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24/10/2011 - 19:13

“Era uma Vez na Anatólia” traz experiência essencial

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É uma das cenas mais bonitas do cinema recente. Um bando de homens dorme improvisadamente na sala de uma casa do interior da Turquia, depois de uma exaustiva jornada madrugada adentro, uma investigação policial para descobrir onde está enterrado o corpo de uma vítima de assassinato.

De repente, surge diante de cada um deles um lindo rosto feminino iluminado apenas por um lampião, com uma bandeja de chá nas mãos. Os homens despertam entre atordoados e encantados, como se estivessem presenciando a aparição de um anjo, depois de horas de tédio, cansaço, brutalidade.

Depois de mais de uma hora de projeção, é a primeira vez que uma mulher aparece em cena em “Era uma Vez na Anatólia”, filme do turco Nuri Bilge Ceylan que ganhou o Grande Prêmio no Festival de Cannes e que será exibido na Mostra de São Paulo pela última vez nesta terça-feira.

Trata-se, portanto, de uma obra essencialmente masculina, que trabalha na borda entre dois gêneros tradicionais, o policial e o western, mas oferece um olhar novo para ambos.

Do western, o filme traz a ideia de desbravamento de um território inóspito e dos laços, de confronto ou companheirismo, que se estabelecem entre os homens que o empreendem.

Do policial, vem a própria trama sobre a investigação de um crime, em que um grupo formado por policiais, soldados, um promotor e um médico leva dois suspeitos de assassinato para localizar o cadáver da vítima.

Mas não espere nada parecido à série “CSI”, àquela rotina de causa e consequência, de crime e castigo. Ceylan não está interessado em descobrir culpados ou motivações. Ele pretende apenas revelar os dramas individuais daqueles homens em meio a procedimentos policiais descritos com a frieza de um BO. O cineasta tampouco parece disposto a seguir o ritmo acelerado típico de hollywood; seu policial é rarefeito, lento e longo (são mais de duas horas e meia de duração), com poucos diálogos e ainda menos ação.

Se em sua obra anterior (“Uzak”, “Climas”, “3 Macacos”, entre outros), Ceylan parecia destinado a empregar seu talento visual em filmes cada vez mais afetados e maneiristas, em “Era uma Vez na Anatólia” ele reaproxima seu cinema do essencial.

“Era uma Vez na Anatólia”: terça-feira, às 15h50, no Reserva Cultural. Para a programação e a cobertura completas da Mostra, confira o especial do iG.

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3 comentários para ““Era uma Vez na Anatólia” traz experiência essencial”

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