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15/02/2011 - 15:46

A pressa é inimiga de “127 horas”

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127 horas é o tempo que o alpinista Aron Ralston fica com seu braço preso a uma rocha, em meio a uma fenda em uma cadeia de montanha de Utah, nos Estados Unidos. Como o título indica, “127 horas” – o filme de Danny Boyle sobre essa história real, que estreia nesta sexta no Brasil – é uma obra sobre a passagem do tempo. Sobre uma lenta, dolorosa, desesperada e claustrofóbica passagem do tempo.

Fazer um filme sobre essa história exige dois impulsos supostamente contraditórios: 1) fazer com que o espectador tenha a experiência do tempo escorrendo lentamente, para que ele compartilhe de parte da angústia de Ralston; 2) transformar uma tragédia pessoal intensa, mas essencialmente monótona (com poucos eventos significativos), em um entretenimento que prenda a atenção do público ao longo da projeção.

Ao final do filme, fica nítida a sensação de que Danny Boyle – o diretor de “Trainspointing” e “Quem Quer Ser um Milionário” – é o homem certo apenas para a segunda tarefa. O hiperativo diretor sabe transformar em espetáculo a história de um personagem inativo. Ele recorre a alguns truques básicos do cinema, como flashbacks e delíros. E a outros de seu repertório pessoal: montagem e trilha eletrônica aceleradas, ângulos inusitados, tela dividida em três.

Há uma esperteza extra de Boyle. Ele começa o filme em ritmo de fast forward. Quando Ralston (James Franco) fica preso na rocha, o filme entra em rotação normal – mas, em comparação com o início, fica a impressão de que a trama deu uma desacelerada.

Boyle faz de tudo para que o espectador veja o filme sem sentir o tempo passar. E é bem-sucedido na tarefa. Mas qual o sentido de fazer isso justamente com uma história sobre o peso do tempo?

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24 comentários para “A pressa é inimiga de “127 horas””

  1. Lesster disse:

    lendo com calma essa critica em nenhum momento enxerguei essa masacre ao filme…
    muito pelo contrario, nos dois pontos em que ele aborda a direção elogia a capacidade do cara em fazer evoluir uma historia monotona capturandoa atenção dos espectadores e conclui elogiando sua capacidade em conseguir-lo.
    se ainda compreendo português….
    ja sua pergunta é um toque de subjetividade que imagino ele tbm tenha direito de expressar.

  2. Beatriz Proba disse:

    Calil, a sua crítica como sempre está ótima. Impressionante como vc sempre consegue dizer exatamente o que eu pensei. Esse povo aqui é muito chato, rs…

  3. Lesster disse:

    lendo com calma essa critica em nenhum momento enxerguei essa masacre ao filme…
    muito pelo contrario, nos dois pontos em que ele aborda a direção elogia a capacidade do cara em fazer evoluir uma historia monotona capturandoa atenção dos espectadores e conclui elogiando sua capacidade em conseguir-lo.
    se ainda compreendo português….
    ja sua pergunta é um toque de subjetividade que imagino ele tbm tenha direito de expressar.

  4. Thaisy disse:

    O filme é maravilhoso. Angustiante na medida, não precisaria passar nem mais um minuto no cinema para ter a sensação de que estive presa ali dentro o tempo todo com ele. Fiquei totalmente empática. Tampouco deixaria para trás qualquer minuto de filme. Parabéns ao Boyle.

Os comentários do texto estão encerrados.

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