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22/03/2011 - 22:11

‘Corpos Celestes’ é um OVNI no cinema brasileiro

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“Corpos Celestes” estreou há dez dias e passou meio despercebido pelo público e pela crítica. Uma injustiça, já que se trata de um dos filmes nacionais mais interessantes a estrear recentemente. Interessante até pelo fato de que ele é um objeto não-identificado no cenário do atual cinema brasileiro.

Um filme de matriz popular, mas muito mais próximo de um certo cinema lírico-existencial italiano da década de 50 (como os primeiros Fellinis) do que do binômio drama social/comédia de costumes que marca o cinema nacional nos últimos anos. Um filme com um prólogo de 40 minutos e sem epílogo – ou seja, um trabalho que ignora certas convenções narrativas, como a divisão em três atos. Um filme em torno do mundo da astronomia, um tema pouco explorado por filmes brasileiros e até mesmo estrangeiros.

Dirigido por Marcos Jorge (de “Estômago”) e Fernando Severo (um premiado curta-metragista), “Corpos Celestes” acompanha a trajetória de Francisco. Na infância (vivido por Rodrigo Cornelsen), o menino do interior se aproxima de um americano apaixonado por astronomia. Já adulto (interpretado por Dalton Vigh), Francisco virou um astrônomo dividido entre a constatação da insignificância do homem em relação à imensidão do universo e a paixão por uma garota de programa que invade sua vida, entre a razão e a emoção, entre controle e descontrole.

“Corpos Celestes” está muito longe de ser um filme perfeito. Entre seus problemas, estão o desnível de atuação entre os atores que vivem Francisco (Cornelsen e Vigh) e o restante do elenco, e o caráter expositivo de certos diálogos, usados para explicar o comportamento dos personagens. Mas parte do interesse do filme vem justamente do seu desinteresse pela perfeição, de sua recusa das regras narrativas, de sua tentativa de encontrar uma maneira própria para dar conta da trajetória do seu protagonista – nem que o resultado seja o estranhamento do espectador. Com suas belas idiossincrasias, “Corpos Celestes” tem muito mais a oferecer que a maioria dos corretos filmes brasileiros dos últimos tempos.

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2 comentários para “‘Corpos Celestes’ é um OVNI no cinema brasileiro”

  1. Tá fácil identificar o porquê do filme passar desapercebido:
    “cinema lírico-existencial”
    “sem epílogo”
    “desinteresse pela perfeição”
    “recusa das regras narrativas”

    Se esses são comentários de um crítico que GOSTOU do filme, convenhamos…

  2. Cleonide Fatima disse:

    Só pelo fato de Dalton participar do elenco, já é um ótimo motivo para ver. Como foi dito, está longe da perfeição? Primeiro assista para depois dar sua opinião, não confie, use seus critérios para defini-lo. É o que eu vou fazer. Ainda não asisti Corpos Celestes. Pode me ajudar?

Os comentários do texto estão encerrados.

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