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Arquivo de dezembro, 2010

22/12/2010 - 16:25

Os (meus) melhores filmes brasileiros de 2010

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Depois dos 10 mais estrangeiros de 2010, aí vão meus preferidos made in Brasil. Mas serão apenas cinco, porque o ano do cinema nacional foi pródigo na bilheteria e modesto na qualidade.

1. “Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo” – lição para o cine brasil: fazer o máximo com o mínimo

2. “Terras” – viagem sensorial ao coração da Amazônia

3. “Os Inquilinos” – Sergio Bianchi aprende o valor da sutileza

4. “Os Famosos e os Duendes da Morte” – um cinema jovem, mais do que um cinema sobre jovens

5. “Tropa de Elite 2” – salvo uma ou outra escorregada, um blockbuster brasileiro complexo

Discordou? Então mande a sua.

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21/12/2010 - 17:09

Os (meus) melhores filmes estrangeiros de 2010

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Lista de melhores do ano é que nem especial do Roberto Carlos: não pode faltar no Natal. Virtualmente, o ano acabou. Não há grandes estreias previstas até o dia 31. Então vamos ao que interessa.

Olhando a lista abaixo, eu diria que 2010 foi o ano dos mestres. O veterano Marco Bellochio fez a grande obra-prima do ano. Scorsese, Coppola e Woddy Allen entraram em campo com suas melhores formas nesta década que se encerra. E ainda teve Pixar, Claire Denis, Park Chan-wook, Campanella e Fatih Akin – todos nomes já estabelecidos. O único estreante da turma é o romeno Corneliu Porumboiu. Que em 2001 os moleques mostrem sua força.

1. “Vincere” – Bellochio ressusicta o cinema italiano e o cinema político

2. “Toy Story 3” – O mais adulto filme hollywoodiano do ano

3. “Ilha do Medo” – Um enorme filme menor de Scorsese

4. “Minha Terra, África” – Claire Denis promove uma descolonização do olhar

5. “Tudo Pode Dar Certo” – Woody Allen de volta a Nova York, ao bom humor e a sua melhor forma

6. “Tetro” – Aos 70 anos, Coppola faz um filme de garoto

7. “Polícia, Adjetivo” – O contracampo romeno de “Tropa de Elite”

8. “O Segredo dos Seus Olhos” – O grande filme clássico do ano vem da Argentina

9. “Sede de sangue” – E o cinema mais ensandecido da atualidade vem da Coréia do Sul

10. “Soul Kitchen” – Os alemães também sabem fazer rir e dançar

Esqueci de alguém? Errei a mão? Mande sua lista abaixo. Amanhã tem a dos brasileiros aqui.

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20/12/2010 - 21:13

2010 foi um bom ano, mas não o fim de uma era

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Ao comentar a notícia de que o cinema brasileiro teve seu melhor desempenho em 20 anos, Jorge Peregrino, presidente do Sindicato das Empresas Distribuidoras Cinematográficas do Rio de Janeiro, disse que 2010 representa o fim de uma era: “A retomada acabou, já era. Não tem mais que ficar falando de melhor ou pior da retomada. O nosso mercado já superou isso”.

Talvez Peregrino tenha razão quando fala do uso excessivo da palavra retomada – que se refere ao período de 1994 até hoje, marcado pela produção via leis de incentivo. O problema de seu discurso é a euforia. Ok, 2010 foi um ótimo ano para o cinema no Brasil (135 milhões de ingressos vendidos, melhor número desde 81) e especificamente para o cinema nacional (26 milhões de ingressos, aumento de 61% em relação ao ano anterior). Como toda boa notícia, esta também merece ser comemorada.

O problema é que 2010 foi atípico por conta de “Tropa de Elite 2”. Se você tira os 11 milhões de espectadores do filme de José Padilha, este ano foi pior do que o ano passado. Peregrino sabe que não haverá um novo “Tropa”, mas crê que serão lançados “quatro ou cinco ‘Chico Xavier’ ” (que teve público de 3,4 milhões de pessoas). Eu olho para a lista de lançamentos nacionais do ano que vem e sinceramente não consigo encontrar esses filmes. “Bruna Surfistinha”? “Vips”? Talvez esses dois. Mas não tem muito mais. Ah, sim: também não tem filme espírita.

É como comemorar o PIB de mais de 7% e sair por aí dizendo que os problemas brasileiros acabaram. No cinema, a euforia pode virar ressaca.

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17/12/2010 - 18:35

“Tron” aponta o futuro do cinema?

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Eu vi o rosto do futuro – e confesso que não fiquei muito impressionado. “Tron: O Legado” prometia trazer uma pequena revolução tecnológica: rejuvenescer um ator. No caso, Jeff Bridges, protagonista do “Tron” original, de 1982.

O rosto do ator foi mapeado e rejuvenescido digitalmente. Depois, foi “colado”, ou sobreposto, ao corpo de outro ator mais jovem. O objetivo era dar vida a Clu, espécie de jovem avatar do personagem de Bridges. No filme, o Bridges atual contracena com sua versão jovem. Técnica parecida havia sido usada em “O Curioso Caso de Benjamin Button”, para envelhecer Brad Pitt. Mas ela reaparece mais sofisticada em “Tron: O Legado”.

Mas qual é a importância da evolução dessa tecnologia? Por que ela pode ser uma revolução? Porque ela pode significar um passo decisivo para concretizar aquela velha fantasia – desejada por muitos, temida por outros – de ressuscitar atores já mortos. Com ela, será possível que Marlon Brando ou Marilyn Monroe, para ficar em dois exemplos, voltem a aparecer em filmes inéditos.

E é justamente isso que George Lucas, o homem por trás de “Star Wars”, pretende fazer. Pelo menos é isso o que garante Mel Smith, um antigo colaborador do cineasta, em uma entrevista ao jornal americano “Daily Mail”. “Ele está comprando os direitos para o cinema de estrelas mortas com a esperança de colocá-las juntas num filme com truques de computador. Assim, Orson Welles e Barbara Stanwyck poderão aparecer ao lado das estrelas de hoje”, contou Smith.

O problema é que a tecnologia ainda está muito longe de estar pronta. Em “Tron: O Legado”, funciona no limite, porque o personagem digitalizado é um ser… digital. Mas o resultado na tela ainda ainda é artificial. O próprio diretor do filme, Joseph Kosinski, admite. “Honestamente, eu acho que Clu ainda não está 100% em 100% dos takes. Mas, em alguns relances, você compra a coisa como se fosse um personagem real. Acho que isso não foi feito antes.”

Depois que o problema tecnológico for ultrapassado, virá outra questão: quem vai querer ver Marlon Brando em uma trama nova, inventada por George Lucas? Sem querer ser conservador, eu vou preferir rever “Sindicato dos Ladrões” ou “Apocalypse Now”.

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16/12/2010 - 17:19

Blake Edwards emprestou classe à comédia

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Não é sempre que se ouve a palavra “sofisticada” depois da palavra “comédia”. Mas, quando a combinação acontece, é inevitável lembrar do nome de Blake Edwards, mestre do cinema americano, que morreu ontem em Santa Monica, Califórnia, aos 88 anos.

Edwards conseguia ser elegante até mesmo no pastelão rasgado da série “A Pantera Cor de Rosa”, no qual conseguiu aproveitar todo o potencial cômico de Peter Sellers, no papel de um desastrado policial francês. Sellars levava tortas na cara, tropeçava em objetos, caía pela janela… mas a sensação era de estarmos vendo um gracioso balé.

Se Edwards se arriscava em um tema delicado – como o transformismo de “Vitor ou Vitória”, protagonizado por sua mulher Julie Andrews -, era certo que ele seria aboradado com… delicadeza. Ou pelo menos a delicadeza possível para uma comédia sobre uma cantora que finge ser um conde homossexual que se passa cantora por uma cantora transformista. Ele não ia para a piada fácil, para a gag grosseira.

E quando Edwards fazia um filme de classe, como “Bonequinha de Luxo” (1961) – e ainda tinha a seu lado uma atriz como Audrey Hepburn e um roteirista como Truman Capote -, você sabia que o filme teria mais classe que qualquer outro feito antes ou depois dele. E descobria que o cineasta tinha uma mão para o drama tão bom quanto a para a comédia.

Edwards não era perfeito, claro. Ele podia errar no conjunto – como em “The Great Race” (1965), “Darling Lili” (1972) ou “Mulher Nota 10” (1979). Mas era incapaz de uma vulgaridade – o que talvez tenha ajudado a explicar o declínio de sua carreira. A partir dos anos 80, ele se tornou um estranho no ninho em Hollywood, que começou a dar preferências a comédias juvenis como “Porky’s” ou “Loucademia de Polícia”.

Para finalizar, uma nota pessoal: em geral, eu acredito que a comédia funciona melhor com escracho do que com finesse. Mas, nesse que é meu gênero preferido, minhas exceções preferidas eram Howard Hawks e Blake Edwards.

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15/12/2010 - 09:31

“A Rede Social” é uma série de TV anabolizada

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Não existe cineasta mais surpreendente em atividade hoje em Hollywood do que David Fincher. Cada novo filme assinado por ele é, por motivos diversos, um espanto. No começo da carreira, ele fez aqueles filmes pop, de montagem rápida e final esperto, como “Seven” ou “Clube da Luta”, que denotavam sua vida pregressa como diretor de clipes e de publicidade. Quando se pensava que ele ficaria nessa toada por toda a vida, ele aparece com a obra-prima “Zoodíaco”, que indicava um novo caminho autoral para sua obra. Então, ele vem com “O Curioso Caso de Benjamin Button”, um típico “filme de prestígio” – ou, se recusarmos o eufemismo, um caça-Oscar. Por fim, quando não se sabe mais o que esperar dele, Fincher ressurge com um… filme de roteiro!

“A Rede Social” é cinema falado. Um velho filme de tribunal – como “Testemunha de Acusação” (1957), de Billy Wilder – sobre um tema urgente (a criação do Facebook é contada em flashbacks a partir de dois processos movidos contra seu criador, Mark Zuckerberg). Ou uma série de TV com uma direção mais sofisticada, anabolizada.

O verdadeiro autor de “A Rede Social” é seu roteirista, Aaron Sorkin, mais conhecido pela série “The West Wing”. Os diálogos movem a narrativa do filme. Que, por um lado, é uma versão moderna de Fausto – em que Fausto (Mark) faz um pacto com Mefistóteles (Sean Parker, criador do Napster) para alcançar um sucesso com uma rapidez sem precedentes na história do capitalismo. E que, por outro lado, é uma reflexão sobre como a vida virtual permitiu que as pessoas se reinventassem (e acabou por tomar espaço da vida real) no mundo contemporâneo, a partir da trajetória única de Zuckerberg.

Fincher entra nessa história como alguém capaz de transformar um filme de palavra e um filme de ação – e ele é bem-sucedido nessa tarefa. Os diálogos são filmados como um tiroteio – e por vezes são mais desorientadores do que o explosivo final de “Clube da Luta”. Mas isso não é o suficiente para nos livrar da sensação de que “A Rede Social” é uma versão em longa-metragem de uma série de TV extremamente bem filmada. Fincher pode finalmente ganhar seu Oscar (e o hype do marketing em torno disso tem sido massacrante) por um filme do qual ele não é o principal autor. O Oscar que ele justamente não ganhou por “Benjamin Button” e que ele merecia ter ganho por “Zoodíaco”.

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13/12/2010 - 22:11

Coppola volta a ser jovem em “Tetro”

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Francis Ford Coppola já tem mais de 20 longas-metragens em seu currículo. Mas “Tetro”, o mais recente, parece o primeiro. Em vários aspectos, trata-se de um trabalho de iniciante. Pelo que tem de frescor, de ousadia, de liberdade – e também de inocência, de ausência de cinismo, de crença na pureza do artista. É um filme jovem em seu olhar para as coisas do mundo – o que significa ser jovial em certos momentos, juvenil em outros.

Por outro lado, e ao mesmo tempo, é um filme de um cineasta maduro, que sabe transitar entre referências ao cinema, ao teatro, à ópera, ao balé; do melodrama à comédia à tragédia; do PB à cor, sem se perder no caminho. O segredo de “Teatro” parece residir nessa comunhão de juventude e maturidade.

Alguns fatores ajudam a explicar o aparente paradoxo: trata-se do primeiro roteiro original de Coppola desde “A Conversação” (1974), de uma pequena produção independente, com dinheiro da vinícola do cineasta, filmada longe dos domínios hollywoodianos; de um retorno de Coppola ao seu tema essencial do amor e do ódio familiar.

Na trama, Bennie (Alden Ehrenreich), prestes a completar 18 anos, vai ao encontro de seu irmão mais velho Angie (Vincent Gallo) em Buenos Aires. Angie havia saído de casa anos antes, para escapar da influência nefasta do pai, o célebre maestro Carlo Tetrocini (Klaus Maria Brandauer). Bennie reencontra Angie rebatizado como Tetro, casado com sua ex-psiquiatra (Maribel Verdu) e desiludido com a ideia de se tornar um escritor. Mas Bennie descobre um manuscrito de Angie, decide terminar a obra, transformá-la em peça e submetê-la a um famoso prêmio presidido pela crítica Alone (Carmen Maura).

Esse é apenas o eixo central da trama, rodado em PB. Coppola cria diversas outras camadas para sua narrativa: os flashbacks em cores que contam a história familiar – a rivalidade de Carlo com seu irmão, a morte da mãe de Angie em um acidente, o coma da mãe de Bennie –; a montagem da peça baseada no texto autobiográfico de Tetro; um balé experimental que também reencena a tragédia familiar.

Cineasta do excesso, do operístico, Coppola assume riscos, foge de convenções e abraços erros como raras vezes na sua consagrada carreira. Essa atitude de destemor gera momentos de grande beleza, mas também de uma certa ingenuidade. Como na sequência da premiação literária, para a qual Angie e Bennie dão as costas, numa alegoria um tanto banal sobre o teatro da fama e a pureza do artista. Mas não deixa de ser comovente ver o cineasta consagrado de 71 anos ser tão juvenil. No fundo, talvez este seja o maior trunfo de “Tetro”.

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