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Arquivo de setembro, 2011

29/09/2011 - 19:37

“Confiar” explora horror à pedofilia

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Segundo longa-metragem dirigido pelo ator David Schwimmer (mais conhecido como o Ross da série “Friends”), “Confiar” é uma peça de alarmismo disfarçada de drama sóbrio.

A premissa do filme, que estreou na última sexta-feira no Brasil, é pegar um tema da moda, a pedofilia online, e explorar o temor dos pais de terem seus filhos assediados sexualmente pela internet.

Na primeira parte do filme, Annie (Liana Liberato), de 14 anos, conhece em um site de bate-papo Charlie, que se apresenta como um garoto de 16. Enquanto seus pais Will e Lynn (Clive Owen e Catherine Keener) se ocupam com o trabalho e com o filho mais velho que vai para a faculdade, Annie se apaixona virtualmente por Charlie e cede à ideia de conhecê-lo ao vivo. Quando surge diante da garota, Charlie (Chris Henry Coffey) é, na verdade, um homem de 30 e tantos anos. Apesar da hesitação da garota, ele a convence a ir até um hotel, onde a estupra.

A segunda parte do filme se concentra no desmoronamento familiar: a perplexidade da mãe, o desejo de vingança do pai, os sentimentos ambíguos da garota (que, apesar da violência, continua enamorada pelo algoz).

Em geral, Schwimmer tenta abordar o tema difícil com a sobriedade que ele exige. Mas certas cenas traem sua proposta, em especial a do estupro – que não evita uma certa fetichização da imagem da adolescente de calcinha e sutiã, intercalada pelo take de um vibrador.

Há uma linha de raciocínio interessante no filme: Will é um publicitário que cria campanhas que apelam para a erotização de adolescentes; ou seja, apesar de sua revolta com o crime contra sua filha, o pai também daria sua contribuição para a o problema.

Mas essa linha é completamente abandonada no meio do filme. Talvez porque “Confiar” também tenha rabo preso: ao mesmo tempo que explora o horror do abuso de adolescentes, o filme recorre a imagens que, em última instância, poderiam ser classificadas como pedófilas – e acaba se tornando parte do problema que denuncia.

Mas ninguém pedirá a censura de “Confiar”, como ocorreu com “Um Filme Sérvio”, porque a produção americana sabe se disfarçar de drama de “bom gosto”.

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20/09/2011 - 16:57

“Tropa de Elite”, o Oscar e a irrelevância

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Deu a lógica: “Tropa de Elite 2” foi escolhido como candidato brasileiro a uma vaga no Oscar de melhor filme estrangeiro. Uma escolha não apenas óbvia, mas justa. Como disse o crítico e cineasta Gustavo Dahl, em frase provocadora na medida certa, é um filme que “salva o cinema brasileiro da irrelevância” – não por questões cinematográficas, mas por sua capacidade de pautar o debate social e político.

Não há lógica, e talvez tampouco relevância, na lista dos outros 14 candidatos brasileiros a uma vaga no Oscar. Há filmes que justificam sua presença nessa relação pelo sucesso de bilheteria (como “Bruna Surfistinha”) ou pela boa presença em festivais internacionals (como “Trabalhar Cansa”) ou nacionais (como “Estamos Juntos”).

Mas é difícil entender o que faziam ali filmes que não tiveram nenhum tipo de chancela prévia, seja do público, da crítica ou dos festivais, como “A Antropóloga”, “Federal”, “Histórias Reais de um Mentiroso – VIPS” ou “Mulatas! Um Tufão nos Quadris”.

Pelo que sei, basta o produtor se inscrever para estar nessa lista. Mas, se não há nenhuma chance de ser escolhido, qual o sentido disso? “Tropa de Elite 2” pode ter salvo, ainda que por breve tempo, o cinema brasileiro de sua irrelevância. O Oscar não fará o mesmo.

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16/09/2011 - 13:19

O cinema brasileiro tem futuro

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Vamos fazer umas contas rápidas: de um mês para cá, chegaram aos cinemas seis longa-metragens de estreia de diretores brasileiros: “A Fuga da Mulher Gorila”, de Felipe Bragança e Marina Meliande, “Pacific”, de Marcelo Pedroso, “Além da Estrada”, de Charly Braun, “Riscado”, de Gustavo Pizzi, “Diário de uma Busca”, de Flávia Castro, “Cortina de Fumaça”, de Rodrigo MacNiven, e “180º”, de Eduardo Vaisman.

Além deles, teve o “Transeunte”, primeiro longa de ficção de Eryk Rocha, “A Alegria”, o segundo de Felipe Bragança e Marina Meliande, o “Desassossego”, filme coletivo de 14 diretores, e “Os Monstros”, segundo longa do coletivo cearense Alumbramento.

Ou seja, dez filmes e mais de 20 jovens cineastas chegando ao circuito comercial em um intervalo de 30 dias. Não tenho estatísticas históricas, mas deve ser algo inédito. É um feito que tem a ver com algo bem específico: o surgimento de uma distribuidora, a Vitrine Filmes, disposta a apostar nesses filmes que o “mercado” teima em ignorar (ela responde por sete desses dez lançamentos).

Mas tem a ver com algo mais amplo: o florescimento simultâneo, em diferentes pontos do país, de uma geração de realizadores interessada em projetos à margem da corrente hegemônica do cinema brasileiro atual – e que agora encontrou, com o perdão do trocadilho, uma vitrine comercial, mesmo que reduzida.

Os perfis dos filmes são, claro, diferentes: “180º” e “Cortina de Fumaça” estão mais próximos de formatos mais tradicionais de ficção e documentário. Mas todos os outros partem de propostas autorais, às vezes íntimas, que pouco ou nada tem a ver com a busca por bilheteria que domina boa parte da produção brasileira. Muitos desses filmes também fugiram ao esquema tradicional de captação de recursos incentivados e encontraram modelos alternativos para serem realizados. E alguns deles têm laços estéticos e afetivos mais rastreáveis. Alguns desses filmes têm laços estéticos e afetivos mais rastreáveis. Por exemplo: Ivo Lopes Araújo fotografa “Os Monstros” e dirige um dos fragmentos de “Desassossego”, que foi coordenado por Felipe Bragança e Marina Meliande, os diretores de “A Alegria” e “A Fuga da Mulher Gorila”.

Mas o mais importante não é a quantidade, nem o esquema de produção, nem identificar uma ideia de grupo. O fundamental é a qualidade. Com a exceção do convencional “180º”, os filmes – os que eu consegui ver – são bons, muito bons: “Riscado” encontra uma rara harmonia entre o popular e o sofisticado; “Além da Estrada” consegue extrair frescor da velha combinação entre um homem, uma mulher e uma estrada; “Os Monstros” é, ao mesmo tempo, uma ode à amizade e uma defesa política de uma arte que não faz concessões; “Transeunte” é um exercício rigoroso de ficção iluminado por momentos musicais de enorme beleza.

São filmes que me deixam bastante esperançoso quanto ao futuro do cinema brasileiro. Agora falta garantir que eles tenham o mínimo de tempo em cartaz para serem descobertos.

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08/09/2011 - 22:42

Cinema está em dívida com o 11 de Setembro

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Dez anos depois, qual é o saldo cinematográfico dos filmes sobre os atentados do 11 de setembro> Dada a importância histórica do evento, o balanço não chega a ser negativo, mas é sem dúvida modesto. O cinema ainda está em dívida com o 11 de setembro, ainda não conseguiu produzir imagens que compitam com o impacto dos aviões se chocando contra as Torres Gêmeas.

Há um filme de ficção bastante digno sobre os atentados: “Voo United 93”, de Paul Greengrass, que se concentra sobre o atentado que falhou, supostamente pela reação dos passageiros contra terroristas, em um avião dirigido à Casa Branca. Há um documentário do qual não gosto como cinema, mas que tem seu valor como panfleto político sobre a atuação do governo americano antes, durante e depois do 11 de setembro: “Fahrenheit 11 de Setembro”, de Michael Moore.

Fora isso, tem “11 de Setembro”, com 11 curtas de cineastas internacionais, dos quais se salvam apenas os da iraniana Samira Makhmalbaf e do japonês Shohei Imamura (o episódio do mexicano Alejandro Gomez Iñarritu é particularmente sensacionalista); “World Trade Center”, ponto baixo na carreira de Oliver Stone; e “Lembranças”, um veículo para Robert “Crepúsculo” Pattinson que usa os atentados de forma oportunista.

E aí começa uma série de filmes que não é exatamente sobre os atentados, mas sim sobre as guerras que começaram como reação a eles, o melhor deles sendo “Guerra ao Terror”. Nesse sentido, o melhor filme, a meu ver, sobre o 11 de Setembro é “A Última Noite”, um Spike Lee subestimado, que começa com uma imagem dos canhões de luz que preencheram temporariamente o espaço das Torres Gêmeas.

Chamá-lo de um filme sobre o 11 de Setembro talvez seja uma liberdade poética, já que ele se baseia em um livro lançado meses antes dos atentados. Mas, de qualquer forma, “A Última Noite” é a obra que melhor captura o clima de ressaca kármica de dez anos atrás.

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02/09/2011 - 12:56

O que Hollywood pode aprender com Steve Jobs

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O site FlixChatter traz um bom artigo com algumas ideias de Steve Jobs que poderiam ser aproveitadas por Hollywood.

Além do gênio que criou o Mac, o iPhone, o iPad etc., Jobs – que acaba de sair da Apple por problemas de saúde – também foi o cara que enxergou antes o potencial da Pixar quando ela era uma produtora de curtas-metragens e investiu o dinheiro necessário para ela se tornar a melhor e maior estúdio de animação do mundo

“Eu tenho tanto orgulho do que nós não fizemos quanto do que nós fizemos”.

Ou seja, qualidade é mais importante que quantidade. Quando voltou à Apple em 1996 (11 anos após ser expulso da companhia que criou), Jobs mandou cortar a produção de vários produtos e focar em um pequeno grupo de maior potencial. Já a Pixar fez apenas 12 longas-metragens em 25 anos, mas a bilheteria média deles (US$ 602 milhões) é a maior entre todos estúdios de Hollywood. “A grande vantagem do Steve é que ele sabe que grande negócio vem de um grande produto. Primeiro você tem que acertar no produto, seja um iPod ou uma animação”, diz Peter Schneider, que foi presidente da Pixar.

“Você tem que se guiar pelas ideias, não pela hierarquia. As melhores ideias têm que vencer, caso contrário os melhores funcionários irão embora”.

Por mais que a maioria das pessoas associe Steve Jobs à tecnologia de ponta, o fundamental de seus produtos talvez seja a simplicidade: do uso, do design etc – o que ajuda a explicar o apego de tanta gente a seus produtos. O mesmo vale para a Pixar: embora a companhia
tenha sido a primeira um longa de animação digital, o forte de seus filmes é em geral as ideias, os personagens, a capacidade de se conectar emocionalmente ao público.

Por fim, uma última – e talvez a mais importante – lição de Jobs, que não está no artigo do FlixChatter, mas que roubei do Facebook de um amigo. Perguntado sobre pesquisas de mercado feitas para desenvolver o iPad, Steve Jobs disse:

“Não houve nenhuma, o consumidor nāo tem obrigaçāo nenhuma de saber o que quer”.

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