

Para ver os dias de exibição de “Você Vai Conhecer o Homem dos seus Sonhos” e a cobertura da Mostra, confira o especial do iG.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Voltar ao topo