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20/05/2011 - 10:25

É melhor deixar Lars Von Trier falando sozinho

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Existe um surto mundial de idiotia ou será que os idiotas nunca foram tão bem divulgados? Depois de Jair Bolsonaro, Danilo Gentili e Ed Motta, agora foi a vez do cineasta dinamarquês Lars Von Trier – que foi declarado persona non grata no Festival de Cannes depois de se dizer nazista e simpatizante de Hitler, numa tentativa de humor infame.

É incrível como gente tão diferente consegue se igualar nos momentos de estupidez . Mas, para mim, talvez mais chocante ainda seja a repercussão de suas atrocidades verbais – não só nos grandes meios de comunicação, mas sobretudo nas redes sociais. Não acho que as pessoas devam ser blasé diante do preconceito, devam conter uma indignação justa. Só é preciso avaliar se essas polêmicas beneficiam mais a luta contra a discriminação ou justamente os idiotas que as criaram.

Na semana passada, eu vi longas matérias nos jornais e nas TVs sobre o lançamento de uma cartilha contra a heterofobia por Bolsonaro. Eu fico pensando se esse tipo de boçalidade  seria considerado notícia antes da polêmica no “CQC”.  E se esse espaço que ele ganhou não estaria estimulando o surgimento de um pequeno exército de Bolsonaros – como mostram os comentários criminosos em alguns blogs.

O caso de Von Trier é outro – e, ao mesmo tempo, é igual. É outro porque ele não é Bolsonaro. Antes de ser um polemista profissional, ele era um cineasta profissional. E me parece evidente que ele fez uma piada de péssimo gosto – ao contrário de Bolsonaro, ele provavelmente não acredita nela. Mas é igual porque só beneficia quem criou a polêmica.

À medida que sua obra perde relevância (embora eu ainda não tenha desistido dela, como alguns colegas de crítica), Von Trier passa a sobreviver antes das suas polêmicas do que de seus filmes. Todo ano no Festival de Cannes dá para esperar mais uma declaração absurda, em uma rotina previsível e tediosa.

A enorme repercussão de suas estúpidas declarações – e a decisão do festival de torná-lo persona non grata – não eleva a discussão sobre o antissemitismo, sobre a criação do Estado palestino ou sobre qualquer questão importante. Talvez fosse melhor deixar Von Trier – e Bolsonaro e Danilo Gentili e Ed Motta – falando sozinhos. É o tipo de gente (diferenciada?) que se incomoda mais com o silêncio do que com a polêmica.

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46 comentários para “É melhor deixar Lars Von Trier falando sozinho”

  1. felipe guedes disse:

    Independentemente do que foi dito, quero mais ainda assistir o filme Melancolia.
    Espero que não soframos com nenhum tipo de censura que venha tentar proibir a exibição do filme aqui no Brasil.
    Uma ação desta, como ocorreu na Argentina, só faz aumentar os níveis de preconceito que parecem estar aumentando neste novo século.

Os comentários do texto estão encerrados.

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