Publicidade

Publicidade
03/04/2011 - 21:02

“São Miguel do Gostoso” revela outro lado do paraíso

Compartilhe: Twitter

Atração da mostra O Estado das Coisas no festival É Tudo Verdade, “São Miguel do Gostoso” parece começar com um olhar turístico sobre a pequena vila de pescadores do Rio Grande do Norte que dá título ao filme.

O documentário se inicia destacando a beleza natural da região, o sol e o vento nove meses por ano, a tentativa de sustento pela pesca, as condições perfeitas para esportes radicais, a integração entre os “bons nativos” e os estrangeiros…

Mas aos poucos o diretor Eugênio Puppo começa a revelar o que existe por trás dessa imagem de um paraíso intocado: especulação imobiliária predatória, em que terrenos comprados a preço de banana são substituídos por condomínios fechados para milionários, degradação do meio ambiente, falta de trabalho para os nativos.

Há vários depoimentos reveladores, como o da norueguesa que reclama da preguiça dos potiguares. Ou o do geólogo que revela que gigantescas faixas de terra em frente ao mar foram dadas a qualquer um que se dispusesse a construir qualquer coisa. Ou ainda o de um jovem da região que melhora de vida como instrutor de kite surf, mas acaba sendo preso por tráfico de drogas.

Em seu começo, o filme informa que São Miguel do Gostoso abriga o primeiro marco colonizador nas terras brasileiras, construído pelos portugueses em 1501, apenas um ano após o descobrimento.

A princípio, parece mais um detalhe para compor a peça de propaganda. Depois, percebe-se que o dado não está ali à toa, que ele ajuda a compor uma ideia forte: a de que em São Miguel do Gostoso se reencena hoje o velho drama do extrativismo que vem do período colonial.

Aí já ficou claro que o olhar de turista era uma ilusão construída pelo diretor. E que, efetivamente, o que o documentário nos oferece é um olhar político. Não sejamos ingênuos: o paraíso na terra não existe mais.

São Miguel do Gostoso

Cinemateca, São Paulo, dia 4/4, às 16h
Reserva Cultural, São Paulo, dia 6/4, às 19h
Espaço Museu da República, Rio, dia 7/4, às 14h, e dia 10/4, às 18h
Ponto Cine Guadalupe, Rio, dia 8/4, às 9h

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:

Ver todas as notas

9 comentários para ““São Miguel do Gostoso” revela outro lado do paraíso”

  1. Ricardo Calil disse:

    Leia com atenção

  2. Maur Viecili disse:

    Conheci no final dos anos 90, São Miguel do Gostoso e ali sim, era um paraíso. Hoje as informações que me chegam é realmente a degradação do local pelos europeus (portugueses e hespanhóis) que retornaram, após os anos 1500, e estão terminando de acabar com o pouco que nos deixaram. Uma pena, pois o Brasil seria maior que eles. . ., que hoje estão falidos em sua terra natal.

  3. Gabriel disse:

    Até parece Florianópolis a cidade desse filme…

  4. Jorge Cardoso disse:

    Muito importante em destacar este fato, sou de SP e fui a São Miguel do Gostoso no RN, lá presencie as maravilhas naturais e tb a especulação imobiliária que lá existe, é triste o descaso Municipal e Estadual dos Órgãos competentes, em breve o que uma beleza pública se torna particular e sem documentação privando a todos que a natureza só terá acesso pra quem tem!
    Parabéns pela divulgação do Filme e tb do fato em si!

  5. rubens_toledo@yahoo.com.br disse:

    Parabens ao critico. Entregou as idéias do filme, sem entregar o filme. Também não disse se era bom ou ruim, não afastando o espectador.

    Quero assistir ao documentário agora.

  6. VALDECI disse:

    ONDE FICA ESSA CIDADE?

  7. GERALDO PRADO disse:

    não posso perder esse espaetáculo

  8. kiko prado disse:

    Olá Ricardo Calil. Acredito que estas fissuras que você observou através do olhar do próprio Eugênio Puppo seja isso mesmo, mas tem um, porém… Ele ou qualquer um da equipe dele não estiveram em muitos lugares em São Miguel do Gostoso, pois não vi ninguém. Ligaram-nos pedindo a parceria em hospedar alguém do grupo quando já estavam na cidade e nós então pedimos uma reunião para saber dos detalhes e ninguém apareceu. Disseram-nos que estavam com pressa, com pouco tempo e não recebemos ninguém. Se alguém tivesse conversado conosco teríamos dito que desde meados de 2008 o SEBRAE/RN tem oferecido cursos em nossa cidade. Inicialmente direcionaram para os pequenos empresários, como por exemplo: Empresa Viva e Empretec. Depois vieram cursos em que até o SENAC/RN esteve presente: Garçom, Atendimento ao Cliente, Cozinha, Camareira, Estoque, Manutenção Segura dos Alimentos, Turismo Melhor e outros. Este ano continuarão vindos mais cursos e quem está organizando é a associação da cidade. Tivemos um mapeamento do turismo em toda a região com a empresa de São Paulo, contratada pelo SEBRAE/RN – Ornellas Tour. Existe um trabalho feito com as rendeiras da região, com o pessoal dos restaurantes e mercados. Foi inaugurada a AEGostoso – Associação dos Empreendedores de S.M.Gostoso e a primeira assembléia foi em 30 de março de 2011. Quero te dizer que as pessoas que aqui chegaram muitas ou algumas delas, estão fazendo a diferença e tudo depende do “Foco” ou do olhar e coração de quem vê. Chegar apenas, escolher apenas, mostrar porque está na moda apenas, me deixa dúvida… Não sei se foi por falta do apoio que ele pediu a prefeitura e não conseguiu ou porque tem o olhar para um copo meio vazio. ‘Não tem um ser humano vivo que não faça lixo, a diferença é como é que vamos compensar o lixo que fazemos para que não seja tão negativo como ele o é.’ Piegas ou não, faço o convite, venha conhecer um dia São Miguel do Gostoso. Abraços, kiko.

  9. Macelo Ribeiro disse:

    Estou bastante curioso pelo filme. Sou morador nativo de São Miguel do Gostoso. Sou testemunha viva de toda a situação. Não adianta querer cobrir o sol com a peneira. O fato de, por exemplo, vir o SEBRA, SENAC ou o que for não significa que as outras coisas não estejam ocorrendo. E numa proporção muito maior que os benefícios. Cursos de 20/40 horas não resolverão a qualidade de vida das pessoas que perdem seu espaço, apenas alimentam a situação do subemprego. É crescente na cidade a construção de prédios e prédios onde só os ricos entram. É,hoje,São Miguel do Gostoso,um espaço de invasão hoteleira e estrangeira onde os nativos estão sempre emsegundo plano.
    Tomara que o filme chegue logo a cidade para, quem sabe, acordar as pessoas para a sua realidade.

Os comentários do texto estão encerrados.

Voltar ao topo