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03/02/2011 - 16:39

O último tango de Maria Schneider

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No obituário da atriz Maria Schneider, sua família informa que a atriz francesa morreu de câncer. Sem querer soar esotérico, seria possível dizer também que ela foi vítima do cinema.

Eu ganho a vida louvando o cinema. Mas às vezes é preciso reconhecer que ele faz mal a algumas pessoas. Parece ter sido esse o caso de Maria Schneider. Em uma entrevista dada ao jornal britânico “Telegraph” em 2006, depois de um longo período de reclusão, Schneider deu a entender que não segurou a onda de ter se transformado, do dia para a noite, não apenas em estrela de cinema, mas também em símbolo de uma geração, com “O Último Tango em Paris” (1972).

Ela declarou abertamente que se arrependeu de ter feito o filme de Bernardo Bertolucci. “Se eu pudesse voltar no tempo, teria dito não. Teria feito meu trabalho gradualmente, discretamente. Eu teria sido uma atriz, mas de maneira mais tranqüila”. A famosa cena de sexo com ela, Marlon Brando e uma barra de manteiga foi parte do problema. “Quando me falaram da cena, eu tive uma explosão de raiva. Eu joguei tudo que estava à minha volta. Ninguém pode forçar alguém a fazer algo que não está no script. Mas eu não sabia isso. Eu era muito jovem. Então, eu fiz a cena e chorei. Minhas lágrimas em cena eram verdadeiras.”

Sua vida depois do filme dava um tango: ela foi viciada em cocaína e heroína e chegou internar-se em um asilo para doentes mentais de Roma. Apesar de ter feito 48 filmes, só chamou atenção novamente em “O Passageiro – Profissão: Repórter” (1975), de Michelangelo Antonioni, mas no geral foi para receber pesadas críticas por sua atuaçao. Recentemente, Jack Nicholson, que foi seu parceiro em cena, contou que teve que segurar Schneider em uma cena para que ela não caísse, porque ela estava dopada por analgésicos.

Nos últimos anos, possivelmente debilitada pelo vício e pela doença, sua figura frágil lembrava muito pouco a garota fornida de “Último Tango”. Símbolo de liberdade sexual nos anos 70, Maria terminou seus dias como protagonista de uma das histórias mais tristes do cinema recente.

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66 comentários para “O último tango de Maria Schneider”

  1. Ronaldo L Machado disse:

    Não julgues, para não ser , julgado.
    Nunca esqueça, que esta tudo, sempre certo, no ponto de vista, de quem esta fazendo.
    Em tempo, éla e o filme, são ótimos, vá com Deus.

  2. Paulo Caires disse:

    O filme “O útlimo tango em Paris” é um daqueles filmes para se ver apenas uma vez. Não é chato como disse um comentarista anterior, mas é arrastado e deixa um ranço enorme de angústia tazida pela solidão e vazio. Maria Schneider está muito bem no papel, mas quem encarna toda a angústia é mesmo Brando

  3. Ciro Martins disse:

    É impressionante como o conservadorismo, o reacionárismo, o autoritarismo é até o provincianismo fazem parte das Sociedades mesmo ditas civilizadas. E como a ignorância e o preconceito destruiu, pessoas, seres humanos que tiveram a coragem de ousar, de quebrar paradigmas e contribuiriam de uma maneira significativa, e de maneira não convencional, para o progresso dessas mesmas sociedades.
    Maria Scnheider não foi a única que foi engolida pelo seu personagem, pela indústria voraz do cinema, e pelo farisaísmo e o falso moralismo da sociedades, de qual eram apenas mais um fruto ainda que diferentes, e que depois apodreçeram, tivemos Jean Seberg e outros mais.
    Não existe arte, sem liberdade e sem ousadia, nem mesmo a genialidade verdadeira. Quanto a qualidade como atriz, talvez valha a máxima até certo ponto exagerada, mas não menos verdadeira, do Mestre do Cinema de suspense, de que atores bons são uma bobagem, o que importa é o papel e a disposição e obstinação para interpretá-los.

  4. Regina disse:

    Você que é mediocre, pelo visto não assitiu os filmes dela.

  5. pedro disse:

    Não importa aqui se o Ultimo Tango foi ou não um grande filme, ou se essa garota foi ou não uma grande atriz, o que importa aqui é que sua vida foi o protótipo de uma epoca conturbada e excessivamente “estrupiada”, quando os valores clássicos foram literalmente jogados na sarjeta,…
    os anos 70 foram a ressaca da grande revolução dos anos 50 e 60,… dai os rumos terem se afogados na lama,…
    descanse em paz Maria, você foi ótima e fez história,…

  6. Manuel Marques disse:

    … enfim, o brilho que ela sempre mereceu. Estrela maior!!!!!!!

  7. sombra disse:

    É incrivel qualquer que seja o assunto aparece alguém pra descambar o assunto para a política e ditadura etc .São pessoas que não conseguem participar de uma roda de conversa de amigos sobre assuntos diversos, pois ja tem a mente bitolada em politica, ditadura, perseguição etc. Parece que o assunto aqui abordado é a vida da atriz e não a politica brasileira. Portanto quem ama politicos va colocar seus comentários em local apropriado.. Para o TERES VIRMONT.

  8. JOSE CARLOS disse:

    acredito ser interessante ter colocado pelo menos uma foto da atriz na reportagem

  9. Naquela época, cujo filme assisti, era apropriado para os padrões cinematográficos objetivando causar impacto. Não podemos aqui condenar esse ou aquele ator “monstro” como disse alguém num comentário anterior. O que devemos fazer não é tirar conclusões precipitadas uma vez que não estávamos na pele de Brando nem Maria S. Vida pessoal e artística cabe a cada um distingui-la da maneira que melhor lhe convier, independentemente dos resultados; bola de cristal é só para cartomante. Concordam?

  10. pablo silva disse:

    Na verdade ela só ficou conhecida pela cena da manteiga (insinuava-se que ela estava sendo enrabada pelo Marlon Brando). Mas todos sabemos que não foi uma cena explícita, e que, inclusive, deixou muito a desejar. Ele morrreu por causa do vício nas drogas. É bom que isso fique claro.

  11. Lúcio disse:

    Teres, tenho pena de vc. Por quê tanta revolta? Será que uma pessoa amarga assim tem amigos?

  12. Rick disse:

    Parabéns ao Sombra, Paulo Caires e Wendel, os vossos comentários foram perfeitos.

  13. Ana Teressa disse:

    Antes de ser atriz, ela era mulher e como, todos, os seres humanos teve sua estória de vida que, não compete a quem quer que seja, julgar e sim, respeitar. Morreu aos 58 anos da mesma forma que poderia morrer aos 30 ou 80, de enfarto; de uma queda; de cancer; de malária; de dengue; de meningite; de uma gripe. mal cuidada. Inúmeras pessoas, declaram-se, hoje, aos 70 anos ou mais, desde a juventude, viciadas continuam vivas, representando suas personagens, no palco da vida. Por favor, respeitemos as pesoas, seus sentimentos, acertos e erros!!!

  14. Francisco II disse:

    Assisti o Ultimo Tango Em Paris em ¨1975,gostei do filme,
    bastante picante para a época,mas não acho que seria
    motivo para a atriz entrar em depressão .

  15. Luiz Carlos Munhoz disse:

    Na época vi “O Último Tango”, há alguns meses, revi. Filme denso, personagens sofridas, um trabalho muito bom de Marlon Brando. O desempenho de Maria Schneider foi o que se podia esperar de uma garota com menos de 20 anos e muito pouca experiência.. Acho que houve uma superexploração do filme por causa da famosa cena da manteiga. A morte de Maria Schneider me deixou consternado, afinal, ela foi um ícone de minha época. Quantos aos que dizem que só um”doidão” sobreviveria aos anos 70, tenho a dizer o seguinte: naqueles anos havia muita solidariedade e um respeito maior às pessoas. Loucos existem em todas as épocas. Contudo, é preciso ser muito “doidão” para sobreviver a esses dias, onde o projeto de vida das pessoas são o corpo sarado, a conta bancária e participar do BBB..

  16. darcy cruz disse:

    Revi o filme ontem (5.2) e não mudei minha opinião na época:um filme mediocre, com um diretor (Bertolucci) mediocre, que só quis escandalizar, nada mais. Um filme confuso, cruel, inclusive com a participação tirânica de Marlon Brando, como se soube depois. Uma quadrilha de cobras criadas, já na época, que em nome de agredir os costumes, assassinou, isto sim, uma jovem e promissora atriz Maria Schneider que contava 19 anos que começou a morrer ali. Perguntinha que não quer calar: onde estava o pai dela o ator Daniel Gelin?

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