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15/12/2010 - 09:31

“A Rede Social” é uma série de TV anabolizada

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Não existe cineasta mais surpreendente em atividade hoje em Hollywood do que David Fincher. Cada novo filme assinado por ele é, por motivos diversos, um espanto. No começo da carreira, ele fez aqueles filmes pop, de montagem rápida e final esperto, como “Seven” ou “Clube da Luta”, que denotavam sua vida pregressa como diretor de clipes e de publicidade. Quando se pensava que ele ficaria nessa toada por toda a vida, ele aparece com a obra-prima “Zoodíaco”, que indicava um novo caminho autoral para sua obra. Então, ele vem com “O Curioso Caso de Benjamin Button”, um típico “filme de prestígio” – ou, se recusarmos o eufemismo, um caça-Oscar. Por fim, quando não se sabe mais o que esperar dele, Fincher ressurge com um… filme de roteiro!

“A Rede Social” é cinema falado. Um velho filme de tribunal – como “Testemunha de Acusação” (1957), de Billy Wilder – sobre um tema urgente (a criação do Facebook é contada em flashbacks a partir de dois processos movidos contra seu criador, Mark Zuckerberg). Ou uma série de TV com uma direção mais sofisticada, anabolizada.

O verdadeiro autor de “A Rede Social” é seu roteirista, Aaron Sorkin, mais conhecido pela série “The West Wing”. Os diálogos movem a narrativa do filme. Que, por um lado, é uma versão moderna de Fausto – em que Fausto (Mark) faz um pacto com Mefistóteles (Sean Parker, criador do Napster) para alcançar um sucesso com uma rapidez sem precedentes na história do capitalismo. E que, por outro lado, é uma reflexão sobre como a vida virtual permitiu que as pessoas se reinventassem (e acabou por tomar espaço da vida real) no mundo contemporâneo, a partir da trajetória única de Zuckerberg.

Fincher entra nessa história como alguém capaz de transformar um filme de palavra e um filme de ação – e ele é bem-sucedido nessa tarefa. Os diálogos são filmados como um tiroteio – e por vezes são mais desorientadores do que o explosivo final de “Clube da Luta”. Mas isso não é o suficiente para nos livrar da sensação de que “A Rede Social” é uma versão em longa-metragem de uma série de TV extremamente bem filmada. Fincher pode finalmente ganhar seu Oscar (e o hype do marketing em torno disso tem sido massacrante) por um filme do qual ele não é o principal autor. O Oscar que ele justamente não ganhou por “Benjamin Button” e que ele merecia ter ganho por “Zoodíaco”.

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11 comentários para ““A Rede Social” é uma série de TV anabolizada”

  1. fábio... disse:

    ………………………………………………………………………………………………..
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    ………………………………………ÁRRÁSOU…..!!!!!
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    …………………….Tá vendo como você é bom,….prá,
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    ……………………………………CA…………..LHO….!
    ……………………………………………………………………………………………….
    ………………….( desculpem o palavrão em meninas ).
    ………………………………………………………………………………………………
    ………………………………..Cara,….isso é uma pu..,
    ……………………………………..análise & crítica,
    ……………………………………………………………………………………………….
    ……………………..sem contar a história,….sem afetação.
    ……………………………………………………………………………………………….
    ……………………………..Simples,..Objetiva e Bela…!
    ……………………………………………………………………………………………….
    ………………………………………..PARABÉNS….!
    ……………………………………………………………………………………………….
    …………………………….MATOU A PAU,…RICARDÃO..!
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  2. dante mannaro disse:

    Ainda não assisti a esse filme. Mas, cada comentário, como o seu, me deixa mais ansioso !

  3. Ciça disse:

    Ai Jesuis.

    Tô começando a achar que o nome do filme é Zoodíaco mesmo… kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  4. gilvas disse:

    benjamin button é exatamente o que você disse, um caça-oscar. é o ponto mais baixo da carreira do fincher.

  5. Régis Trigo disse:

    Calil,

    Vc já fez sua lista dos melhores filmes exibidos no Brasil em 2010?

    Abs.

  6. Roger disse:

    “Clube da Luta” é só video-clipe? e “Zoodíaco” (SIC) é uma obra-prima?? “A Rede Social” é cinema falado? Calil, adoro você na Trip, mas como crítico de cinema….

  7. Denis disse:

    O que é isso? Você lê um link para a nova música do REM e cai aqui? É só pra gerar audiência??

  8. Jan felipe disse:

    boa análise, lembro que na primeira cena do filme eu tive que me esforçar para acompanhar o ritmo do diálogo entre o casal.
    deve levar o oscar porque a concorrência tá fraca esse ano. ainda mais agora que o Zuckerberg virou personalidade do ano da Times

  9. Mauricio disse:

    O esvasiamento mental das pessoas hoje em dia é avassalador.
    Considerar esse filme algo além de uma bem montada peça de propaganda como uma obra merecedora de um Oscar, é piada.
    O filme em si não tem nada.
    Não é nada
    É simplesmente um longo e bem montado comercial do Facebook.

  10. betina disse:

    boas comparações!
    ainda não vi a rede social, mas gostei

  11. Quando no dia 6/12 publiquei minha crítica do filme, inexperiente e inseguro que sou, vacilei em sustentar minha leitura do filme com uma comparação com o clássico de Goethe. Não equiparando em qualidade, nem em paralelo, mas com elemento presente. Ver que um crítico de verdade leu o filme, ao menos nesse sentido, igual a mim, me deixa feliz e um pouco menos inseguro. Ganhei meu dia. Espero um dia chegar no mesmo patamar que um Calil.

Os comentários do texto estão encerrados.

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