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10/04/2011 - 20:16

Sidney Lumet foi um poeta das ruas

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Sidney Lumet, o brilhante diretor norte-americano que morreu ontem de linfoma aos 86 anos, adaptou ao cinema grandes obras de Eugene O’Neill, Tennessee Williams, Chekov e até de Agatha Christie.

Nenhuma dessas adaptações está entre seus melhores filmes. Lumet era um cineasta que estava em casa nas ruas de Nova York, trabalhando com gêneros clássicos e filmando histórias contemporâneas, muitas vezes baseadas em casos reais.

Foi assim, por exemplo, com suas duas obras-primas: “Serpico” (1972), sobre um tira de NY que combatia a corrupção policial, e “Um Dia de Cão” (1975), sobre um assaltante que tentava roubar um banco para financiar a operação de sexo de seu amante, ambos protagonizados por Al Pacino.

São dois dos filmes que levaram o gênero policial a um novo patamar de excelência, filmados da maneira direta, límpida, sem frescura que caracterizou a obra de Lumet. Na sua biografia, ele escreveu: “O bom estilo, para mim, é aquele que não se vê. É aquele estilo que se sente.”

Talvez essa dupla característica – a preferência por gêneros e a despreocupação com uma vaidade autoral – tenha afastado Lumet do Oscar. Ele foi indicado quatro vezes como diretor e esnobado em todas – até ganhar um prêmio honorário da Academia em 2005.

Se não tinha nenhum tique de direção perceptível, Lumet tinha um olhar para o mundo bastante identificável. Muitos de seus filmes giravam em torno de heróis ou anti-heróis outsiders em confronto com o sistema. Não era, talvez, um cineasta social, mas certamente era um cineasta moral – que, como ele disse uma vez, gostava que o espectador examinasse uma ou outra faceta da própria consciência. Algo que ele fez com sucesso em seus melhores filmes, como “Doze Homens e uma Sentença” (1957), “Rede de Intrigas” (1976), “O Veredito” (1982) e “Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto” (2007).

Este último filme foi realizado depois que Lumet tinha mais de 80 anos. O que significa que ele pertencia àquele grupo seleto de cineastas – Clint Eastwood, Alain Resnais, Manoel de Oliveira – que não deixa a idade interferir na qualidade de sua obra.

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3 comentários para “Sidney Lumet foi um poeta das ruas”

  1. abel disse:

    manoel de oliveira continua o mesmo chato de sempre e alan resnais desde smoking nao faz uma verdadeira obra prima

  2. Roberto Fonseca disse:

    Ricardo, eu fui um dos maiores cinéfilos nos anos 50/60/70 e, nesse período assisti um filme de Sidney Lumet, chamado “A Colina”, cujo ator principal era Sean Connery. Para o seu comando, os melhores filmes de Hollywood foram os desses anos dourados e eu fiz parte daquela juventude que não sonhava com essa saravaida de enlatados sem sentido que estão sendo imporatados para o nossos pais. Os atores daqueles tempos eram fabulosos e sem truq

  3. Roberto Fonseca disse:

    Não sei o porquê de cortarem comentários não terminados, sem darem qualquer tipo de satisfação. Isso é falta de educação.
    RF

Os comentários do texto estão encerrados.

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