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14/07/2011 - 22:53

A globochanchada equivale a um passeio no shopping

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Existem equivalências entre experiências urbanísticas e experiências cinematográfica? Há filmes que remetam, por exemplo, a um passeio de bicicleta no parque ou a uma caminhada por uma rua deserta?

Desconfio que sim, que existem comparações possíveis. Porque sempre que vejo uma dessas comédias de situação brasileiras recentes eu me sinto em um shopping center ou em condomínio fechado. Eu me refiro aos filmes que o cineasta Guilherme de Almeida Prado bem definiu como globochanchadas: “Se eu fosse você”, “De pernas para o ar”, “Divã”, “Qualquer gato vira-lata”, “Muita calma nessa hora”, “A mulher invisível” e agora “Cilada.com”.

O shopping e o condomínio são lugares fechados que emulam outros abertos, respectivamente uma rua de comércio ou uma vila. Mas que oferecem a comodidade e a artificialidade do ambiente controlado, planejado, protegido do caos do resto da cidade.

As globochanchadas também emulam a vida real, mas não se deixam contaminar por ela. E eu me refiro ao aspecto audiovisual mesmo desses filmes: eles parecem filmados em ambientes assépticos, esterilizados, herméticos. Até as externas ter um shopping como locação.

A julgar pelo sucesso nas bilheterias desses filmes (o de “Cilada.com” é o exemplo mais recente), boa parte do público de cinema brasileiro quer mesmo essa sensação de segurança, de conforto trazido por esses filmes – assim como muitas pessoas sonham em um dia morar num condomínio fechado.

Mas ainda existem cineastas e espectadores que gostam de dar umas voltas por becos e vielas. Nem tudo está perdido, para nossas cidades e nosso cinema.

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7 comentários para “A globochanchada equivale a um passeio no shopping”

  1. Na mosca, Ricardo. A preguiça de sair dos “ambientes controlados”, na verdade, está levando a cidade-cinema-brasileiro a se tornar um complexo de shopping centers!

    Agora, o que mais me abisma é que essas globochanchadas estão aprendendo a migrar no sentido contrário: classicamente surgidas na TV e “condensadas” para caber no cinema (“A Grande Família – o filme”, “Os normais” e por aí vai), agora elas aprenderam a migrar do cinema de volta para a TV, como “A mulher invisível”. Protejam-se: pelo andar da carruagem, em breve teremos que aguentar uma siticom de “Cilada.com”…

  2. dafne disse:

    globochanchada é um termo ótimo termo mesmo. só acho que ‘a mulher invisível’ não se enquadra no balaio.

  3. fábio... disse:

    …………………………………………………………………………………………………
    ………………………………………………………………………………………………..
    …………………………………………Ricardo ?
    …………………………………………………………………………………………………
    ……………………………….Você começou bem,
    ……………………………………………porém,
    …………………………no final, onde achei que fôsse
    …………………………….fechar com chave de ouro,
    …………………………………………………………………………………………………
    ………………………………………………você,
    …………………………………………………………………………………………………
    …………………………………………..amarelou.
    …………………………………………………………………………………………………
    …………………………………………………………………………………………………
    ………………………………………….O termo,
    ………………………………………………………………………………………………..
    …………………….. “globochanchada” é ótimo mesmo.
    …………………………………………………………………………………………………
    ……………………………………….E essa geração,
    …………………………………………………………………………………………………
    ……………..” malhação/verde/projac/descolada/iguatemi “,
    …………………………………………………………………………………………………
    ………………………………………já encheu o saco.
    …………………………………………………………………………………………………
    ……………………..Eles poderiam fazer uma vaquinha
    ……………………..com a “bilheteria” de seus filmes e
    ……………………………………mudarem todos para,
    ………………………………………………………………………………………………..
    …………………………………………..Los angeles.
    …………………………………………………………………………………………………
    ………………………….Assim ficaríamos livres de seus,
    …………………………………………… ” talentos “.
    …………………………………………………………………………………………………
    …………………………………………………………………………………………………

  4. Posso até parecer preconceito, mas esse cinema shopping center/condomínio/Barra da Tijuca é extremamente carioca.

    O Ceará faz esse tipo de cinema? Não.
    DF faz? Não.
    SP faz? Não.
    Pernambuco faz? Não.

    Todo cineasta que vive no Rio faz esse cinema “globochanchadas”. Claro que todos não (Coutinho mora no Rio e não faz), mas a grande maioria faz muita merda, são medrosos, vivem no conforto de ter uma TV Globo por perto e não se arriscam em nada.

    Impressionante.

    • gabriel s. disse:

      acho que voce não conhece um decimo dos filmes feitos no rio nos ultimos anos. poderia ficar horas citando nomes mas vou resumir em um só: julio bressane. agora, citar brasilia como referencia de produção de cine foi demais…

  5. André Veiga disse:

    Perfeito, Calil. E eu to fora, tanto de Globochanchadas quanto dos condomínios fechados

  6. Ananda Oliveira disse:

    Esse “TV Globo way of life” sempre foi bem enfadonho, plástico e inorgânico.

Os comentários do texto estão encerrados.

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