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04/05/2011 - 22:31

Cine Tela Brasil leva a periferia ao centro do cinema

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No último final de semana, eu tive uma das experiências mais ricas da minha vida profissional: participar de um bate-papo com os alunos de uma oficina do Cine Tela Brasil no CEU Anhanguera, em Perus, zona norte de São Paulo.

Descendente do Cine Mambembe criado pela cineasta Laís Bodanzky e pelo roteirista Luiz Bolognesi (“As Melhores Coisas do Mundo”, “Bicho de 7 Cabeças”), o Cine Tela Brasil é um projeto de cinema itinerante, que leva uma tenda de cinema a pessoas que em geral não têm acesso a uma sala.

De alguns anos para cá, o projeto também passou a oferecer oficinas de cinema nesses lugares, para que as pessoas tivessem não apenas a experiência de espectadores, mas também a de realizadores. É, enfim, uma das iniciativas mais interessantes de democratização da cultura que temos no país hoje, especialmente agora que eles oferecem não só a tela, mas a câmera a seus participantes.

Em Perus, o bate-papo foi marcado para o dia de formatura da oficina. Depois de 12 dias de aulas coordenadas por Edu Abad, os cerca de 20 alunos, adolescentes e jovens moradores do bairro, conseguiram concluir três curta-metragens em vídeo, do roteiro à finalização, e os exibiriam pela primeira vez para a comunidade.

Pelo tempo corrido e pela escassez de recursos, o resultado dos três curtas era mais do que satisfatório. “TecnoVício” é uma comédia ligeira e bem resolvida sobre nossa dependência da tecnologia. “Inocência Oculta” brinca muito bem com elementos clássicos do filme de terror. E “Semente” lida de maneira tocante com o tema da violência sexual contra menores.

No bate-papo antes da exibição, a pergunta que eles mais repetiam era: como fazer para que essa produção que começa a entrar em ebulição nas periferias chegue até o centro? Como fazer para ser notado, divulgado, exibido?

A resposta não é fácil. Mas eu acredito que ela passa pelas novas tecnologias – YouTube, redes sociais etc. -, que é o caminho mais rápido, barato e democrático (os curtas do Cine Tela Brasil, por exemplo, vão para o site do projeto).

Já a via tradicional – de exibição em cinemas e TVs – vai demandar uma longa batalha, que será vencida por poucos. Como ocorreu com o pessoal do Nós do Cinema em “5 X Favela – Agora por Nós Mesmos”, um caso de exceção.

De qualquer forma, a rápida passagem pela oficina do Cine Tela Brasil reforçou a sensação de que algo de grande força e frescor virá das periferias em breve. Foi uma experiência para revigorar a fé no cinema.

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