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25/10/2011 - 19:28

O cinema não foi o mesmo depois de Elia Kazan

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Em uma entrevista para a revista “Trip” deste mês, o diretor teatral José Celso Martinez Corrêa, do grupo Oficina, conta que sua vida mudou depois de ver “Um Bonde Chamado Desejo” (1951), também conhecido no Brasil como “Uma Rua Chamada Pecado”: “Até então achava que as pessoas não tinham ‘por dentro’, que só eu tinha subjetividade. E as outras pessoas eram de papelão. Quando vi a Vivien Leigh, o Marlon Brando… foi o Elia Kazan quem me revelou a intersubjetividade”.

Zé Celso conseguiu resumiu, de forma pessoal, o enorme impacto causado pela obra de Elia Kazan (1909-2003) – tema de retrospectiva na Mostra de São Paulo, com nove filmes em cópias restauradas, do período mais fértil de sua carreira, de 1945 a 1962. O cineasta americano, filho de gregos nascido na Turquia, deu uma densidade e profundidade psicológica ao cinema até então inédita. Como se os pensamentos e emoções dos personagens tivessem se tornado, de repente, palpáveis, concretos – algo que Doistoiévski, por exemplo, fez com a literatura.

Mas em um livro há sempre o recurso da descrição do fluxo de pensamento. Kazan preferia não recorrer a seu equivalente cinematográfico, a narração em off. Inspirado pelo russo Stanislavski e ao lado do diretor Lee Strasberg, ele ajudou a criar um método – aliás, o Método – de interpretação baseado na memória emocional dos atores; grosso modo, eles precisavam acessar a lembrança de uma experiência pessoal para reutilizar aquele sentimento na representação.

Pelo Actors Studio, a escola de Strasberg e Kazan, foram lapidados atores como Marlon Brando, James Dean, Paul Newman, Robert De Niro, Al Pacino, Dustin Hoffman e Jack Nicholson, entre muitos outros. De acordo com o gosto, pode-se dizer que há melhores diretores, mas não conheço nenhum que seja melhor como diretor de atores. Como bem colocou Zé Celso, nos filmes de Kazan eles tinham um “por dentro”, uma alma que raramente conseguiam exibir em outros trabalhos.

Kazan arrancou de vários atores os melhores desempenhos de sua carreira – por exemplo, Brando em “Sindicato dos Ladrões”, James Dean em “Vidas Amargas”, Vivan Leigh em “Um Bonde Chamado Desejo”, Natalie Wood em “Clamor do Sexo” e assim por diante. Todos esses clássicos estão na retrospectiva da mostra e merecem ser vistos e revistos no cinema, mas também há filmes que circulam menos, como “Laços Humanos”, “O Justiceiro”, “Um Rosto na Multidão”, “Rio Violento” e “Terra de um Sonho Distante”; além de “Uma Carta para Elia”, documentário de Martin Scorsese sobre um dos cineastas que mais o influenciaram.

Sempre que se fala em Kazan, é impossível escapar da passagem mais sombria de sua vida: ex-comunista, o cineasta denunciou colegas ao Comitê de Atividades Antiamericanas do Congresso, no período macartista de caça às bruxas nos EUA – um episódio que ele metaforizou em “Sindicato dos Ladrões”. A viúva de Kazan, Frances, veio ao Brasil para prestigiar a Mostra e não conseguiu escapar de perguntas sobre a fama de traidor que perseguiu o cineasta até sua morte.

Se objeções podem ser feitas ao homem, não se pode reclamar do cineasta. Ou melhor, é possível fazer um pequeno protesto: ao trazer a psicologia para o cinema, ele acabou abrindo a porteira para outros diretores tentarem fazer o mesmo e fracassarem completamente. O psicologismo – ou seja, a tentativa de reduzir o comportamento humano a alguns tiques psicológicos – acabou se tornando uma das maiores pragas do cinema. Mas, para ser justo, a culpa não é de Kazan, mas da falta de talento de alguns de seus seguidores.

Retrospectiva Elia Kazan: Para a programação e a cobertura completas da Mostra, confira o especial do iG.

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3 comentários para “O cinema não foi o mesmo depois de Elia Kazan”

  1. fábio... disse:

    ………………………………………………………………………………………………..
    ………………………………………………………………………………………………..
    ………………………………………………É,
    ……………………………………………………………………………………………….
    ………………………………por isso que eu digo,
    ……………………………………….” artísta “,
    ………………………… é a pior classe que existe.
    ……………………………….Eles são sórdidos,
    ………………..dissimulados, cínicos, oportunistas,
    …………………………………canalhas,..enfim,
    ……………………………….uma escória social.
    ……………………………………………………………………………………………….
    …………………………Sejam bons ou medíocres,
    ……………………………………….em geral,
    …………………………………não valem nada.
    ………………………………………………………………………………………………
    ……………………Nunca assisti um filme inteiro do
    ……………………” cabo anselmo ” holywwoodiano,
    …………………………………….Elia Kazan.
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    …………………..E pelo que parece na “AMÓSTRA”
    ……………..o auge está sendo os,…. CLÁSSICOS,….né ?
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    …………..Parece que está lotando a retrospectiva do,
    …………………………………”cable anselm “.
    ……………………………………………………………………………………………….
    ………………………………………..Enfim,
    ………………………………………………………………………………………………
    ……………….se o ELEFANTE BRANCO não “inovar ”
    ……………com os clássicos qui qui será do público ?
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Os comentários do texto estão encerrados.

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