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Arquivo de março, 2011

28/03/2011 - 22:52

Não dá para fazer sociologia com o “Big Brother”

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No ano passado, Marcelo Dourado ganhou o “BBB 10”, e decretou-se que o Brasil era um país homofóbico e misógino. Já no “BBB 11” que termina amanhã, estão na final um gay, uma garota que pegou fama de ser “de programa” e um garoto que não tem nada de homofóbico – e dizem que o país está mudando, que agora a coisa vai.

Para mim, essa mudança do perfil do vencedor de um ano para outro diz outra coisa: não dá para fazer sociologia a partir do “Big Brother”. Quer dizer, até dá para fazer sociologia de botequim, só não dá para levar a sério.

A divisão dos concorrentes por “tipos” sociais é algo que pode fazer muito sentido para a produção do programa (que precisa de polêmica), para os jornalistas “especializados” em BBB (que, a exemplo do “ex-BBB”, se tornou uma nova categoria profissional e precisa de “notícias”), mas eu me arrisco a afirmar que não tem a mínima importância para a absoluta maioria do público.

Se isso fizesse diferença para os espectadores, não seria possível Dourado ganhar num ano e Daniel estar na final no ano seguinte. Porque só na sociologia de boteco um país muda de um ano para o outro. Se o público votasse em tipos sociais ou em padrões de comportamento, “o gay intelectual” Jean Willys e “o macho alfa” Alemão não seriam premiados pelo mesmo programa, ou “a remediada” Cida e o “mauricinho” Max, ou “o correto” Rodrigo Caubói e “o malandro” Dhomini.

Há outros dados que contam mais que os tipos. Alguns são insondáveis, como o carisma (Daniel tem, Lucival não, Diana tem, Ariadna não, e a sexualidade de cada um deles não tem nada a ver com isso) e o acaso (um candidato pode quase sair num primeiro paredão, mas vencer com folga no último, como aconteceu com Jean no “BBB 5”).

Outro dado me parece possível decifrar: a influência da telenovela, do folhetim no “Big Brother”. Para mim, a explicação do sucesso e da longevidade do “BBB” no Brasil – que é maior do que em qualquer outro país – passa pela capacidade de sua edição transformar aquela massa amorfa de “reality” e de “show” em novelinhas.

Vamos pegar o caso do “BBB 11”: o programa só emplacou a partir do momento em que foram criados ou identificados um triângulo amoroso (entre Maria, Mau Mau e Wesley) e um grupo de vilões (Diogo, Mau Mau e os garotos). Amor e ódio, o bem e o mal – o velho sistema binário do folhetim aplicado ao reality show.

Se houve um movimento que gerou vencedores ao longo da história do “Big Brother Brasil”, foi a união de um grupo contra um indivíduo. Assim Kleber Bam Bam, Dhomini, Jean, Alemão e Dourado ganharam suas edições – porque as telenovelas nos ensinaram a gostar das vítimas, sejam elas caipiras ou cosmopolitas, homossexuais ou homofóbicas.

Se Daniel ganhar nesta terça-feira, não vai ser uma vitória do movimento gay. Se Maria vencer, não vai haver um levante feminista. Se Wesley for o escolhido, não vai ser a consagração do bom-mocismo. Vai ser simplesmente a vitória do Daniel ou da Maria o dos Wesley. Vai ser uma vitória não do tipo, mas do personagem. E, não, não vai ser o “Big Brother” quer nos dirá que o país mudou.

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23/03/2011 - 12:27

Talento de Liz Taylor foi maior que sua fama

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Casamentos, separações, escândalos, alcoolismo, problemas de peso, paixão por diamantes, operações delicadas, obras filantrópicas. E, como se não bastasse, Michael Jackson.

É uma pena que a biografia de Elizabeth Taylor tenha sido tão atribulada e que – na hora de sua morte aos 79 anos – seus obituários sejam obrigados a dedicar tanto espaço com sua vida pessoal. Porque ela foi, por cerca de 15 anos, a encarnação mais concreta de um conceito abstrato: a estrela de cinema.

Alguém com uma beleza quase sobre-humana (pele muito branca, cabelos muito negros, olhos azuis violeta) que sabia atuar, que escolhia bem os filmes e que arrastava multidões aos cinemas com seu carisma.

Em seus anos de ouro, Liz Taylor enfileirou uma série de grandes atuações ainda hoje impressionante: ““Assim Caminha a Humanidade” (1956), “Gata em Teto de Zinco Quente” (1959), “De Repente, no Último Verão” (1960), “Disque Butterfield 8” e “Quem Tem Medo de Virginia Woolf?” (1966), entre outros.

E não eram papéis fáceis, ancorados apenas na beleza da atriz. Havia, entre eles, uma mulher rechaçada sexualmente pelo marido, outra que enlouquece ao ver sua paixão platônica ser literalmente canibalizada, uma call girl com um trauma de infância que pula de um caso para outro e assim por diante.

O sujeito ia ver Elizabeth Taylor e acabava trombando com um daqueles dramas psicológicos densos de Tennesse Williams ou Edward Albee. Como estrela de cinema, ela também cumpriu sua função social: ajudou a popularizar esses e outros grandes autores.

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22/03/2011 - 22:11

‘Corpos Celestes’ é um OVNI no cinema brasileiro

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“Corpos Celestes” estreou há dez dias e passou meio despercebido pelo público e pela crítica. Uma injustiça, já que se trata de um dos filmes nacionais mais interessantes a estrear recentemente. Interessante até pelo fato de que ele é um objeto não-identificado no cenário do atual cinema brasileiro.

Um filme de matriz popular, mas muito mais próximo de um certo cinema lírico-existencial italiano da década de 50 (como os primeiros Fellinis) do que do binômio drama social/comédia de costumes que marca o cinema nacional nos últimos anos. Um filme com um prólogo de 40 minutos e sem epílogo – ou seja, um trabalho que ignora certas convenções narrativas, como a divisão em três atos. Um filme em torno do mundo da astronomia, um tema pouco explorado por filmes brasileiros e até mesmo estrangeiros.

Dirigido por Marcos Jorge (de “Estômago”) e Fernando Severo (um premiado curta-metragista), “Corpos Celestes” acompanha a trajetória de Francisco. Na infância (vivido por Rodrigo Cornelsen), o menino do interior se aproxima de um americano apaixonado por astronomia. Já adulto (interpretado por Dalton Vigh), Francisco virou um astrônomo dividido entre a constatação da insignificância do homem em relação à imensidão do universo e a paixão por uma garota de programa que invade sua vida, entre a razão e a emoção, entre controle e descontrole.

“Corpos Celestes” está muito longe de ser um filme perfeito. Entre seus problemas, estão o desnível de atuação entre os atores que vivem Francisco (Cornelsen e Vigh) e o restante do elenco, e o caráter expositivo de certos diálogos, usados para explicar o comportamento dos personagens. Mas parte do interesse do filme vem justamente do seu desinteresse pela perfeição, de sua recusa das regras narrativas, de sua tentativa de encontrar uma maneira própria para dar conta da trajetória do seu protagonista – nem que o resultado seja o estranhamento do espectador. Com suas belas idiossincrasias, “Corpos Celestes” tem muito mais a oferecer que a maioria dos corretos filmes brasileiros dos últimos tempos.

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05/03/2011 - 20:02

A forca dos cinéfilos

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Objetos Famosos de Filmes Clássicos é o jogo mais inteligente e viciante sobre o universo do cinema que eu vi em muitos anos. O título é auto-explicativo: você vê a silhueta de um objeto e tenta adivinhar em que filme ele aparece. Funciona como um jogo de forca: você vai tentando acertar as letras para formar o nome completo. Já são mais de 60 filmes no jogo – e o site aceita sugestões dos usuários. Há desde filmes realmente clássicos até alguns dos concorrentes ao Oscar deste ano.

É mais uma das ideias ao mesmo tempo simples e brilhantes do designer sul-coreano Ji Lee, diretor criativo no Google, que passou sua adolescência no Brasil (alguns anos atrás, eu fiz um perfil do Ji para a revista “Trip”). Visite o site, tente acertar cinco filmes e depois me diga se não ficou viciado.

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