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Arquivo de agosto, 2011

25/08/2011 - 16:27

Há vida inteligente em Hollywood

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Todo mundo só fala de “A Árvore da Vida” e “Melancolia”, o novo Fla-Flu da sétima arte. Mas as grandes surpresas do cinema na temporada vieram não de Cannes, mas de uma origem insuspeita: Hollywood. No intervalo de duas semanas, eu vi pelo menos três belos blockbusters americanos: “Planeta dos Macacos: A Origem”, “Super 8” e “Capitão América”.

Os desafios dos três não eram pequenos. “Planeto dos Macacos”, que estreia nesta sexta-feira, tenta fazer o que nem Tim Burton conseguiu: ressuscitar uma franquia de sete filmes que só teve um realmente relevante, o original de 1968. “Super 8” quer homenagear nostálgicos blockbusters – de “ET” a “Goonies” -, mas também encontrar um olhar próprio sobre a paixão pelo cinema e os ritos de passagem da adolescência. E “Capitão América”, por sua vez, tenta achar um papel no cinema de hoje para um herói ultrapassado, criado na Segunda Guerra para combater Hitler. Todos os três vencem esses desafios com folga.

Sem provocação, eu diria que encontrei mais profundidade nesses três blockbusters aparentemente despretensiosos do que em “Árvore da Vida” ou “Melancolia” – filmes que ostentam a palavra “obra-prima” como uma melancia no pescoço.

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18/08/2011 - 16:36

Cineastas contra cineastas: os 30 melhores insultos

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Dois meses atrás, o site Flavorwire fez uma lista com os 30 melhores insultos de escritores contra escritores da história. Agora, eles descobriram, nas próprias palavras, uma raça ainda mais infantil, frívola, vingativa e torpe: os cineastas. E fizeram uma nova lista, com os 30 melhores insultos de cineastas contra cineastas. “Eles podem não ter a mesma precisão com a palavra escrita que aqueles escritores rancorosos, mas, em se tratando de mesquinharia, ninguém pode vencê-los”.

Duas conclusões rápidas – e nem um pouco científicas – sobre a lista: Godard deve ter sido o cineasta mais xingado por seus colegas na história; e Vincent Gallo revelou-se como o mais cruel e talentoso dos difamadores da sétima arte. Abaixo, minha tradução livre para meus 10 insultos preferidos.

François Truffaut sobre Michelangelo Antonioni: “Antonioni é o único diretor importante sobre o qual não tenha nada de bom a dizer. Ele me entendia; é tão solene e sem humor”.

Ingmar Bergman sobre Jean-Luc Godard: “Eu nunca aproveitei nada de seus filmes. Eles são artificiais, pseudointelectuais e completamente mortos. Cinematograficamente desinteressantes e infinitamente tediosos. Godard é um pé no saco”

Orson Welles sobre Jean-Luc Godard: “Suas virtudes como diretor são enormes. Eu só não consigo levá-lo muito a sério como pensador – e é aí que divergimos, porque ele se leva a sério. Sua mensagem é aquilo que o preocupa nesses dias e, como a maioria das mensagens em filmes, ela poderia ser escrita na cabeça de um alfinete”.

Werner Herzog sobre Jean-Luc Godard: “Alguém como Jean Luc-Godard é, para mim, dinheiro intelectual falsificado quando comparado a um bom filme de kung-fu”.

Jacques Rivette sobre Stanley Kubrick: “Kubrick é uma máquina, um mutante, um marciano. Ele não tem um único sentimento humano. Mas é ótimo quando uma máquina filma outras máquinas, como em ‘2001’ ”.

Jacques Rivette sobre James Cameron e Steven Spielberg:
“Cameron não é do mal, não é um babaca como o Spielberg. Ele quer ser o novo De Mille. Infelizmente, ele não consegue dirigir nem o próprio caminho para fora de um saco de papel”.

Vincent Gallo sobre Spike Jonze: “Ele é a maior fraude do pedaço. Se você o leva para uma festa, ele é a pessoa menos interessante da festa. Ele é o cara que não sabe de nada, que não diz nada engraçado, interessante, inteligente. Ele é um grande pedaço de merda”.

Vincent Gallo sobre Sofia e Francis Ford) Coppola: “Sofia Coppola gosta de qualquer cara que tem o que ela quer. Se ela quer ser uma fotógrafa, ela vai dar para um fotógrafo. Se ela quer ser uma cineasta, ela vai dar para um cineasta. Ela é uma parasita igual ao porco gordo do pai dela” (um detalhe: Gallo depois trabalharia com Coppola pai em “Tetro”).

Vincent Gallo sobre Abel Ferrara: “Abel Ferrara estava tão doido de crack quando fiz ‘Os Chefões’ que ele nunca estava no set. Ele estava no meu quarto tentando me roubar”.

Uwe Boll sobre Michael Bay: “Eu não sou um retardado como o Michael Bay”.

Depois dessa, fiquei com vontade de ver uma versão brasileira. Assim, de cabeça, lembro de Claudio Assis chamando Hector Babenco de “imbecil, escroto”. E de Eduardo Escorel classificando Julio Bressane de parasita. Alguém aí quer refrescar a minha memória?

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15/08/2011 - 10:13

A censura ao “Serbian Film” é imoral

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Você gostaria de viver em um país onde é proibido assistir a “M – O Vampiro de Dusseldorf”, de Fritz Lang, “Lolita”, de Stanley Kubrick, ou “Morte em Veneza”, de Luchino Visconti? Essa é fácil: pouca gente, em sã consciência, iria contra essas reconhecidas obras-primas do cinema, dirigidas por gênios da sétima arte, mesmo sabendo que elas contém cenas com algum grau de pedofilia.

Então vamos para uma mais difícil: você gostaria de viver em um país onde não há permissão para ver “A Lagoa Azul”, um entrenimento barato que explora a nudez de Brooke Shields aos 15 anos? Ou “Assassinos por Natureza”, um dos pontos baixos da carreira de Oliver Stone, em que as cenas de violência sexual são acompanhadas pelas risadas artificiais típicas da sitcom? Bom, você pode argumentar que esses filmes não são fundamentais, mas são relativamente inofensivos, perto do que a gente tem visto por aí.

Então vamos complicar as coisas: você gostaria de viver em um país onde um país há censura a uma obra polêmica como “A Serbian Film”, com cenas explícitas de violência sexual e insinuações bastante diretas de pedofilia, sem grandes valores “artísticos” identificados pelas poucas pessoas que o viram até agora (entre as quais eu não me incluo)?

Minha resposta para as três perguntas seria a mesma: eu não gostaria de viver em um país que proíbe nenhum dos filmes acima, seja “Lolita”, “Lagoa Azul” ou “A Serbian Film”. Porque não se trata de uma questão de mérito artístico ou de grau de violência – dois conceitos bastante subjetivos, por sinal. E sim do fato de que há, desde o final da censura no Brasil, um sistema de classificação indicativa para o cinema segundo o qual pessoas adultas podem escolher o que querem pagar para ver. Esse sistema, que preserva a liberdade de expressão e a liberdade individual, tem funcionado bem, até onde eu sei.

Bom, eu vivo num país em que um desses filmes continua censurado. E, se ainda não percebeu, você também.

P.S.:  este post foi inspirado pelo brilhante texto “Pasmem!!! 30 Filmes que incitam a pedofilia”, do blog Los Olvidados.

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