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13/12/2010 - 22:11

Coppola volta a ser jovem em “Tetro”

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Francis Ford Coppola já tem mais de 20 longas-metragens em seu currículo. Mas “Tetro”, o mais recente, parece o primeiro. Em vários aspectos, trata-se de um trabalho de iniciante. Pelo que tem de frescor, de ousadia, de liberdade – e também de inocência, de ausência de cinismo, de crença na pureza do artista. É um filme jovem em seu olhar para as coisas do mundo – o que significa ser jovial em certos momentos, juvenil em outros.

Por outro lado, e ao mesmo tempo, é um filme de um cineasta maduro, que sabe transitar entre referências ao cinema, ao teatro, à ópera, ao balé; do melodrama à comédia à tragédia; do PB à cor, sem se perder no caminho. O segredo de “Teatro” parece residir nessa comunhão de juventude e maturidade.

Alguns fatores ajudam a explicar o aparente paradoxo: trata-se do primeiro roteiro original de Coppola desde “A Conversação” (1974), de uma pequena produção independente, com dinheiro da vinícola do cineasta, filmada longe dos domínios hollywoodianos; de um retorno de Coppola ao seu tema essencial do amor e do ódio familiar.

Na trama, Bennie (Alden Ehrenreich), prestes a completar 18 anos, vai ao encontro de seu irmão mais velho Angie (Vincent Gallo) em Buenos Aires. Angie havia saído de casa anos antes, para escapar da influência nefasta do pai, o célebre maestro Carlo Tetrocini (Klaus Maria Brandauer). Bennie reencontra Angie rebatizado como Tetro, casado com sua ex-psiquiatra (Maribel Verdu) e desiludido com a ideia de se tornar um escritor. Mas Bennie descobre um manuscrito de Angie, decide terminar a obra, transformá-la em peça e submetê-la a um famoso prêmio presidido pela crítica Alone (Carmen Maura).

Esse é apenas o eixo central da trama, rodado em PB. Coppola cria diversas outras camadas para sua narrativa: os flashbacks em cores que contam a história familiar – a rivalidade de Carlo com seu irmão, a morte da mãe de Angie em um acidente, o coma da mãe de Bennie –; a montagem da peça baseada no texto autobiográfico de Tetro; um balé experimental que também reencena a tragédia familiar.

Cineasta do excesso, do operístico, Coppola assume riscos, foge de convenções e abraços erros como raras vezes na sua consagrada carreira. Essa atitude de destemor gera momentos de grande beleza, mas também de uma certa ingenuidade. Como na sequência da premiação literária, para a qual Angie e Bennie dão as costas, numa alegoria um tanto banal sobre o teatro da fama e a pureza do artista. Mas não deixa de ser comovente ver o cineasta consagrado de 71 anos ser tão juvenil. No fundo, talvez este seja o maior trunfo de “Tetro”.

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4 comentários para “Coppola volta a ser jovem em “Tetro””

  1. fábio... disse:

    …………………………………………………………………………………………………
    ………………………………………………………………………………………………..
    …………………………………………….É,
    ………………………………o texto começa lindo,
    …………………………………………..até,
    …………….você começar a,….. contar a história do filme.
    …………………………………………………………………………………………………
    ……………………………Prá variá,……aí,..eu paro.
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    …………………………………………………………………………………………………
    ………………Por que você não continuou com a análise
    …………………..da óbra desde o começo até o final..?
    …………………………………………………………………………………………………
    ………………………..Você não percebe que assim
    ………..as pessoas ficam muito mais intrigadas, curiosas,
    ……………………..arrepiadas,…para VER o filme…???!
    …………………………………………………………………………………………………
    ……….Você acerta a mão em cima prá desandar em baixo.
    …………………………………………………………………………………………………
    ………………Quando tempo vai levar ainda,….prá você
    …………………………….perceber este,….ÓBVIO,
    ………………………………………”detalhe”..???
    …………………………………………………………………………………………………
    ……………..Você começa como o,..” Jorge Luis BÓRGES ”
    ………………………………….e termina como,
    …………………………………………………………………………………………………
    ……………………………………..” AMAURY Jr. ”
    …………………………………………………………………………………………………
    ……………………………..Tenha santa paciência….!!!!
    …………………………………………………………………………………………………

  2. SUBLIMINAR disse:

    ESSE COLUNISTA DEIXA A DESEJAR. PUBLICA MATÉRIAS MANJADAS, NA ONDA DAS TENDÊNCIAS, “CHOVER NO MOLHADO. É O EMPREGO.

  3. Samuel disse:

    Tetro é palavra de origem latina (será por isso a referencia a Buenos Aires?), que significa: negro, sombrio, tenebroso, tétrico… Alguma coisa a ver com o roteiro?

  4. Jan felipe disse:

    muita vontade de ver esse filme, parece ser muito forte esteticamente. com luzes e contrastes bem fortes.

Os comentários do texto estão encerrados.

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