iG

Publicidade

Publicidade

Arquivo de fevereiro, 2011

28/02/2011 - 02:05

Oscar 2011 foge do risco e opta pela convenção

Compartilhe: Twitter

A presença de Steven Spielberg como apresentador do Oscar 2011 de melhor filme foi simbólica. Ali estava o diretor de “O Resgate do Soldado Ryan”, que em 1999 perdeu a estatueta para “Shakespeare Apaixonado” – um filme inferior, inglês e marqueteado pela Miramax. Doze anos depois, “A Rede Social” perde para “O Discurso do Rei” – um filme inferior, inglês e marquetado pelos irmãos Weinstein (ex-Miramax)…

No discurso de apresentação, Spielberg parece ter se dado conta de que uma injustiça estaria prestes a ser cometida – ao lembrar que o perdedor deste ano se juntaria a uma lista com outros “perdedores” célebres como “Cidadão Kane” e “Touro Indomável” (que foram batidos respectivamente por “Como Era Verde Meu Vale” e “Gente como a Gente”, dois filmes menores).

O Oscar 2011 vai entrar para a história como um desses anos em que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood esnobou a obra mais urgente e relevante (“A Rede Social”) e preferiu uma produção mais segura e menos arriscada (“O Discurso do Rei”). Um filme teatral, sustentado por dois atores, baseado na fascinação dos britânicos por seus monarcas (e premiado pela fascinação dos americanos pelos britânicos).

A cerimônia deste ano também entra para a história como uma das mais previsíveis e mornas do Oscar. Não houve um único prêmio surpreendente. Não houve um único momento de grande emoção. Os apresentadores foram medíocres (Anne Hathway deslumbrada demais, James Franco quase ausente). Boas ideias de anos anteriores – como os cinco apresentadores para os cinco candidatos a melhor ator e atriz – foram descartadas. Péssimas ideias do passado – como os números musicais – foram resgatadas. Celine Dion cantando “Smile” foi outro símbolo da noite. Um Oscar de sorrisos amarelos.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/02/2011 - 17:45

Quem deve e quem deveria ganhar o Oscar

Compartilhe: Twitter

A melhor frase do cinema no ano passado veio de “Tio Boonmee, que Pode Recordar Suas Vidas Passadas”: “O céu é superestimado”. O filme tailandês não foi indicado ao Oscar, mas seu principal ensinamento bem que poderia ser aplicado à premiação. O Oscar é superestimado.

Não vale a pena levar muito a sério a cerimônia da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que será realizada neste domingo (para saber tudo sobre a premiação, confira o especial do iG). Mas é preciso reconhecer que há um aspecto de gincana no Oscar que tem seu interesse: transformar a paixão pelo cinema em um jogo de aposta. Escolher quem deve ganhar e debater quem deveria ganhar.

É isso o que eu faço na lista abaixo. Nas principais categorias, dou minhas explicações. Nas outras, só cravo minhas apostas. Deixei de lado apenas os curtas-metragens, pelo simples fato de não ter visto nenhum. Mas também não precisa levar a sério minhas previsões, até porque meu método central pode ser definido como chute científico. Nos comentários, se quiser, façam também as suas apostas. Na segunda-feira, nós voltamos aqui para ver quem acertou mais na gincana.

MELHOR FILME

Quem deve ganhar: “A Rede Social”. Como se sabe, a disputa deve ficar entre o filme de David Fincher e “O Discurso do Rei”. Eu aposto minhas fichas em “A Rede Social”, apesar de a produção ter perdido fôlego nos últimos meses. É um filme melhor, mais atual e mais relevante que o mediano “O Discurso do Rei”, que só leva se a Academia se render mais uma vez ao fascínio americano pela monarquia britânica.

Quem deveria ganhar: “Toy Story 3″. De longe, o melhor filme na disputa principal e talvez o único a ter garantido um lugar entre os grandes da história. Mas o preconceito da Academia com animações não deixa que ele seja levado em conta. Depois de “Toy Story 3″, o melhor é “Bravura Indômita”.

MELHOR DIREÇÃO

Quem deve ganhar: David Fincher, por “A Rede Social”. Ele deveria ter ganho há alguns anos com “Zoodíaco”, mas não foi nem indicado. Agora tem grandes chances por conta de um filme de roteirista, em que suas virtudes como diretor são bem menos evidentes.

Quem deveria ganhar: os irmãos Coen, por “Bravura Indômita”. Esse deve ser o primeiro filme em que os irmãos jogam 100% pelo filme, e não pela grife Coen.

MELHOR ATOR

Quem deve ganhar: Colin Firth, por “O Discurso do Rei”. Um bela atuação, de um ator que vem prestando bons serviços ao cinema  há um par de décadas e que já foi indicado ao Oscar outras vezes. E, além de tudo, o sujeitão é bonitão e britânico, duas coisas que a Academia costuma levar em consideração.

Quem deveria ganhar: Jeff Bridges, por “Bravura Indômita”. O cara conseguiu botar no bolso ninguém menos que John Wayne, que fez o filme original. É para poucos. Só que ele ganhou no ano passado por “Coração Louco”, o que diminui consideravelmente suas chances.

MELHOR ATRIZ

Quem deve ganhar: Natalie Portman, por “Cisne Negro”. Além de linda e talentosa, ela talvez seja a jovem atriz americana que melhor escolhe seus papeis. Difícil lembrar dela num filme ruim.

Quem deveria ganhar: Natalie Portman. Vou concordar com a Academia dessa vez. A atriz é o coração de “Cisne Negro”. Ela segura a onda num filme de dramaturgia bastante frágil. Sem ela, talvez o filme até passasse despercebido.

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Quem deve ganhar: “A Origem”. Muitas pessoas – entre as quais eu não me incluo – acham que foi o filme mais subestimado nas indicações para o Oscar. Uma estatueta para o roteiro serviria como uma espécie de prêmio de consolação. Até porque é o tipo de roteiro difícil de entender e fácil de impressionar.

Quem deveria ganhar: “O Discurso do Rei”. Não que eu ache o roteiro grande coisa, mas a categoria está fraca neste ano. E “O Discurso do Rei” se sustenta sobre duas coisas: dois bons atores e bons diálogos. É teatrão filmado. Então, seus intérpretes e roteiristas merecem ser reconhecidos – mais do que o filme ou seu diretor.

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

Quem deve ganhar: “A Rede Social”.  Como eu disse acima, é um filme de roteiro. E Aaron Sorkin, da série “The West Wing”, fez mesmo um bom trabalho ao transformar um livro reportagem sobre um nerd obsessivo em uma narrativa envolvente.

Quem deveria ganhar: “Toy Story 3″. A única animação é, de longe, o filme mais adulto e complexo da disputa. Precisa dizer mais?

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Quem deve ganhar: Christian Bale, por “O Vencedor”

Quem deveria ganhar: Geoffrey Rush, por “O Discurso do Rei”

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Quem deve ganhar: Hailee Steinfeld, por “Bravura Indômita”

Quem deveria ganhar: Hailee Steinfeld, por “Bravura Indômita”

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO

Quem deve ganhar: “Toy Story 3″

Quem deveria ganhar: “Toy Story 3″

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA

Quem deve ganhar: “Biutiful”

Quem deveria ganhar: “Incêndios”

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

Quem deve ganhar: “A Origem”

Quem deveria ganhar: “Alice no País das Maravilhas”

MELHOR FOTOGRAFIA

Quem deve ganhar: “A Origem”

Quem deveria ganhar: “Bravura Indômita”

MELHORES EFEITOS VISUAIS

Quem deve ganhar: “A Origem”

Quem deveria ganhar: “Além da Vida” (pela cena do tsunami)

MELHOR FIGURINO

Quem deve ganhar: “Alice no País das Maravilhas”

Quem deveria ganhar: “Alice no País das Maravilhas”

MELHOR MONTAGEM

Quem deve ganhar: “A Rede Social”

Quem deveria ganhar: “A Rede Social”

MELHOR MAQUIAGEM

Quem deve ganhar: “O Lobisomem”

Quem deveria ganhar: “O Lobisomem”

MELHOR DOCUMENTÁRIO

Quem deve ganhar: “Lixo Extraordinário”

Quem deveria ganhar: “Exit Through the Gift Shop”

MELHOR TRILHA SONORA

Quem deve ganhar: “A Rede Social”

Quem deveria ganhar: “A Rede Social”

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

Quem deve ganhar: “Enrolados”

Quem deveria ganhar: “Toy Story 3″

MELHOR EDIÇÃO DE SOM

Quem deve ganhar: “Tron: O Legado”

Quem deveria ganhar:“Tron: O Legado”

MELHOR MIXAGEM DE SOM

Quem deve ganhar: “A Origem”

Quem deveria ganhar:“A Origem”

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
15/02/2011 - 15:46

A pressa é inimiga de “127 horas”

Compartilhe: Twitter

127 horas é o tempo que o alpinista Aron Ralston fica com seu braço preso a uma rocha, em meio a uma fenda em uma cadeia de montanha de Utah, nos Estados Unidos. Como o título indica, “127 horas” – o filme de Danny Boyle sobre essa história real, que estreia nesta sexta no Brasil – é uma obra sobre a passagem do tempo. Sobre uma lenta, dolorosa, desesperada e claustrofóbica passagem do tempo.

Fazer um filme sobre essa história exige dois impulsos supostamente contraditórios: 1) fazer com que o espectador tenha a experiência do tempo escorrendo lentamente, para que ele compartilhe de parte da angústia de Ralston; 2) transformar uma tragédia pessoal intensa, mas essencialmente monótona (com poucos eventos significativos), em um entretenimento que prenda a atenção do público ao longo da projeção.

Ao final do filme, fica nítida a sensação de que Danny Boyle – o diretor de “Trainspointing” e “Quem Quer Ser um Milionário” – é o homem certo apenas para a segunda tarefa. O hiperativo diretor sabe transformar em espetáculo a história de um personagem inativo. Ele recorre a alguns truques básicos do cinema, como flashbacks e delíros. E a outros de seu repertório pessoal: montagem e trilha eletrônica aceleradas, ângulos inusitados, tela dividida em três.

Há uma esperteza extra de Boyle. Ele começa o filme em ritmo de fast forward. Quando Ralston (James Franco) fica preso na rocha, o filme entra em rotação normal – mas, em comparação com o início, fica a impressão de que a trama deu uma desacelerada.

Boyle faz de tudo para que o espectador veja o filme sem sentir o tempo passar. E é bem-sucedido na tarefa. Mas qual o sentido de fazer isso justamente com uma história sobre o peso do tempo?

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
07/02/2011 - 23:43

Prós e contras de “Cisne Negro”

Compartilhe: Twitter

Dentro do meu limitado universo de amigos, as opiniões sobre “Cisne Negro” estão radicalmente divididas. Os amigos críticos não gostam e acham que o diretor Darren Aronofsky é uma besta. Os não-críticos amam e garantem que o cineasta é gênio da raça.

Já eu gosto do filme sem amar. E acho que Aronofsky não é besta, nem gênio, muito pelo contrário. Ele já fez bem melhor (“O Lutador”) e muito, mas muito pior (“A Fonte”).

Para mim, as virtudes e defeitos de “Cisne Negro” estão igualmente divididas. Ao transformar a montagem do balé “O Lago dos Cisnes” em um filme de terror psicológico, ele se sai bem na parte de terror e mal na psicologia.

Como já havia demonstrado em “Réquiem para um Sonho”, Aronofsky é um diretor com uma fértil imaginação visual. Os delírios/pesadelos da bailarina Nina (Natalie Portman) são inventivos e perturbadores.

Mas a explicação para seu colapso nervoso é psicologia das mais baratas. O diretor da companhia (Vincent Cassel) repete tantas vezes que Nina precisa encontrar seu lado mais obscuro para interpretar o cisne negro que por vezes parece que estamos vendo um remake de “Star Wars” ambientado no mundo do balé.

E o fato de a mãe de Nina ser uma bailarina frustrada que deposita suas esperanças na filha é quase uma aula de Freud for dummies.

Aronofsky já mostrou que se dá melhor com uma narrativa árida e realista como a de “O Lutador”, que não lhe permite se perder com esses psicologismos, nem exagerar nas firulas estéticas.

O que fez a minha balança pender para uma avaliação positiva do filme foi a Natalie Portman. Sua interpretação torna “Cisne Negro” uma experiência verdadeira e visceral. Entre meus amigos, críticos ou não, Portman é a única unanimidade.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
03/02/2011 - 16:39

O último tango de Maria Schneider

Compartilhe: Twitter

No obituário da atriz Maria Schneider, sua família informa que a atriz francesa morreu de câncer. Sem querer soar esotérico, seria possível dizer também que ela foi vítima do cinema.

Eu ganho a vida louvando o cinema. Mas às vezes é preciso reconhecer que ele faz mal a algumas pessoas. Parece ter sido esse o caso de Maria Schneider. Em uma entrevista dada ao jornal britânico “Telegraph” em 2006, depois de um longo período de reclusão, Schneider deu a entender que não segurou a onda de ter se transformado, do dia para a noite, não apenas em estrela de cinema, mas também em símbolo de uma geração, com “O Último Tango em Paris” (1972).

Ela declarou abertamente que se arrependeu de ter feito o filme de Bernardo Bertolucci. “Se eu pudesse voltar no tempo, teria dito não. Teria feito meu trabalho gradualmente, discretamente. Eu teria sido uma atriz, mas de maneira mais tranqüila”. A famosa cena de sexo com ela, Marlon Brando e uma barra de manteiga foi parte do problema. “Quando me falaram da cena, eu tive uma explosão de raiva. Eu joguei tudo que estava à minha volta. Ninguém pode forçar alguém a fazer algo que não está no script. Mas eu não sabia isso. Eu era muito jovem. Então, eu fiz a cena e chorei. Minhas lágrimas em cena eram verdadeiras.”

Sua vida depois do filme dava um tango: ela foi viciada em cocaína e heroína e chegou internar-se em um asilo para doentes mentais de Roma. Apesar de ter feito 48 filmes, só chamou atenção novamente em “O Passageiro – Profissão: Repórter” (1975), de Michelangelo Antonioni, mas no geral foi para receber pesadas críticas por sua atuaçao. Recentemente, Jack Nicholson, que foi seu parceiro em cena, contou que teve que segurar Schneider em uma cena para que ela não caísse, porque ela estava dopada por analgésicos.

Nos últimos anos, possivelmente debilitada pelo vício e pela doença, sua figura frágil lembrava muito pouco a garota fornida de “Último Tango”. Símbolo de liberdade sexual nos anos 70, Maria terminou seus dias como protagonista de uma das histórias mais tristes do cinema recente.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Voltar ao topo