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22/10/2011 - 07:58

Magia de Naomi Kawase não se repete em “Hanezu”

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Se fosse possível resumir o cinema da japonesa Naomi Kawase a uma única palavra – correndo o risco de um reducionismo vulgar -, essa palavra seria “mistério”. Cada uma das imagens de seus filmes, em especial os de ficção, parece envolta nessa bruma do inexplicável, do indecifrável. O real é visto como milagre; a natureza, como espelho e abrigo da aventura humana; o cinema, como experiência metafísica, transcendente.

Como mostrou uma recente retrospectiva no festival Indie em São Paulo, a capacidade para depurar, filme após filme, uma visão do mundo e um estilo de cinema muito particulares a levaram a criar uma das obras mais interessantes e originais da atualidade, com destaque para os excepcionais “Shara” (2003) e “Floresta dos Lamentos” (2007).

Mas seu novo filme – que a Mostra de São Paulo exibe em quatro sessões, a partir deste sábado -, traz um mistério de outra ordem: por que os elementos que marcam a obra de Kawase não surtem o mesmo efeito quando repetidos e reelaborados em “Hanezu”? Talvez porque o mistério do filme seja mais decifrável, talvez porque a poética de seu estilo soe mecânica pela primeira vez em sua obra.

“Hanezu” se passa na região de Asuka, considerado o berço do Japão. Como diz uma narração em off no início do filme, ali foi criada uma lenda de que os deuses vivem em três montes, Unebi, Miminashi e Kagu – dois deles masculinos em luta pelo amor do feminino. No presente, essa lenda se reflete, como um carma, na vida de três habitantes da região: uma mulher dividida entre o marido e o amante que fica grávida e determina um fim trágico para o triângulo amoroso.

Embora a beleza do estilo sensorial e contemplativo de Kawase esteja novamente presente em “Hanezu”, a magia parece nunca se concretizar aqui. Porque o paralelo entre natureza e homem, passado e presente, mito e realidade está explícito desde o princípio. Porque um momento de desespero da protagonista é sucedido por imagens de uma tempestade. Ou, ainda, por uma razão que tem algo a ver com a subjetividade do crítico. Uma razão misteriosa.

“Hanezu”: hoje, às 14h, no Unibanco Arteplex; dias 23, às 15h20, no Cine Livraria Cultura; dia 25, às 14h, no Reserva Cultural; dia 28, às 15h, na Faap. Para a programação e a cobertura completas da Mostra, confira o especial do iG.

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