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14/10/2011 - 12:50

As mulheres merecem mais que Julia Roberts

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Antes de começar a maratona de duas semanas densas da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, uma pequena história de circuito comercial com final feliz.

Cineminha de final de semana com a mulher. As opções que agradam aos dois, e que ainda não foram vistas por um ou outro, são poucas. No final das contas, sobram aquelas duas alternativas que parecem “menos ruins”: o argentino “Medianeras” e o americaníssimo “Larry Crowne”, com Tom Hanks e Julia Roberts. Meio desanimados, mas sem querer desperdiçar a sogra com as crianças, vamos ao primeiro. Lotação esgotada. Então tentamos o segundo, em outro cinema.

Na fila para comprar os ingressos, bato o olho no horrível cartaz de um filme com um horrível título sobre o qual não tinha ouvido falar: “Missão Madrinha de Casamento”. À primeira vista, parece uma daquelas comédias românticas voltadas para mulheres com espírito de auto-ajuda. Mas uma frase no pôster chama a minha atenção: “Dos produtores de ‘O Virgem de 40 Anos’ e ‘Ligeiramente Grávidos’ ” – duas das minhas comédias preferidas dos últimos anos, com a assinatura do jovem mestre Judd Apatow. No último momento antes de chegar à bilheteria, mesmo desconfiado com o cartaz, agarro com unhas e dentes a chance de me livrar de Julia Roberts e Tom Hanks no domingo à tarde, com a anuência da minha compreensiva esposa. Dez minutos e algumas gargalhadas depois, eu só consigo pensar no chavão religioso: “Deus escreve certo por linhas tortas”.

Como muitos já apontaram, “Missão Madrinha de Casamento” é uma espécie de “Se Beber Não Case” para mulheres (o que, na minha opinião, vale como elogio), sobre uma mulher solteira que é convidada a organizar o casamento de sua melhor amiga e acaba enfrentando a concorrência de uma madrinha mais rica e bem-sucedida. Como : é um filme que chega a um delicado equilíbrio entre criticar convenções sociais (e cinematográficas), cortejar a grosseria com piadas escatológicas (incluindo uma cena em que mulheres defecam em vestidos de noiva) e, ao final, reforçar valores morais tradicionais (como a importância do matrimônio e da família).

É uma mistura que o cinema em geral reserva apenas aos homens. Mas, a julgar pelas gargalhadas das mulheres na sessão em que eu estava, há uma demanda feminina reprimida para esse tipo de filme. O feminismo também é isso: garantir às mulheres o direito a um pouco de vulgaridade consequente (e umas folgas das comédias românticas de Julia Roberts e Meg Ryan).

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2 comentários para “As mulheres merecem mais que Julia Roberts”

  1. gilvas disse:

    amigo, você escapou da tragédia monumental que é larry crowne. “tragédia monumental” não é elogio, o filme é um lixo, é lamentável, tive de correr para casa e ver “um dia a casa cai” para voltar a acreditar em tom hanks.

  2. Manoel de Almeida disse:

    Prezado Ricardo Calil,
    Fico feliz em comunicar-me contigo, e poder indicar um filme para que possa analisar, e se quiser tecer alguns comentários.
    Tive a alegria de ouvir os elogios deste autor, Cicero Filho, maranhense e “muito talentoso” da produtora cultural Katia Camargo e o Gregorio Bacic. Cicero ficou famoso ao participar do programa do Jô. Na época divulgou os filmes Ai que Vida e entre o Amor e a Razão. O último, drama fez muita gente da plateia chorar. Bom, mas eu quero te falar mesmo é do lançamento, agora no final de novembro: Flor de Abril. Pesquise e comente sobre este longa. Abraço do amigo…
    Manoel de Almeida – 11 73431374

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