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27/04/2011 - 22:13

“Thor” não é Shakespeare, mas podia ser pior

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“Thor” devia ser o pior desenho animado da minha infância. Era como se tivessem filmado as páginas de uma HQ: os personagens mexiam um pouco a boca, apareciam uns “pows” e “bangs” nas cenas de ação – e quase não havia movimento além disso. O fato de ser sobre um deus nórdico, cuja arma era um martelo (e não uma espada laser, por exemplo), não ajudava muito. Claro que existe por aí algum especialista em quadrinhos capaz de discorrer sobre as maravilhas da história em quadrinhos original de Stan Lee, sobre sua incrível capacidade de transformar a mitologia escandinava em grande entretenimento. Mas para quem conheceu o personagem pela TV, como eu, era basicamente um desenho desanimado.

Não era em alguém como eu, portanto, que eles estavam pensando quando decidiram fazer um filme sobre “Thor”, que estreia nesta sexta-feira no Brasil. Havia uma vantagem clara no projeto: nada podia ser pior que o desenho animado. Por outro lado, era difícil imaginar que conseguiriam fazer algo interessante com personagem tão… desinteressante. Mas o resultado é digno: o deus do trovão se deu melhor no cinema do que na TV.

A escalação de Kenneth Branagh, vindo do teatro britânico, como diretor tinha um conceito claro: dar uma densidade shakespeareana ao drama familiar do prínicipe Thor (Chris Hemsworth), a sua relação conflituosa com o pai Odin (Anthony Hopkins), a sua disputa pela sucessão do trono do reino de Asgard com o irmão Loki (Tom Hiddleston). É um procedimento parecido ao que a mesma Marvel fez em “Homem de Ferro”, ao escolher o Jon Favreau para dirigir a série e reforçar o humor do personagem.

Há um custo evidente nessa opção: as cenas de ação são sacrificadas, sem um “homem de cinema” para dirigi-las. Em “Thor”, nenhuma delas tem o brilhantismo das da franquia “Homem Aranha”, de Sam Raimi. Ao menos, não falta movimento ao filme, como no desenho animado.

O problema é que não há uma contrapartida: mesmo com Branagh como diretor, o filme nunca se parece com uma peça de Shakespeare; apenas com uma história em quadrinhos que tenta emular Shakespeare e acaba remetendo a “O Senhor dos Aneis”. Toda a parte mitológica do filme é genérica. Mas não chega a ser ridícula, o que talvez seja mérito da direção de atores de Branagh.

Por outro lado, há uma parte que funciona muito bem no filme, o momento em que Thor é expulso pelo pai de seu reino e exilado na Terra. Ali ele se apaixona por uma meteorologista (Natalie Portman) e tenta controlar seus maus modos de viking para se adaptar à rotina humana. Esse lado terreno/cômico/romântico de “Thor” é bem mais interessante que a parte celestial/mitológica/dramática. No final das contas, o filme é salvo pelo seus aspectos mais banais.

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58 comentários para ““Thor” não é Shakespeare, mas podia ser pior”

  1. Antonio disse:

    Ter que dar opiniáo do que náo se conhce é bem difícil, geralmente as coisa saem erradas…dessa vez foi isso que aconteceu….o marcus foi perfeito.

  2. TP ROBERTÃO disse:

    Calil, repita comigo.
    Não fui feliz, não fui feliz, não consegui agradar.
    Aliás, com essa sua cara de “BRIMO” – bem parecida om a minha, por sinal – melhor seria falar de um filme feito sobre alguma lenda de Alá ou Maomé.

  3. Coutinho disse:

    Marcus e Marcelo meus parabêns pelos comentârios equilibrados, se dependesse de minha opiniao neste caso,
    voces seriam os crîticos!

  4. Marcelo Louro disse:

    E quando vai sair o X-Burger? É marcio, fazer X-man4 sem os atores anteriores seria como O Senhor dos Anéis sem um dos anéis (o “UM” anel também faria falta!).
    Falando sério, o filme do Thor é chato tanto quanto os desenhos. a alcunha “desenho desanimado” foi criada graças áquelas tralhas que nos empurravam goela abaixo durante o Capitão ASA e também áqueles horrores como o Popeye novo, Formiga Atômica, Esquilo Secreto, o Scooby-Doo antigo e outros arroz de festa da Hanna-Barbera para os Tom&Jerry, Popeye antigo, Pernalonga, Disney’s e outros tão poucos de produção apurada. Os desastres X-men só valem pela adequação ator para o personagem, pois tenho que prestar respeito ao Patrick -Xavier- Stewart (não é o Chico nem o Nelson, Daniela!) ao Hugh(!) -Wolverine- Jackman, á admirável Hale -Tempestade- Berry e ao Gandalf-Magneto. Me recuso a comentar sobre a triste experiência “Quarteto Fantástico” onde o melhor ator foi o surfista prateado (o mais perto que chegaram do OSCAR). Gostaria que parassem de estragar as boas lembranças que as HQ nos deixam para buscar lucro com roteiros e ideias originais para o cinema. Ninguém precisa de Super-Heróis!!!

  5. Cícero Leitão disse:

    Lembro bem do desenho… ridículo… e tinha mais nesse estilo… Homem de Ferro, Namor o Primcipe Submarino, etc… espero que no filme filque melhor!

  6. AQUILES disse:

    Que comentário tolo… É óbvio que os desenhos desanimados da década de 60 são ruins hoje. Mas na época, eram o que fazia a cabeça e a alegria da garotada. Hoje em dia são coisas como “Goku” e “Cavaleiros do Zodíaco”. Vou ver Thor e sei que seráum bom filme, assim como o do Capitão América. As adaptações cinematográficas que a Marvel tem feito tem uma boa qualidade, ao contrário das da DC.

  7. Manoel Almeida disse:

    ASSISTI O FILME NESTE FIM DE SEMANA…

    Brannagh e o roteirista tornaram o drama de Loki crível e é isso que sustenta a dramaticidade – em nível básico – do filme.

    A cena dele (Loki) e Odin no salão das armas, quando descobre sua origem e Odin tem seu piripaco é belíssima (“e o que eu sou? O monstro que de quem os pais falam aos filhos em histórias para dormir?). Ajuda que Brannagh – um diretor irregular no cinema – sabe dirigir atores e os respectivos, nesta cena e na final, se saem muito bem.

  8. Pensador disse:

    Olá Ricardo,

    Poderia me dizer porque meu comentário sobre o Thor foi censurado? Não entendi mesmo, afinal não usei nenhuma palavra de baixo calão, nada assim, e o tema é lazer, não tinha porque eliminar meu comentário…não entendo mesmo, queria uma explicação…

  9. Mario Impronta disse:

    Uma pequena defesa dos desenhos “desanimados” dos Marvel Superheroes dos anos 60, por mim, que sou também uma “vítima” deles (tenho 45 anos, e portanto os via no Capitão Aza – com Z, de Azambuja – na TV Tupi):

    1. Sim, eram desanimados, toscos até, mas… para nós, eram excelentes, pois eram os quadrinhos (que não podiamos por vezes comprar), entregues em casa pela televisão – e com áudio!

    2. A própria forma “desanimada” deles me permitiu apreciar melhor todas as formas de animação posteriores, stop-motion, etc., e… me preparar para curtir adequadamente os próprios quadrinhos, onde a imaginação do leitor preenche as lacunas entre os quadros.

    3. A histórias eram poderosas, algumas mesmo magníficas. Lembro de “Cubo Cósmico”, “Os Hibernantes” (Capitão América), “Hércules” (Thor), “O Metalóide” (Hulk) – esta última com um twisted end inesquecível, entre outras igualmente marcantes.

    4. E a trilha sonora? Vigorosa, instrumental, arrepiante. Brilhantes traduções para o português dos temas de abertura (essa do Thor ficava assim: “Onde o arco-íris é ponte / Onde vivem os imortais / …”. Ajudavam a criar um clima que oscilava entre o épico e o gótico, em especial em Thor e Hulk.

    5. Ainda o áudio: não dá para esquecer que, após a série Marvel, a mesma companhia canadense fez uma pequena obra-prima, o desenho do Aranha de 1967. Fluidez de movimentos, e, além do tema principal que todos conhecem, uma música incidental de dar inveja – acho que ela não saiu do meu ouvido até hoje.

    6. Imperdível o narrador de todas elas. Simplemente o hoje quase aposentado locutor de esportes Léo Batista, no melhor da sua forma, com o timbre ao mesmo tempo ácido e cavernoso. Arrepiante também.

    7. Por fim, voltando o caso do Thor: para mim, que conhecia apenas a mitologia grega através de Monteiro Lobato, foi grata surpresa conhecer outra mitologia, a nórdica, igualmente forte, através daquele desenho “desanimado”.
    Desde então, quase toda quinta-feira lembro que esse dia, Thursday, é o dia de Thor nos países do norte. Só falta gritar “Valha-me, Deus do Trovão”!

    Abraços! Por Asgard!

  10. Eduardo Uchoa disse:

    Caro Calil,

    Pelos comentarios aqui vc ja viu que criticar uma religiao, no caso os fas incondicionais da Marvel, eh roubada. Muitos inclusive ainda nao viram o filme mas garantem que ele tem que ser bom. Eu fui levar meu filho. Nao entendo como alguem com mais de 12 anos possa gostar. Nao eh preconceito contra adaptacoes de HQ. Eu gosto muito dos filmes do Homem-Aranha. Verdade que o Thor nunca foi grande coisa nem em HQ.

    • Mario Impronta disse:

      Oi, Eduardo… apenas lembre que você levou o seu filho para ver uma história de Mitologia, essencialmente. Pode ser até uma coisa que o interesse no futuro, caso queira se tornar um mitólogo, simbolista, pensador de comunicação, ou mesmo um historiador. Pode ser uma sementinha sendo plantada, que a gente nunca sabe onde vai dar.

      Mas tenho que admitir que somos fãs incondicionais – embora com algumas condições :)

      Pelo menos no meu caso – embora eu tenha defendido especificamente a produção dos “desanimados” de 1966 – a coisa é até um tanto previsível, e pertencendo a uma linhagem um pouco mais abrangente. Senão, vejamos.

      As pessoas que gostam da Marvel (a chamada “Casa das Idéias” pela reconhecida superioridade de seu texto e idéias mais originais, quando comparada à DC, por exemplo) são apenas um pouco mais seletivas. Mas elas são apenas um subconjunto dos apreciadores da dupla “histórias em quadrinhos + histórias de superheróis”; que, por sua vez, são um subconjunto dos apreciadores de histórias de heróis. Ou seja, os motivos essenciais que me levam a gostar dos heróis da Marvel são os mesmos que me levam a gostar da Mitologia Grega. Então acho que estou em boa compania. É questão de ver que o Superman ou o Batman não estão muito longe de Hércules ou Palas-Atena – são apenas mitologias igualmente válidas, uma criada na Antiguidade e outra no século XX.

      Mas aí entra uma diferença importante: enquanto que nas mitologias em geral a palavra de ordem é “fantasia”, os heróis em HQ (Thor é realmente um caso à parte, por se tratar de um deus) tem um embasamento técnico-científico bem maior. Maior “feasibility”, mesmo dentro de um contexto imaginoso.

      E para quem é pai, vale lembrar disso: elas são altamente didáticas e podem despertar carreiras e paixões. Se um dia eu fui para uma escola de engenharia estudar eletrônica, lhe garanto que Tony Stark (O Homem De Ferro) certamente teve a sua parcela de culpa. Certamente alguns físicos e biólogos da minha geração foram estimulados pelo Hulk ou o Homem-Formiga, só para manter-nos dentro do âmbito dos Vingadores. (Não apenas os quadrinhos tem esse efeito, evidentemente: devo muito também aos romances de ficção-cientifica estilo “hard”, mais Asimov e menos Arthur Clarke.)

      Quadrinhos, como qualquer forma de literatura, podem ser não apenas mera diversão descartável, mas uma poderosa fonte de estímulo para as tendências e talentos natos de cada criança – ou adulto. Para os “cabeçudos” de ciências exatas, a Marvel sempre funcionou muito bem, um verdadeiro catalisador de potencialidades.

      (Eu disse catalisador, foi? Pois é, eu queria estudar química para desenvolver a teia do Peter Parker, como ele fez na história original, não no também excelente filme de Sam Raimi, onde a teia é biológica.)

      Claro que para alguém com tendências mais para humanidades e biomédicas, filmes com Ben-Hur/Wall Street/Cybil/Charly, vão tirar o historiador/economista/psicólogo/neurocientista de dentro de cada um. Ou nada disso, se a pessoa lidar apenas com aspectos lúdicos – nesses casos os filmes de Adam Sandler ou Jerry Lewis também servem. Ou um bang-bang, ou um capa-e-espada.

      Comédias divertem, aventuras empolgam, musicais encantam. Mas a mitologia dos superheróis criada no século XX me parece um reflexo do cientificismo dos tempos modernos – os poderes dos super-heróis geralmente são explicados de forma a serem quase (ou totalmente) plausíveis. Tem algo por baixo, além do entretenimento puro.

      Mesmo religiões tem os seus motivos racionais para existirem. A “religião” Marvel (ou a “DC”, ou a “Asimov”, etc.) está justamente num limite entre fantasia e ciência que muito agrada a quem gosta de ambas. Quem gosta apenas de fantasia, não se importa com explicações técnicas – que até estragariam o efeito de gostar de anjos, demônios, vampiros, etc. Já o fã de FC praticamente exige algum respeito pela plausibilidade das histórias. E arrisco a dizer que os fãs de super-heróis modernos não se afastam muito desta exigência, exatamente porque a ciência está em sua base também.

      Exemplificando por comparação, e voltando ao nosso Thor: é herói clássico, com seu martelo Mjolnir de poderes divinos – é um “questão de fé”. Já o escudo do Capitão América, esse sim: precisamos saber que é feito de uma liga de adamantium com vibranium – e daí vai nascer um engenheiro metalúrgico. Percebe a sementinha sendo plantada?

      A mesma ciência que me encantou muito antes dos 12 anos de idade, continua me encantando até hoje, o que se refletiu nas minhas atividades profissionais ao longo da vida (eletrônica, computação, etc.). Por isso tantos “nerds” já barbados ou até grisalhos com sua cópia de Watchmen debaixo do braço.

      Não é que a gente deixou de evoluir depois dos 12 anos de idade – é que a gente descobriu o amor pela ciência muito antes dos outros meninos. Trocamos rapidamente os Robin Hoods/James Bonds/Zorros, meros heróis de ação, pelos Sherlock Holmes/Batmans/Bruce Banners, heróis muito mais cerebrais do que de ação.

      É questão de conseguir (ou querer) ver por detrás das aparências: por baixo de uma pele verde ou um colant cinza ou vermelho, tem muitas vezes um perito criminal, investigador ou físico-quântico, e não um mero justiceiro. Sou mais o Dr. Manhattan de Watchmen (um físico) do que o justiceiro Paul Kersey ou mesmo o agente Ethan Hunt – este tão cheio de gadgets que sabe usar – mas não sabe construí-los. Melhor o McGyver, mestre da ciência aplicada.

      Um abraço! Excelsior!

  11. luiz paulo disse:

    eu ainda não assisti mais com a direção de Kenneth Branagh acho vai ter um toque diferente dos demais do genero

  12. anderson montes disse:

    Gostei do filme, achei uma boa diversão, é o que são esses filmes baseados em quadrinhos senão isso, duas sossegadas horas de heroísmo? Gostei do filme e o ator que faz o Thor até surpreendeu enquanto a Portman está ok e bem bonitinha, como sempre.

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