Publicidade

Publicidade

Arquivo de maio, 2011

25/05/2011 - 21:32

“Se Beber, Não Case 2” é uma piada repetida

Compartilhe: Twitter

Em “Se Beber, Não Case” (2009), quatro amigos decidem fazer uma despedida de solteiro em Las Vegas, são drogados por Alan (Zach Galifianakis), esquecem tudo que aprontaram, perdem um dos integrantes do grupo e, no dia seguinte, investigam o que aconteceu para conseguir encontrá-lo.

Em “Se Beber, Não Case 2”, que estreia no Brasil nesta sexta-feira, os quatro mesmos amigos decidem fazer uma despedida de solteiro em Bangcoc, são drogados pelo mesmo Alan, esquecem o que aprontaram, perdem um agregado do grupo e, no dia seguinte, investigam o que aconteceu para conseguir encontrá-lo.

Outros elementos se repetem nos dois filmes, com ligeiras mudanças. Em Las Vegas, eles circulavam com um bebê perdido. Em Bangcoc, entra em cena um macaco. Na primeira parte, o dentista Stu (Ed Helms) se casava com uma prostituta. Na segunda, ele transa com um travesti. Em um, Alan fingia masturbar um bebê. No outro, ele finge masturbar um monge. Os dois têm uma participação especial de Mike Tyson. Ambos terminam com uma sequência de fotos da noitada. E assim por diante.

Ou seja, “Se Beber, Não Case 2” é antes um remake do que uma sequência de “Se Beber Não Case”, apenas ambiente em outro país. Uma pena. Porque o original era das melhores comédias que Hollywood produziu em muito tempo, um filme que conseguia chegar a um resultado de grande frescor retrabalhando elementos já conhecidos de humor politicamente incorreto. E que tinha ao menos um conceito original, que o crítico Inácio Araujo definiu bem como uma espécie de “arqueologia da farra”.

Já o novo filme é uma pilantragem escancarada e preguiçosa, que não faz o mínimo esforço para disfarçar a repetição do original. Mas talvez o fato mais imperdoável seja que ele reproduz os mesmo elementos sem repetir a graça. Com a exceção de uma sensacional cena (sobre o velho assunto do tamanho pequeno dos orientais), todos as piadas parecem menos engraçadas – incluindo as protagonizadas por Galifianakis, que estava brilhante no primeiro filme.

No final das contas, “Se Beber, Não Case 2” ainda é superior à média das comédias americanas recentes. Mas, na comparação com o primeiro filme, se revela uma decepção.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
20/05/2011 - 10:25

É melhor deixar Lars Von Trier falando sozinho

Compartilhe: Twitter

Existe um surto mundial de idiotia ou será que os idiotas nunca foram tão bem divulgados? Depois de Jair Bolsonaro, Danilo Gentili e Ed Motta, agora foi a vez do cineasta dinamarquês Lars Von Trier – que foi declarado persona non grata no Festival de Cannes depois de se dizer nazista e simpatizante de Hitler, numa tentativa de humor infame.

É incrível como gente tão diferente consegue se igualar nos momentos de estupidez . Mas, para mim, talvez mais chocante ainda seja a repercussão de suas atrocidades verbais – não só nos grandes meios de comunicação, mas sobretudo nas redes sociais. Não acho que as pessoas devam ser blasé diante do preconceito, devam conter uma indignação justa. Só é preciso avaliar se essas polêmicas beneficiam mais a luta contra a discriminação ou justamente os idiotas que as criaram.

Na semana passada, eu vi longas matérias nos jornais e nas TVs sobre o lançamento de uma cartilha contra a heterofobia por Bolsonaro. Eu fico pensando se esse tipo de boçalidade  seria considerado notícia antes da polêmica no “CQC”.  E se esse espaço que ele ganhou não estaria estimulando o surgimento de um pequeno exército de Bolsonaros – como mostram os comentários criminosos em alguns blogs.

O caso de Von Trier é outro – e, ao mesmo tempo, é igual. É outro porque ele não é Bolsonaro. Antes de ser um polemista profissional, ele era um cineasta profissional. E me parece evidente que ele fez uma piada de péssimo gosto – ao contrário de Bolsonaro, ele provavelmente não acredita nela. Mas é igual porque só beneficia quem criou a polêmica.

À medida que sua obra perde relevância (embora eu ainda não tenha desistido dela, como alguns colegas de crítica), Von Trier passa a sobreviver antes das suas polêmicas do que de seus filmes. Todo ano no Festival de Cannes dá para esperar mais uma declaração absurda, em uma rotina previsível e tediosa.

A enorme repercussão de suas estúpidas declarações – e a decisão do festival de torná-lo persona non grata – não eleva a discussão sobre o antissemitismo, sobre a criação do Estado palestino ou sobre qualquer questão importante. Talvez fosse melhor deixar Von Trier – e Bolsonaro e Danilo Gentili e Ed Motta – falando sozinhos. É o tipo de gente (diferenciada?) que se incomoda mais com o silêncio do que com a polêmica.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
10/05/2011 - 21:42

Crítico picha o diretor. Literalmente

Compartilhe: Twitter

Os boatos sobre a morte da crítica de cinema são altamente infundados. Ela sobrevive de maneiras estranhas, como mostra a foto ao lado. Todo crítico já pichou algum cineasta. Mas esse anônimo foi literal e inaugurou a categoria da crítica-pichação.

O alvo é o diretor catarinense Zeca Pires e seu longa-metragem “A Antropóloga”. O suporte inédito para sua crítica foi o muro do Museu Victor Meirelles, em Florianópolis – cujo prédio é tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Segundo o “Diário Catarinense”, o diretor não teve problemas com o conteúdo da crítica, mas sim com o lugar escolhido para publicá-la. “As pessoas têm todo o direito de não gostar do filme, é natural que tenha pessoas que não gostem, mas pichar o patrimônio público é inconcebível, ainda mais o museu, que eu sei das dificuldades que têm para sobreviver”.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
09/05/2011 - 22:29

Lançamentos em 3-D superam os de 2-D

Compartilhe: Twitter

O dado passou meio despercebido até aqui: neste mês de maio, o número de filmes lançados em 3-D nos Estados Unidos irá superar pela primeira vez na história o número de filmes lançados apenas em 2-D.

A questão é: qual é a verdadeira relevância dessa informação? Ou ainda: estamos diante de um divisor de águas, como nos momentos em que os filmes em cores superaram os em preto-e-branco ou os falados ultrapassaram os mudos? Ou estamos falando de uma moda passageira, um “smell-o-vision” (sistema que lançava odores na sala durante a projeção) metido a besta?

Nos adventos do cinema falado e em cores, depois de um primeiro momento de hesitação, havia a certeza de que técnica havia chegado para ficar. Mas e agora com o 3-D, acontece o mesmo?

Na verdade, esse dado chega num momento de grande questionamento sobre as vantagens do 3-D e seus infindáveis desafios tecnológicos – muito bem explorados nesta matéria da “Wired”.

Com o lançamento de “Avatar” há dois anos, ficou a sensação de que a tecnologia havia dado um salto definitivo, inquestionável.

Mas o que veio depois – incluindo aí “Alice no País das Maravilhas”, de Tim Burton, e “O Último Mestre do Ar”, de M. Night Shyamalan, dois cineastas dos quais sempre se espera muito – tinha cara de retrocesso.

A maioria dos filmes ainda tem aquela aparência de livro “pop-up”, com dobraduras que surgem do meio das páginas.

Mas há quem diga – incluindo Michael Bay, de “Transformers”, uma fonte não muito confiável – que o 3-D é, neste exato momento, o Oeste selvagem do cinema, um fronteira aberta com inúmeras possibilidades.

Até agora, se sabe que o 3-D tem sido um bom para a indústria, que conseguiu amenizar o problema da pirataria prometendo uma experiência que só pode ser obtida no cinema. Mais difícil é dizer se tem sido bom também para os espectadores.

Eu confesso que só vi dois filmes até aqui em que o 3-D se justificou plenamente: “Beowulf” e “Avatar”. De resto, eu não pagaria de novo os reais a mais para ver os outros filmes.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
04/05/2011 - 22:31

Cine Tela Brasil leva a periferia ao centro do cinema

Compartilhe: Twitter

No último final de semana, eu tive uma das experiências mais ricas da minha vida profissional: participar de um bate-papo com os alunos de uma oficina do Cine Tela Brasil no CEU Anhanguera, em Perus, zona norte de São Paulo.

Descendente do Cine Mambembe criado pela cineasta Laís Bodanzky e pelo roteirista Luiz Bolognesi (“As Melhores Coisas do Mundo”, “Bicho de 7 Cabeças”), o Cine Tela Brasil é um projeto de cinema itinerante, que leva uma tenda de cinema a pessoas que em geral não têm acesso a uma sala.

De alguns anos para cá, o projeto também passou a oferecer oficinas de cinema nesses lugares, para que as pessoas tivessem não apenas a experiência de espectadores, mas também a de realizadores. É, enfim, uma das iniciativas mais interessantes de democratização da cultura que temos no país hoje, especialmente agora que eles oferecem não só a tela, mas a câmera a seus participantes.

Em Perus, o bate-papo foi marcado para o dia de formatura da oficina. Depois de 12 dias de aulas coordenadas por Edu Abad, os cerca de 20 alunos, adolescentes e jovens moradores do bairro, conseguiram concluir três curta-metragens em vídeo, do roteiro à finalização, e os exibiriam pela primeira vez para a comunidade.

Pelo tempo corrido e pela escassez de recursos, o resultado dos três curtas era mais do que satisfatório. “TecnoVício” é uma comédia ligeira e bem resolvida sobre nossa dependência da tecnologia. “Inocência Oculta” brinca muito bem com elementos clássicos do filme de terror. E “Semente” lida de maneira tocante com o tema da violência sexual contra menores.

No bate-papo antes da exibição, a pergunta que eles mais repetiam era: como fazer para que essa produção que começa a entrar em ebulição nas periferias chegue até o centro? Como fazer para ser notado, divulgado, exibido?

A resposta não é fácil. Mas eu acredito que ela passa pelas novas tecnologias – YouTube, redes sociais etc. -, que é o caminho mais rápido, barato e democrático (os curtas do Cine Tela Brasil, por exemplo, vão para o site do projeto).

Já a via tradicional – de exibição em cinemas e TVs – vai demandar uma longa batalha, que será vencida por poucos. Como ocorreu com o pessoal do Nós do Cinema em “5 X Favela – Agora por Nós Mesmos”, um caso de exceção.

De qualquer forma, a rápida passagem pela oficina do Cine Tela Brasil reforçou a sensação de que algo de grande força e frescor virá das periferias em breve. Foi uma experiência para revigorar a fé no cinema.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Voltar ao topo